quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A POBRE TEOLOGIA PRECISA DE UMA REFORMA URGENTE


"Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam corrompidas as vossas mentes, e se apartem da simplicidade e pureza devidas a Cristo" (II Coríntios 11.3).
















Catedral de Wittemberg

Vivemos momentos de crises diversas em nosso país: econômica, educacional, habitacional, religiosa, entre outras. Mas, há também a crise teológica. Nossa pobre nação tupiniquim não consegue formar teólogos ou teologias que subsistam a crises ou respondam às angústias do brasileiro do século XXI. Sofremos um período de verdadeira sequidão intelectual e teológica como nunca se viu antes. Nossos modelos referenciais nessa área falharam e seus conceitos de moralidade faliram, outros se deixaram levar pela teologia-filosofia-maligna que nega a Soberania de Deus.

A pobreza teológica é visível também em muitos de nossos cursos teológicos, cheios de liberais e neoliberais com suas idéias curtas acerca da Divindade. Também paupérrimos são os conservadores ortodoxos "sistematicamente" bitolados em sua visão de um Deus nada criativo, quase mórbido. Nem um nem outro produzem uma teologia realmente livre, brasileira. Recorrem ao charlatanismo americanizado em livros que nada dizem de novo. São todos compiladores profissionais, copiadores de idéias alheias. Maldita seja a teologia que não produz resultados no ou para o Reino de Deus. Malditos sejam os teólogos de carteirinha que exibem diplomas em seus escritórios ou gabinetes e nada têm de piedade em suas vidas. São religiosos com as mentes treinadas para elaborar sofismas, enriquecem a custa da miserabilidade intelectual de nosso povo evangélico.

Cazuza, cantor e compositor profano, cantou certa vez "meus heróis morreram de overdose/ meus inimigos estão no poder/ ideologia/ eu quero uma pra viver". Causa-nos perplexidade a mudança de rumo daqueles que poderiam ser uma voz profética em nossa nação. Há aqueles que se aproveitam do triste momento histórico-teológico para esbravejar na televisão sua salada em forma de pregações, outros se valem da tal "teologia" doentia da prosperidade, da confissão positiva, do triunfalismo, do misticismo, do fetichismo; valem-se da maldição hereditária, culpam os demônios pelos seus próprios pecados, elaboram teologias pragmáticas-mercantilistas e outros que começaram na base da comunidade, identificando-se com os pobres - leia-se ovelhas -, tornaram-se burgueses elitistas e pastores de si mesmos. São pastores-filósofos, acadêmicos frios e esquisitos, sem noção das necessidades do rebanho, perderam a visão, a compaixão e a simplicidade que há em Cristo.

Meu conceito de teologia livre não é uma teologia sem hermenêutica, sem tradição histórica, sem curso teológico, nem política-libertadora, mas sim teologia simples – não simplória, ingênua – bíblica, com unção do Espírito, teologia pé-no-chão, expressão do Amor e da Soberania de Deus igualmente, teologia pedro-joão-paulo-tiago-ágabo-timóteo-silas-maria-áquila-priscila, teologia primitiva, com sinais genuínos do Reino em nós, sem floreios, sem as amarras do intelectualismo acadêmico ou as ataduras do conservadorismo indolente, sem escritório ou gabinete; comprometida com o rebanho, com o pastoreio de almas, com o Reino de Deus aqui na Terra e com a comunidade. O enriquecimento teológico virá quando voltarmos à Bíblia a exemplo dos reformadores e deixarmos o neo-escolasticismo reinante em nossos cursos e em muitos púlpitos ditos evangélicos. Teologia livre não tem opção preferencial por classes, nem se fixa na pessoa do rico ou em sua conta bancária. É livre, transcende barreiras, sai do templo, vai às ruas, às praças e areópagos da vida, promovendo mudanças espirituais, éticas e sociais.

Pr. Guedes

domingo, 28 de outubro de 2012

VEJAM AS IGREJAS QUE ESTÃO MORRENDO


“Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, mas estás morto. Sê vigilante e confirma o restante que estava para morrer, porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus”.

O texto acima faz parte da carta dirigida ao anjo da igreja, o pastor da igreja de Sardes. Entende-se na leitura das cartas dirigidas às igrejas da Ásia que o conteúdo estende-se à membresia e ao estado da congregação. Assim como a igreja de Sardes tem muita igreja, em nossos dias, que vive apenas de fachada e de marketing e mídia. Pensando nisso, comecei a avaliar o que pode levar uma igreja a adoecer e morrer. Tentei reproduzir aqui o perfil de uma igreja moribunda ou morta e de uma liderança sem vida.

Para nossa reflexão: Que carta o Senhor Jesus escreveria para nossas igrejas hoje ou para as lideranças que aí estão?

Perfil das Igrejas que Estão Morrendo.

Igrejas que reduzem o tempo destinado à exposição da Palavra e trocam a Palavra por teatros, jograis e coreografias;
Igrejas que enfatizam o louvor em detrimento do ensino e desprezam a centralidade da Mensagem da Cruz;
Igrejas que acolhem a teologia da prosperidade e empobrecem espiritual e doutrinariamente;
Igrejas que dão ênfase exagerada aos dons espirituais em detrimento da reflexão teológica;
Igrejas (ditas cristãs) que negam a Trindade como rezam as Escrituras Sagradas;
Igrejas que perderam o compromisso com o Evangelismo e Missão;
Igrejas cujo amor pelas almas foi suplantado pelo amor aos cargos eclesiásticos e políticos;
Igrejas cujo sentimento de doação ao próximo, foi sepultado pelo compromisso com seu próprio ego, visão ministerial e projetos;
Igrejas que trocaram a vida piedosa de oração pela agenda de inúmeras festas, algumas de caráter judaico, como se fossem judeus ortodoxos;
Igrejas que perderam o compromisso com a adoração e a consagração de seus membros em nome de uma liturgia oca de significado, vazia, sem base bíblica;
Igrejas que dizem possuir ministérios criativos, mas desprezam o dinamismo do Espírito explícito nas páginas do Livro Sagrado;
Igrejas que optam pelos pobres em nome de uma teologia que alega lutar pela igualdade e inclusão social, mas que, se preciso for, pega em armas para derramar sangue em nome da justiça;
Igrejas que optam pelos ricos, visando os altos e gordos dízimos, para em nome de Deus construir catedrais, onde o ofertante pobre fica em pé ou assenta-se nos últimos bancos;
Igrejas que defendem o casamento entre homossexuais e o aborto;
Igrejas que defendem o homossexualismo no sacerdócio;
Igrejas que tratam o pobre de “irmãozinho” e o rico de “doutor”;
Igrejas que têm opção preferencial pelos formados, políticos e celebridades;
Igrejas que defendem a frouxidão moral frente ao pecado e alargam a porta que Cristo declarou estreita;
Igrejas que sob pretexto de contextualização, mundanizam-se e, nem evangelizam e nem se contextualizam de fato, mas perdem seus membros para as práticas mundanizantes;
Igrejas que priorizam o caixa e não o altar;
Igrejas que pregam liberdade, mas encontram-se presas a escândalos;
Igrejas que escondem suas mazelas nos porões da história da denominação;
Igrejas que fracassam na ação espiritual, social e doutrinária, porque trocaram a visão de seus pioneiros;
Igrejas que vivem de novas “unções”, tais quais: unção da conquista, unção de ousadia, unção da multiplicação;
Igrejas que aumentam em número e diminuem em calor humano;
Igrejas que crescem em patrimônio, mas decrescem em Graça;
Igrejas que avolumam propriedades, mas perdem a essência de ser Igreja;
Igrejas que trocam a Palavra Escrita pela “palavra confessada”;
Igrejas que pregam cura, mas são doentes doutrinariamente;
Igrejas que têm destacada expressão na mídia, mas são omissas na práxis;
Igrejas que defendem a ortodoxia, mas mentem na ortopraxia;
Igrejas cuja liderança visa lucro e não o bem estar espiritual do rebanho;
Igrejas cujos pastores visam a permanência perpétua no poder;
Igrejas cujos líderes promovem os parentes e perseguem e matam os profetas;
Igrejas cujos obreiros descobrem no ministério uma fonte de lucro e desprezam “as mesas”, isto é, o serviço aos santos.

Graças a Deus que mesmo em Sardes ainda há gente comprometida com o Reino e que guardaram as suas vestes sem mancha e que andarão de branco, porquanto são dignas disso.

“Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes e comigo andarão de branco, porquanto são dignas disso. O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

terça-feira, 31 de julho de 2012

URGENTE: NOSSAS IGREJAS PRECISAM DE REFORMA HOJE



Como está difícil ser igreja nesses últimos dias! As igrejas antigas e conservadoras, salvas raras exceções, estão envolvidas em políticas sujas; as novas lideranças, por sua vez, são liberais e vivem descomprometidas com a sã doutrina e com o Reino de Deus. Os pregadores do passado, que antes tinham nome e eram instrumentos para trazerem um avivamento, estão caídos ou desfaleceram suas forças por causa do cansaço e velhice. Os pregadores do presente, longe do valor e da coragem de nossos pais, são presunçosos e arrogantes, vivendo como lobos devoradores, visando somente a gordura e a lã do rebanho. Estes, antes mesmo de terem uma experiência marcante e salvífica com Deus têm a visão do lucro, com ganhos exorbitantes em nome de teologias erradas, como da falsa teologia da prosperidade, por exemplo. Não se fazem mais pregadores como antigamente, não se fala mais na Cruz de Cristo e nem na "loucura" de sua mensagem .

Sou pentecostal e vejo com tristeza igrejas morrendo por não defenderem uma doutrina pentecostal genuína, legítima, bíblica, clara e nem pregarem a grandeza da realidade espiritual chamada Batismo com o Espírito Santo. Não se fazem mais seminários sobre os dons espirituais. Lamentável, mas parece que os eclesiólogos que desdenham do pentecostalismo estão certos. Eles apostam em um mundo sem pentecostalismo e já escrevem acerca de como será o mundo sem o movimento pentecostal.

E nós, o que estamos fazendo para mudar? Investimos em festas, em cds para serem vendidos, em livros para arrecadarmos dinheiro, em camisetas, shows com cantores gospels, pregadores renomados - que levam gordas ofertas - e abusamos de slogans puramente materialistas e seculares para despertar sorrateiramente "o poder da fé" - ou seria poder da mente? -  e o potencial humano que existe dentro de cada um.

Sou de um tempo em que quando nos reuníamos para realizar uma cruzada, discutíamos o alcance das almas. Nossas metas eram vidas e quantas mais almas salvas melhor. Contudo, já ouvi em uma reunião de líderes de jovens acerca de quanto poderiam arrecadar alugando barracas para os novos "vendilhões do templo". Temos líderes gananciosos, carismáticos como os comediantes aqui do Ceará, mas de fazerem inveja a Al Caponne, quanto à volúpia por domínio de poder: lobos vorazes que enganam o povo de Deus.

O Espírito Santo está sendo convidado a se retirar de nossas igrejas e aos poucos estamos aprendendo a realizar cultos sem sua "intromissão". Para quê inspiração se o povo quer ouvir sobre prosperidade? Cá pra nós, para pregar esse tipo de mensagem, sobre prosperidade, não precisa de graça de Deus: é só decorar uma meia-dúzia de versículos de textos sugestivos, mexer com o sensacional, o emocional do povo e dizer que Deus vai abrir uma porta e mudar sua vida.

Urge a necessidade de uma mudança que nasça no meio do povo, nas igrejas, que seja nos blogs, no twitter ou na liberdade que se verifica nas mídias, onde crentes, outrora sem voz nas igrejas, sejam ouvidos agora; mudança que passe pela membresia e atinja as lideranças insanas por dinheiro e poder e que chegue ao povo para uma renovação eclesiológica-litúrgica-administrativa; mudanças nas mensagens, que precisam parar de falar em cifras e falar na Cruz, deixar de lado o sensacionalismo e mostrar o poder real da Palavra de convencer  e salvar vidas. Os mensageiros da prosperidade estão condenados ao fracasso como pregadores porque as mensagens deles estão dissociadas da Cruz de Cristo. São lobos devoradores, vorazes, famintos, desavergonhados. Todos os dias os verdadeiros homens de Deus, ainda que simples e poucos, desmascaram os larápios da fé. Ainda assim os mercadores da fé pregam cotidianamente suas mentiras como se fossem verdades, tendo as mentes cauterizadas, enganando e sendo enganados. Eles terão suas recompensas.

Creio que uma mudança está a caminho e como já aconteceu muitas vezes na história da igreja, um novo movimento de moralidade está para eclodir.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

VINTE VERSÍCULOS QUE PROVAM QUE A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE ESTÁ CERTA


Por André Sanchez
Todos sabem que existem vários versículos que provam veementemente que a teologia da prosperidade está correta. Fiz uma pequena coletânea entre os milhares versos que existem e trouxe a vocês os 20 mais importantes.
1- “Deus quer te abençoar, mas se você não ofertar, Ele não terá poder de fazer isso por você” (II Heresias 3. 16)
2 – “Você pode desonrar seu pai e sua mãe e até deixá-los passar necessidades, mas nunca seu apóstolo” (I Apostolicensses 1.1)
3 – “A oferta é a alavanca que move a mão de Deus a seu favor” (1 Cretinices 4. 3)
4 – “A fé sem ofertas é morta” ( 1 Dólar 1. 8)
5 – “E Jesus entrou em Jerusalém montando seu jumentinho de dez mil talentos” (Juao 15. 23)
6 – “Disse o apóstolo, cheio do espírito, a todos que o ouviam: Minha conta corrente é 1.000/07” (II Conta Corrente 1. 71)
7 – “Assim que a oferta entrar na conta corrente deus dirá ao anjo Money: Destranque as janelas do céu e prenda o devorador na casinha” ( II Malaquias 3.15)
8 – “É com a semente que sai da sua carteira que a obra de deus é realizada na terra” ( I Heresias 2. 8)
9 – “Participe das campanhas de vitória financeira e Deus tirará dos ricos e dará a você” (1 Robin Hood 2. 3)
10 – “E alguns paulistanos foram mais nobres que os de Boraceia, pois semearam nesse ministério em dólar.” ( 1 Tio Patinhas 1. 7)
11 – “deus quer te dar a melhor roupa, o melhor carro, a melhor casa… só não te deu ainda porque você não tem determinado isso a ele com fé” (Absurdicensses 1. 25)
12 – “Assim ordenou também o senhor que os que pregam o evangelho que fiquem ricos com o evangelho” ( I Falácia 1. 1)
13 – “Primiciar é mover a mão de Deus a seu favor e a favor dos donos da igreja” ( I Primicias 1. 1)
14 -“Confia no senhor, dê sua oferta, faça sacrifícios financeiros e os seus desígnios serão estabelecidos” (Absurdicensses 8. 32)
15 – “E Gesuis encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; parabenizou-os pelas boas vendas que faziam, porém, expulsou os que ali oravam e quebrantavam seus corações, mas não ofertavam e nem compravam nada, bem como todo pobre que ali estava, e disse-lhes: A casa me meu pai é casa de negócio e não um covil de doentes e pobres!” (Indireticensses 2. 8)
16 – “É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que entrar alguém que não oferta, que não primicia, que não faz sacrifícios financeiros, nas igrejas da teologia da prosperidade” ( Sofismas 3. 12)
17 – “Porque o amor do dinheiro é a raiz de todas as bênçãos” ( 1 Mamon 1. 1)
18 – “Sacrifícios agradáveis a deus são os dízimos e as ofertas; coração que determina e exige, não os desprezarás, ó deus” (Salmos de Mamon 119. 3)
19 – “O maior mandamento é: Amarás a Mamon, teu deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. O segundo, semelhante a este, é: Honre e oferte aos seus líderes como a ti mesmo” ( 2 Leis de Mamon 2. 15)
20 – “Pelas suas ofertas o conhecereis. Pode, acaso, de um coração cheio de fé e do espírito, sair uma oferta pequena? (Apolion 15. 12)
E agora, sob o ponto de vista desses versículos, concorda que a teologia da prosperidade está certa?
Fonte: http://www.esbocandoideias.com/2012/07/20-versiculos-que-provam-que-a-teologia-da-prosperidade-esta-certa.html#ixzz20WKwjE5R 

terça-feira, 8 de maio de 2012

ENTRE A CRUZ E O VIOLÃO - A TEOLOGIA DO VIOLÃO VERSUS A TEOLOGIA BÍBLICO-PASTORAL.



Texto do Professor Luiz Carlos Ramos da Universidade Metodista. Apesar de escrito há cerca de 15 anos, ainda continua muito atual. Boa leitura a todos.

ENTRE A CRUZ E O VIOLÃO – A Teologia do Violão Versus a Teologia Bíblico-Pastoral

Por Luiz Carlos Ramos

– Sr. Bispo, precisamos de um novo pastor!
– Há um pastor disponível. É muito estudioso e dedicado.
– Ele toca violão?
– Não, parece que não.
– Que pena... nós precisamos de um que saiba tocar violão...
Nos meus 21 anos de ministério, do outro lado do laicato, tenho presenciado inúmeras reedições do diálogo acima. Raramente, no processo de escolha do pastor, uma comunidade se interessa pela qualidade da biblioteca deste, por sua firmeza doutrinária ou suas raízes na tradição eclesiástica que abraçou.
Não obstante, se o pastor candidato tem talentos musicais (ou pelo menos consegue conduzir satisfatoriamente uma sessão de cânticos) terá maiores chances de encontrar emprego e remuneração diferenciados. Não há dúvida: hoje, mais vale um violão na mão que uma biblioteca teológica de primeira mão.

A IGREJA DA IDADE MÍDIA
Um modelo modernoso de igreja alternativa, viável e rentável, é o do franchise da fé. Trata-se de modelo facilmente identificável facilmente, haja vista a frequência com que aparece nos meios de comunicação de massa, e a habilidade com que neles se move explorando o agressivo marketing apelidado de gospel.

GOSPEL QUE EU GOSTO
O termo gospel utilizado pelas igrejas da idade da mídia não deve ser confundido, nem identificado, com o estilo musical homônimo de origem afro-norte-americana do final do século XIX. Este último nasceu como forma de resistência de uma cultura oprimida que tentava sobreviver sob uma cultura racista, classista, cruel e intolerante. O gospel tupiniquim é a adesão a um anglicismo novelístico que gerou um subdialeto gospel-evangélico bastante elástico que comporta muita coisa no campo musical, que vai do rap ao rock passando pelo pop e com algumas incursões, menos frequentes, nos estilos verde-amarelos do tipo baião, samba, sertanejo e assim por diante. Gospel não é um ritmo ou estilo musical. É uma marca como Coca-cola ou Bombril, com forte apelo comercial.

O NIVELAMENTO POR BAIXO PROMOVIDO PELOS LEIGOS
Com a lacuna cultural da formação do brasileiro, em geral, e a lacuna teológica na catequese do evangélico, em particular, a demanda por esse estilo eclesial e musical cresceu muito. A rigor, tais músicas gospel carecem de valor artístico-estético, bíblico-teológico e litúrgico-pastoral. Mas o exigente público não o é nesses itens. Sua exigência diz respeito não ao sentido da fé, mas à utilidade da religião. Se ela me ajuda na experiência catártica, se ele corresponde aos meus anseios por prosperidade, se ela aplaca minha consciência transferindo minha culpa para um ser demoníaco, e se, ao falar de um Deus vitorioso e guerreiro satisfaz meus desejos de vingança sublimados, então essa é a minha religião ideal.

O NIVELAMENTO POR BAIXO PROMOVIDO PELO CLERO
Os teólogos, por seu turno, deveriam ir um pouco além e identificar na história do dogma e no registro evangélico as muitas vezes frustrantes venturas e desventuras dos seguidores daquele que, quando na terra, não tinha “onde reclinar a cabeça” (Lc. 9.58). Mas explicar o amor aos inimigos, o chorar com os que choram, o sofrimento por causa de Cristo, a cruz que cada discípulo tem de tomar para segui-lo e sua opção pelos pobres e marginalizados, é realmente bem mais complicado. É aí que muitos “teólogos” resolvem trocar os compêndios da fé pelos dividendos da mídia. É nessa hora que Barth, Bultmann, Tillich, Lutero, Calvino, Wesley (para não falar em Agostinho, Tomás de Aquino, etc) dão lugar a certos astros gospel de maior ou menor grandeza. Os “teólogos” gospel que se fizeram bispos (sic!), profetas e até apóstolos (à revelia de qualquer convenção eclesial e gramatical) se mostram todos ansiosos em atender aos fiéis consumidores gospel com seus melhores produtos.

OS INTELECTUAIS MAUS COMUNICADORES E OS BONS COMUNICADORES MAUS INTELECTUAIS
Sejamos justos. Tecnicamente, eles são melhores comunicadores que os teólogos de verdade. Embora tenham péssimo conteúdo, têm a embalagem certa para o gosto médio da massa religiosa brasileira. Por outro lado, para que serve um conteúdo de primeira linha numa embalagem inaceitável? O grande desafio aos teólogos de verdade é conseguirem oferecer seu excelente conteúdo numa embalagem mais atrativa. Se o público compra tanta coisa ruim pela embalagem, seria possível usá-la (a embalagem) para “vender” coisa boa? Se o “meio é a mensagem”, não temos muitas opções. A ética não nos permitiria utilizar certas embalagens. Mas talvez haja uma faixa de tolerância e seja possível achar um meio para a mensagem e uma mensagem para o meio, que correspondam aos valores do Reino. Se isso não for possível, é melhor aproveitar a Rádio Gospel e anunciar: “Vende-se biblioteca teológica de primeira mão (aceita-se violão como parte do pagamento).”

Publicado em Mosaico – Apoio Pastoral. São Bernardo do Campo: Faculdade de Teologia da Igreja Metodista – Centro de Teologia e Filosofia da UMESP, Ano V, no 4, Agosto /Setembro de 1997, p. 16.

Também disponível em: http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1798

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

terça-feira, 3 de abril de 2012

OS TELE-EVANGELISTAS, OS CAVALEIROS DO APOCALIPSE E A POBREZA NA BLOGOSFERA



Recebi um email de um Amigo, lamentando o empobrecimento dos temas e assuntos em nossos blogs evangélicos. Confesso que também tenho estado triste e desanimado com a falta de conteúdo em muitas matérias de nosso espaço na blogosfera. Estamos sofrendo há anos, desde as polêmicas da eleição da Presidenta Dilma e do arrefecimento das questões homo afetivas e kit gay, de uma escassez e de um esvaziamento de temas, proposições e significados nunca visto. Penso que isso tem a ver com os reflexos dessa onda de espetacularização do evangelho promovido pelos espalhafatosos tele-evangelistas, que já estão sendo chamados de os "quatro cavaleiros do apocalipse", anunciando a (falsa) paz, porém, trazendo guerra na mídia e nas igrejas, morte à sã doutrina e escassez da palavra. Os escândalos, sempre oriundos dos mesmos e de forma crescente, têm funcionado como anestésico, causando ausência de consciência e falta de sensibilidade no meio do povo de Deus.

A pobreza da blogosfera bem pode ser fruto do que se vê e ouve nos púlpitos de muitas igrejas hoje. Mensagens secularizadas, eivadas de Psicologia, Sociologia, Antropologia, Filosofia, Teologias e pouco, muito pouco espaço para a Mensagem da Cruz. Nessas igrejas não se fala do Calvário, do Sangue, da Morte Expiatória, da Vitória Sobre a Morte, da Ressurreição Gloriosa de Jesus, da Promessa de Sua Vinda. A Cristologia é rala, superficial, sob a defesa somente de Jesus é o Senhor, não se interessando por questões que aprofundem esse senhorio. Não se cogita a Doutrina da Salvação: Arrependimento, Conversão, Reconciliação, Justificação, Regeneração, Redenção, Adoção, etc. Não há espaço no contexto litúrgico para instrução acerca da Santificação, da Comunhão ou dos Dons Espirituais. Essas igrejas conhecem somente a linguagem do dinheiro, da prosperidade e da vitória, promovendo um evangelho altamente antropocêntrico e destituído de poder salvífico.

Vivemos de publicar escândalos nos últimos anos e o que isso tem mudado? Parece que nossa fraca voz nunca foi ouvida, posto que essas mega-igrejas, movidas pelo poder midiático e pelo dinheiro, prosperam e a disseminação desse evangelho pobre tem proliferado nos quatro cantos de nosso país.

A exemplo do meu Amigo que escreveu-me, também eu estou lamentando e desanimado. Os senhores que antes "batiam" na Rede Globo de Televisão (e a outras emissoras), estão se associando a ela para "promover" shows gospels. Aqueles que antes condenavam a programação da emissora carioca e denunciavam os adultérios, as mentiras, as traições e corrupção, agora terão que silenciar por causa do dinheiro global que vai alimentar suas contas bancárias e "sustentar" seus já poderosos impérios. Assim, o dinheiro, o poder, a fama, a influência midiática desses senhores vão calando aos poucos as vozes proféticas em nossa nação. Ademais, esses senhores vêm contratando tudo e todos com seus "talentos" para arrebanhar cantores e pregadores para suas equipes. Tendo um ministério centrado neles, reproduzem obreiros segundo a sua imagem e semelhança. Seus ministros são marionetes, que não escapam às manipulações, trejeitos e voz do manipulador ou ventríloquo, que embora, por vezes, não apareça em foco, facilmente se vê "o criador" na imitação de suas "criaturas".

Mas de que adianta falar tudo isso aqui se amanhã explodirá um novo escândalo e a denúncia causará a priori um frenesi espantoso para depois desencadear um sono profundo nos braços de Morfeu ou nos altares de Mamom. Essa teologia é alienante e marginaliza seus seguidores, todavia, os cristãos incautos dão cada vez mais ouvidos "aos cavaleiros" do evangelho que, prometendo paz, fazem guerra, trazem fome, escassez e morte.

Os verdadeiros cristãos deveriam se unir contra isso que aí está, envergonhando o sacrossanto evangelho de Jesus e denunciar os horrores e males que esses senhores têm trazido para o meio evangélico. Essa teologia é abominável aos olhos de Deus e tem afastado muitos do Caminho do Senhor. Pastores são chamados de ladrões nas ruas e nas praças públicas por causa desses senhores e por causa deles está cada vez mais difícil convencer as pessoas sobre a Verdade do Evangelho. Se bem que estou me convencendo de que Karl Barth tinha razão ao dizer que o evangelho é a sua própria defesa, mas isso é assunto para outro dia.

E nós, editores de blogs, deveríamos buscar outros caminhos, outras alternativas, outras linguagens, outras figuras e temas que enriqueçam nosso já solapado espaço. Será que não estamos dando ibope demais a esses nomes que envergonham a Igreja? Que Deus tenha misericórdia e nos dê ânimo para continuar na lida.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O EVANGELHO DOS ESCÂNDALOS



O mundo evangélico foi tomado de assalto mais uma vez nesse domingo último. Ao chegarem dos cultos em suas casas e ao ligarem seus aparelhos de televisão, os crentes se depararam com o último escândalo envolvendo lideranças. Como se não bastasse o que já se sabe por trás dos bastidores sobre os promulgadores da falsa teologia da prosperidade, agora os supostos líderes, as supostas novas vozes do cristianismo brasileiro hodierno, estão se digladiando em público.

Ao assistir a matéria do programa Domingo Espetacular, da Rede Record, acerca do patrimônio do "apóstolo" Valdemiro Santiago, matéria essa anunciada, apresentada e reprisada na Record News, fiquei com um travo de amargura e de tristeza na alma. Helicópteros e automóveis em ação, em uma verdadeira caça ao inimigo. O que foi ao ar não passou de uma investigação minuciosa da Rede Record de Televisão, muito provavelmente a mando do Sr. Edir Macedo, para denegrir a imagem de seu novo desafeto no mundo religioso. Ficou claro, ao menos para mim, que esses homens estão dispostos a destruir quem quer que seja que atravesse seus caminhos. Não faz muito tempo o bispo entrevistou uma pessoa dizendo-se possuída por um espírito para denunciar que o apóstolo do chapéu curava pelos demônios e chorava de mentira, movido pelos mesmos espíritos. Edir Macedo joga sujo e baixo. Outro dia disse que as línguas estranhas dos pentecostais eram línguas de demônios e que 99% dos cantores evangélicos são endemoninhados. Parece que de demônios ele entende bem. Ora, o Sr. Valdemiro não é um exemplo de homem ético a ser seguido, dado o que fez com um tele-evangelista, ao pagar o dobro do que se pagava em determinada emissora somente para "tomar" o lugar do outro. Outro dia o apóstolo afirmou que o bispo paga os atores das novelas da Record com o dinheiro da igreja. Ontem a mesma TV do bispo afirmou que o apóstolo comprara as fazendas com o dinheiro dos fiéis. O Sr. Edir...Bem, esse todos conhecem e sabem do que ele é capaz.

O Sr. Waldemiro trabalhava para o bispo e para não ficar por baixo, revelando que queria ser maior que seu ex-chefe, abriu uma igreja e deu a si mesmo o título de apóstolo, maior que bispo. Coincidência ou não o suposto apóstolo começou a usar um chapelão ao melhor estilo cowboy, o que justifica sua aspiração pelo campo. O homem que se diz apóstolo fez o caminho inverso de Amós e está investindo em terras e em gado. Am. 7.14,15: "E respondeu Amós, e disse a Amazias: Eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boieiro, e cultivador de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de após o gado, e o Senhor me disse: Vai, profetiza ao meu povo Israel" Julgo que as terras de Amós eram menores que os 26 mil hectares do cowboy brasileiro e sua fortuna menor que os 50 milhões de reais apresentada na investigação, ops, matéria.

O que chama a atenção é a forma como eles tratam de seus próprios escândalos. Trazem à tona e publicam na TV, transmitindo em cadeia nacional, expondo a imagem da igreja que deveria ser preservada, digo, igreja de Cristo. A Record usou o mesmo veneno da Rede Globo anos atrás e abusou de repetir frases do repórter sensacionalista, aquele conhecido pela voz meio rouca que denuncia crimes bárbaros, hediondos.

A Rede Record de Televisão e o Sr. Edir Macedo que ponham as barbas de molho. A Receita Federal vai investigar ambas as igrejas e vai sobrar para quem tem rabo preso. Quem teria maior patrimônio? Waldemiro Santiago ou Edir Macedo? De onde teria vindo dinheiro para comprar a Record? E os Mega-Templos? E quem estaria bancando a construção do "Templo de Salomão"?  Outra questão levantada era se compras de fazendas e de gado teria algum ligação com o mundo religioso ou espiritual. Pergunto e a Rede Record hoje serve a quem? Atenção senhores supostos pastores, que fazem as coisas às escondidas: a casa vai cair. Vai sobrar para todo mundo. Eu torço para que isso aconteça logo.

A Igreja Brasileira está cansada de escândalos. Esses homens plantaram disputas pessoais, inveja, ódio e fizeram de suas igrejas fontes de arrecadação. Nada mais justo que agora colham o fruto de seus  insanos projetos. Isso não tem nada a ver com o Evangelho de Jesus Cristo. Isso não tem nada a ver com o Cristianismo. Envergonham os verdadeiros cristãos e enlameiam as lideranças sérias e comprometidas com o Reino. Pregam um "evangelho" que enche somente seus próprios bolsos.

Precisamos de uma reforma hoje. Entendo que a solução seria a união dos verdadeiros homens de Deus, que estão a frente de ministérios sérios em todo o Brasil,  se assentarem em um única mesa para promoverem uma nova ordem na igreja brasileira. Moralidade já! Prisão para os vendilhões dos templos! Nós, igreja, não suportamos mais essa situação. Por causa desses senhores as pessoas estão se afastando das igrejas e está cada vez mais difícil pregar o evangelho e ganharmos almas para o Reino de Deus. O homem comum que gosta de generalizar, põe-nos no mesmo nível desses líderes escandalosos. Estou cansado de denunciar. Precisamos fazer alguma coisa na prática e urgente.

Proponho aos homens sérios, aos blogueiros e a todos os cristãos desse país que se faça uma campanha a nível nacional para desmontar essa estrutura de poder que se instalou em nosso meio. Como? Pregando a Verdade e não se cansando de denunciar a operação do erro nas igrejas. Chegou a hora do juízo começar pela casa de Deus. Para termos ideia do que estamos falando: o bispo defende abertamente o aborto provocado e o apóstolo afirma que Jesus não é sempiterno, mas foi criado em determinado ponto da história. Esses argumentos já seriam suficientes para levantarmos uma bandeira contra essa bandalheira que aí está. Despertemos! Se nós não o fizermos, quem o fará? Os políticos evangélicos, como o Sr. Crivela, por exemplo, ou o Sr. Marco Feliciano, ou o Sr. Rodovalho. Ora, ora, quem conhece Brasília sabe que a Reforma não virá de lá.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.