Mapa apontando o domínio mercantilista no continente africano |
A MALDIÇÃO SOBRE CANAÃ
Gn. 10.6: E os filhos de Cão são: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã.
Gn. 10.15-19: E Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete; e ao jebuseu, ao amorreu, ao girgaseu, e ao heveu, ao arqueu, ao sineu, e ao arvadeu, ao zemareu, e ao hamateu, e depois se espalharam as famílias dos cananeus. E foi o termo dos cananeus desde Sidom, indo para Gerar, até Gaza; indo para Sodoma e Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa.
Prezados Amigos e Irmãos, dada a repercussão da fala do nobre deputado Marcos Feliciano e sua teologia ultrapassada, não dele propriamente, mas uma teologia que recebeu, comprometida com os grandes impérios e reinos do passado, e que durante séculos foi usada para explicar os abusos do mercantilismo e justificar a tirania dos povos europeus sobre as nações africanas, resolvi publicar esse estudo e pormenorizar alguns aspectos esquecidos pelos hermeneutas que seguem a linha felicianista.
Há muitas interpretações acerca do por que da maldição de Noé sobre o seu neto Canaã e dentre elas há a sugestão de que ele foi amaldiçoado por conta de um ato homossexual de seu pai Cam. Todavia, não vejo base escriturística para isso, portanto, gostaria de começar discorrendo sobre o fato de Noé não poder amaldiçoar o próprio filho. Diz a Bíblia que, ao saírem da arca, Deus abençoou os que foram salvos: “E abençoou Deus a Noé e seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra” (Gn. 9.1), logo, vemos aqui um princípio espiritual que, de acordo com Nm. 23.8 e 20 (“Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa? E como denunciarei, quando o SENHOR não denuncia? Eis que recebi mandado de abençoar; pois ele tem abençoado, e eu não posso revogar”), entendemos, por inferência, que Noé também não poderia amaldiçoar Cam. E o que dizer de Genesis 12.2,3 “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
Vemos dentro desse contexto que quando as Escrituras versam sobre a maldição de Canaã, estão preocupadas em justificar, dentro de um processo histórico, o juízo de Deus sobre os povos que habitavam a Palestina naqueles dias. Vejamos o que Deus diz a Abraão em Gn. 15.13-16: “Então disse a Abrão: Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos, mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza. E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado. E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia” (Almeida Revista e Corrigida Fiel). Uma geração, dada a longevidade dos contemporâneos de Abraão, correspondia a cem anos. O pai da fé viveu entre 2000 e 1900 e a quarta geração depois dele aponta para os dias do nascimento de Moisés (1520 a .C. seguindo a genealogia do Bispo James Usher) e de Josué e Calebe. Depois de servir aos faraós por 400 anos (quatro gerações) Israel deixa o Egito. Na realidade temos aqui um aspecto da paciência e longanimidade de Deus para com esses povos, dando tempo para seu arrependimento. Alguém poderia perguntar: “Como Deus pode ter sido longânimo para com esses povos se Ele não tinha nenhuma testemunha entre os cananeus para admoestá-los?” A resposta é que Deus tinha sim. Havia um sacerdote chamado Melquisedeque, na verdade um rei, um rei-sacerdote, figura enigmática, sem genealogia (segundo o autor aos Hebreus e que representa um tipo do Senhor Jesus) que quando Abraão venceu uma batalha para libertar seu sobrinho Ló, foi ao seu encontro levando pão e vinho para celebrar a vida e a justiça.
Quando os filhos de Israel tomaram Canaã, além de Deus cumprir a promessa aos patriarcas, estava também julgando o povo cananeu e seus descendentes que habitavam a terra prometida (hoje Palestina) por todos seus atos e cultos desumanos que praticaram durante séculos sem demonstrar arrependimento ou conversão ao Deus de seus pais, seus antepassados, apesar do efetivo sacerdócio de Melquisedeque, personagem histórico.
A arqueologia comprova que a destruição de Jericó e de outros termos dos reinos que Josué venceu foram resultado de uma grande investida militar sem precedentes nessa região. Teólogos defendem que o modo como a geração de Josué e Calebe e seus exércitos devastaram a terra de Canaã só pode ter sido fruto de um juízo divino anunciado.
Portanto, dizer que o acontece na África é fruto da maldição de Noé sobre seu neto Canaã, é desconhecer a geografia antiga e a história recente quando ingleses e franceses, portugueses e holandeses extraíram as riquezas minerais desse continente e os submeteram à servidão, impondo mão de obra escrava, inclusive vendendo seus habitantes como moeda de troca, sem fornecerem a menor infra-estrutura para que evoluíssem como povo ou nação. Sequer ofereceram uma religião que os tirassem do animismo, da feitiçaria, da bruxaria, etc., e desse a eles um mínimo de dignidade, deixando o continente abandonado, pobre e vilipendiado. A maldição sobre os africanos se estabeleceu pelo abuso de poder dos países europeus (ditos cristãos) que para aumentar seus territórios e implantar o Estado Moderno, sobretaxou as colônias e negaram a elas um mínimo de infra-estrutura, levando suas riquezas e deixando-os cada vez mais pobres.
Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.


