sexta-feira, 5 de novembro de 2010

ANGELOLOGIA: NATUREZA E CARÁTER DOS ANJOS

Anjo esculpido em pedra, segurando um relógio de sol. Catedral de Charthes, França.

Dando continuidade ao estudo sobre angelologia, vamos postar hoje artigo falando sobre a natureza dos anjos do ponto de vista bíblico:

Os anjos e sua natureza

a) Seres Criados (Sl. 33.6; 148.2,5; Ne. 9.6)
- Foi Deus quem criou os anjos (Cl. 1.16)
- Antes da criação do mundo (Jó. 38. 6,7)
- Sendo eles criaturas, recusam adoração (Ap. 19.10; 22.8,9).
- Ao homem é proibido adorá-los (Cl. 2.18). Adoração somente à Trindade.
- Os anjos eleitos são santos (Ap. 14.10; Mt. 25.31; At 10.22).

b) Seres Pessoais (Sl. 103.20,21)
- Os anjos possuem intelecto.
- Os anjos possuem sentimento.
- Os anjos são capazes de tomar decisões.

c) Seres Morais (Ef. 2.20)
- Uma vez que a Bíblia nos informa sobre anjos que pecaram, somos informados também que se trata de criaturas dotadas de capacidade moral.

d) Seres Espirituais (Hb. 1.13,14)
- Têm poder de assumir a forma de corpos humanos, a fim de tornar visível a sua presença (Gn 19. 1-3).
- Não há obstáculos físicos (paredes, portas, etc.) para sua locomoção.

e) Seres Imortais (Lc. 20.34-36).
- Temos na passagem acima, que os anjos jamais morrem.
- Em Hb 2.9, lemos que o Senhor Jesus foi feito pouco menor que os anjos “... por causa da paixão da morte”.

f) Seres Assexuados (Mt. 22.30).
- Não possuem sexo, não se casam nem se procriam segundo a sua espécie (Lc 20.34-36).
- Não se distinguem em macho ou fêmea como os homens, porque na criação dos anjos, Deus não tencionava que eles procriassem.
- Não obstante sejam assexuados, os anjos são apresentados na Bíblia com perfil varonil, isto é, de varão, semelhante a um homem.

g) Seres Numerosos (Ap. 5.11; Mt. 26.53; Lc. 2.13e14).
- A Bíblia declara que são “milhares de milhares” - “multidões dos exércitos celestiais”, “muitos milhares de anjos” (Dn. 7.10; Ap. 5.11; Hb. 12.22).
- São incontáveis na ótica humana, assim como as estrelas no céu, mas Deus os conhece cada um por seu nome (Ex. Gabriel e Miguel).
- Sua quantidade não muda nunca, porque não procriam e não morrem. Deus os criou de uma vez, pelo poder de sua palavra, “... pois mandou e logo foram criados” (Sl. 148.2-5).

h) Seres velozes (Dn. 9.21).
               - Mas não são onipresentes. Temos razões para crermos que os anjos se locomovem a uma velocidade superior à velocidade da luz,  ou seja,  300.000 km/s (Mt. 26.53).

i) Seres Poderosos (II Pe. 2.11; Sl. 103.20).
- Descem em meio ao fogo e não se queimam (Jz. 13.19,20).
- Um só anjo matou 185.000 soldados (Is. 37.35;  II Rs. 19.35).
- Um só anjo destruiu Sodoma e Gomorra (Gn. 19).
- Um só anjo removeu a pedra do sepulcro de Jesus. (Mt. 28.2)
- Todavia seus poderes são limitados por Deus. (II Sm. 24.16;  Ap. 18.21)
- São “magníficos em poder” (Sl. 103.20).
- Mais poderosos que os homens (II Pe. 2.11).

j) Seres Gloriosos (Lc. 9.26).
              - Os anjos são seres dotados de dignidade e glória sobre-humanos. Lemos em Ap. 18.1 de um anjo “que tinha grande poder e a terra foi iluminada com sua glória”.

l) Seres Inteligentes (II Sm. 14.17).
- Mas a sabedoria dos anjos é finita, somente Deus tem a onisciência.
- Os anjos não podem com sua sabedoria discernir nossos pensamentos (I Rs. 8.39).
- Só Cristo pode (Lc 6.6-8) - e a Palavra tem esse poder (Hb. 4.12).
- Os anjos não sabem o dia da volta de Jesus (Mt. 24.36), mas estão ansiosos, pois eles acompanham a Cristo no dia da sua volta para o arrebatamento (Mt. 16.27; Mc. 8.38; I Ts. 4.16).

Os anjos e seu caráter

a) Obedientes (Sl. 103.20).
- Os anjos cumprem suas obrigações com total obediência a Deus.

b) Reverentes (Ne. 9.6).
              - Em Is. 6.2 os serafins cobriam os olhos para não olharem a face de Deus.

c) Sábios (II Sm. 14.17).
              - Mas não são oniscientes e não conseguem penetrar na mente humana.  

d) Mansos (II Pe. 2.11;  Jd. 9).
- Os anjos não se contaminam com ressentimentos pessoais.

e) A Bíblia os descreve como “santos anjos” (Ap. 14.10).
              - Todavia, não são santos como é o Senhor, trata-se de santificação adquirida pela fidelidade durante o tempo da provação. Os anjos foram aperfeiçoados em santidade. Deus não, Ele é Santo por natureza.


Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoa a todos.

domingo, 31 de outubro de 2010

ANGELOLOGIA PARTE I - A EXISTÊNCIA DOS ANJOS


Obra: Padre Eterno. Deus rodeado de anjos. Séc. XVI, 1a. metade.



A EXISTÊNCIA DOS ANJOS


Quando estudamos as Doutrinas Bíblicas, é natural surgir uma pergunta: Dentro do Plano de Deus e sua criação, qual ou quais foram as primeiras ações de Deus?  Ou podemos questionar também: houve alguma outra ação de Deus antes que Ele criasse o mundo e o homem? (usamos a expressão “primeira” porque estamos considerando o tempo como linear).
A resposta que a Bíblia nos apresenta é que, antes que Deus criasse o mundo e todas as coisas, Ele criou alguns seres, dotados de grande inteligência, força e formosura, a quem a Bíblia chama de anjos (Jó 38.6,7). A escola de Alexandria, que adotava o modo de interpretação alegórico, via em Gn. 1.1, a criação dos céus como sendo a criação das coisas espirituais. Isto é, as criaturas espirituais teriam antecedido as corpóreas e físicas. Assim, quando diz “no princípio criou Deus os céus”, está se referindo aos seres celestiais, e quando diz “e a terra”, está fazendo referência ao mundo físico.
Nosso interesse em estudar a Doutrina dos Anjos é porque estamos interessados em conhecer toda a revelação que Deus nos concedeu através de sua Palavra.
A existência dos anjos na Bíblia pode ser constatada em ambos os testamentos. Eles aparecem como “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb. 1.14).

PODEMOS ESCLARECER A ORDEM DA CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS DA SEGUINTE MANEIRA:

- ANTES DE TODAS AS COISAS – DEUS, O CRIADOR;
(PERFEITO EM SI MESMO, CONTEMPLAVA-SE A SI MESMO, MAS CHEIO DE AMOR, QUIS ESTENDER SEU AMOR, JUSTIÇA, SANTIDADE E PERFEIÇÃO PARA OUTRAS CRIATURAS).

- PRIMEIRO: O MUNDO ESPIRITUAL – OS SERES CELESTES EM SUAS ORDENS PRÉ-ESTABELECIDAS POR DEUS;

- SEGUNDO: O MUNDO FÍSICO – O UNIVERSO, A TERRA, OS ASTROS, IGUALMENTE PRÉ-ESTABELECIDOS POR DEUS;

- TERCEIRO: A VIDA SOBRE A TERRA – OS SERES VIVOS, (INCLUSIVE, O HOMEM É UM MISTO DE COISAS ESPIRITUAIS, INVISÍVEIS, INCORPÓREAS COM COISAS FÍSICAS, MATERIAIS E CORPÓREAS).


Anjos ( hb.mal’ak  -  gr. angellos ).

               A palavra “anjo” significa “mensageiro”. O termo anjo no sentido literal sugere a idéia de ofício – ofício de mensageiro – e não da natureza do mensageiro. Trata-se de uma palavra usada não apenas para os seres angelicais, mas também para os mensageiros humanos (I Re. 19.2; Lc. 9.52). Foi Jerônimo, na tradução da Vulgata Latina, quem primeiro fez a diferença entre mensageiros humanos e celestiais, usando a expressão “nuntios” para mensageiros humanos. Porém, seu uso, quando se tratando desses seres, indica que eles são enviados sempre como mensageiros, ou, como que designados a cumprir determinada missão.

- É uma verdade revelada na Bíblia (Jo. 1.51);
- A existência dos anjos é ensinada em pelo menos 34 livros da Bíblia;
- A expressão “anjo” (mensageiro) ocorre cerca de 275 vezes nas Escrituras;
- Cristo falou claramente sobre a existência dos anjos (Mt. 18.10; 26.53).

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

sábado, 30 de outubro de 2010

ANGELOLOGIA: DOUTRINA DOS ANJOS - INTRODUÇÃO

Anjo em uma catedral da igreja armênia no Irã
Há em nossos dias um crescente interesse pelo estudo dos anjos no meio cristão, assim como no meio espírita, esotérico, ocultista e nas chamadas religiões de mistério. O movimento New Age (Nova Era) tem encabeçado a lista das religiões interessadas nos anjos e suas atividades: anjo protetor, anjo da guarda, anjo da fortuna, anjo da sorte, entre outros tipos de anjos inimagináveis. Além, claro, das recentes novidades típicas da "teologia" emergente das igrejas neopentecostais, a troca de um anjo fraco por um mais forte. 
                                       
 O ecumenismo, para onde caminham todas as religiões, é uma faceta ou veículo da religião que dominará o mundo nos últimos dias.

Em 13 de outubro de 2002, no caderno “Mais”, o diretor da “Folha de S. Paulo”, Otávio Frias Filho, descreveu a religião de nossos dias e do futuro nos seguintes termos:

“1. Todos os deuses, todas as crenças, todos os sistemas religiosos serão aceitos ao mesmo tempo. Como os antigos romanos, toleraremos todos exatamente por não acreditar a fundo em nenhum deles. 2. Nossa fé se reduziu à crença numa energia cósmica qualquer, uma "força". [...] 4. Gnomos, espíritos, magos, anjos, duendes, demônios – um cortejo de quimeras extintas pela luz elétrica – ressuscitam, assim, no ecletismo da nova religião, a mais relativista que já houve, apta a admitir quaisquer fantasias e ignorar contradições entre elas”.

Em todos os tempos, desde os primórdios das religiões, os anjos exercem verdadeiro fascínio sobre os homens. Um estudo inadequado, sem base bíblica cristã, teológica, ou seja, uma interpretação errônea da natureza e atividade dos anjos poderá, como comprova a história das religiões, levar à fundação de vários movimentos religiosos anticristãos como Mormonismo, Adventismo do Sétimo Dia, Islamismo, Cabala, Espiritismo, etc. Paulo já advertia aos colossences acerca de “culto aos anjos” (Cl. 1.18) e declarou aos gálatas que se “um anjo do céu” anunciasse outro evangelho além do que ele já havia anunciado fosse considerado anátema.

              Poderíamos tecer os mais diversos comentários sobre muitas outras religiões e seitas que por terem uma doutrina errada sobre os anjos, têm uma visão equivocada do Criador. 

Porém, uma correta interpretação e um estudo adequado acerca desses seres espirituais nos levarão a crer em sua existência, entender sua natureza e atividades, e acima de tudo, compreender a sua organização sob o governo de Deus e sua submissão ao Único Senhor nos céus e na terra.

Hebreus 1.4: “Feito mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles”.

Hebreus 1.6: “E quando outra vez introduz no mundo o Primogênito diz: E todos os anjos de Deus o adorem”.

Hebreus 1.13, 14: “E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?”.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

JOELHOS DOBRADOS E OLHOS ABERTOS

O Brasil precisa de nossas orações
Prezados leitores e amigos, o texto abaixo trata-se, na verdade, de um boletim elaborado por mim e pelo Pastor Flauzilino Araújo dos Santos, enviado aos intercessores voluntários do site http://assembleia.org.br/ que consta com mais de 10.000 membros cadastrados e tem cerca de 3.000 visitas diárias. Os intercessores hoje são 346 e gostaria de convidar todos os leitores a conhecerem o site e fazerem parte de nossa equipe, cadastrando-se e orando voluntariamente pelos pedidos de oração que nos chegam. 

Com a proximidade das eleições, achamos por bem enviar aos intercessores e membros cadastrados um forte apelo de oração pela nação brasileira, crendo que Deus está no controle de todas as coisas independente de quem seja eleito presidente para os próximos quatro anos. Segue o texto: 

Amados,

O Brasil está passando por um momento de profundas transformações na área política, com mudanças tanto no Poder Legislativo (Congresso Nacional) como no Poder Executivo (Presidência da República e Ministérios), e que terá reflexos em todas as demais atividades de nossa nação.

As discussões acerca de assuntos que dizem respeito à valorização da vida e da liberdade de expressão religiosa, máxime temas relacionados ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo (casamento gay), urgem e nós como Igreja temos o dever de orar para que os princípios cristãos e bíblicos sejam mantidos em nosso país, bem como condenar e anular tudo quanto se levante contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo (cf. 2 Coríntios 10:5).

É sabido que temos duas cidadanias: a celestial e a terrenal. Como cidadãos do país chamado Brasil, nos orgulham nossa origem, nossos valores e nossa história, e somos convocados a escolher dirigentes que julgarmos serem os de melhor perfil e que tenham programas de governo benéficos para a sociedade, e que não sejam incompatíveis com os valores cristãos. Por outro ângulo, como cidadãos da Pátria Celestial, somos convocados a orar pelo processo eleitoral e pelos Poderes e forças vivas da nação.

A orientação bíblica e a postura cristã é a de interceder junto ao Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo para que o presidente eleito seja temente a Deus e aceite discutir tanto as questões sociais como as religiosas e que valorizam a vida e a liberdade cúltica e litúrgica. Oremos para que Deus dê sabedoria ao Poder Legislativo para criarem leis mais justas e intercedamos pelo chefe do Executivo para que com temor de Deus, dirija o futuro de nosso povo.

Portanto, votemos com a consciência limpa, e oremos para que haja paz para nossa geração e a de nossos filhos, para que haja igualdade, transparência, ética, emprego, habitação, educação e erradicação da pobreza miserável. Intercedamos para que tenhamos continuidade na expansão do Reino e possamos opinar aberta e democraticamente sobre nossa crença e defesa da fé.

Provérbios 29:2 “Quando o justo governa o povo se alegra, mas, quando o ímpio domina, o povo geme.”

Portanto, estejamos de joelhos dobrados e olhos abertos, ou seja, orando e vigiando em todo o tempo.

A Deus seja toda a glória!

FLAUZILINO ARAÚJO DOS SANTOS
FRANCISCO GUEDES MAIA

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

ORAR AINDA É O MELHOR RECURSO DO CRENTE

Imagem de uma figueira seca
( Breve reflexão sobre a oração do profeta Habacuque )

Habacuque: 3:17-19 - "Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas”.

Quando lemos o Livro do Profeta Habacuque, temos a nítida impressão de estarmos diante de um escritor inteligente e ao mesmo tempo sensível. Seu diálogo com Deus nos capítulos 1 e 2 nos faz enxergar um patamar de intimidade com o Divino pouco visto nas Escrituras. Sua postura frente aos pecados de Judá e seu questionamento ante o método usado por Deus para trazer justiça ao seu povo, revelam um caráter moldado pela oração, um ministério envolto no canto e na adoração. O último capítulo é um cântico de louvor e exaltação a Deus por compreender Seu processo para trazer a paz.

Quantas vezes não entendemos o modo de Deus agir e, por vezes, não sabemos o porquê de Ele permitir a doença, o desemprego, a angústia, o problema na vida conjugal e até o desespero frente aos problemas que julgamos insolúveis. Todavia, no diálogo com Deus, ou seja, na oração, Habacuque encontra a resposta para suas dúvidas e questionamentos. À espera de Deus na Torre de Vigia, ele pôde ver o fim do ímpio e do justo, e compreender que Deus é Soberano e que está no controle de todas as coisas. Ainda que não entendamos o processo de Deus, devemos nos colocar em oração em nossa torre e esperar a resposta para nossas causas, pois servimos a um Deus fiel e bondoso.

Portanto ainda que não haja explicação médica convincente e solução para o quadro clínico anunciado, ainda que os problemas se avolumem sobre nossas cabeças nos tirando a paz, ainda que não entendamos o problema da escassez ou a ausência do melhor amigo, ainda que o desemprego bata nossa porta, e o medo do futuro queira nos fazer descrer da Promessa, creremos em NEle e nos colocaremos humildes em oração até que passem as tempestades e as calamidades, e venham os tempos de bonança e refrigério pela resposta de Deus. Ainda que mudem as leis e os tempos, creremos NEle e O exaltaremos por Sua grandeza e bondade (Sl. 46. 2,3; Jó 13.15; Sl. 23.4).

Ainda que a pobreza e a miséria nunca venham a ser erradicadas; ainda que a violência e o grito de suas vítimas sobreponham-se ao louvor das igrejas; ainda que o ímpio governe, decrete leis injustas e persiga a Igreja; ainda que muitas denominações não honrem o nome do cristianismo histórico e blasfemem das doutrinas ortodoxas; ainda que as heresias proliferem no seio do cristianismo hodierno, creremos NEle e exaltaremos o Deus de nossa salvação.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

IGREJAS QUE ESTÃO MORRENDO

“Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, mas estás morto. Sê vigilante e confirma o restante que estava para morrer, porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus”.

O texto acima faz parte da carta dirigida ao anjo da igreja, o pastor da igreja de Sardes. Entende-se na leitura das cartas dirigidas às igrejas da Ásia que o conteúdo estende-se à membresia e ao estado da congregação. Assim como a igreja de Sardes tem muita igreja, em nossos dias, que vive apenas de fachada e de marketing e mídia. Pensando nisso, comecei a avaliar o que pode levar uma igreja a adoecer e morrer. Tentei reproduzir aqui o perfil de uma igreja moribunda ou morta e de uma liderança sem vida.

Para nossa reflexão: Que carta o Senhor Jesus escreveria para nossas igrejas hoje ou para as lideranças que aí estão?

Perfil das Igrejas que Estão Morrendo.

Igrejas que reduzem o tempo destinado à exposição da Palavra e trocam a Palavra por teatros, jograis e coreografias;
Igrejas que enfatizam o louvor em detrimento do ensino e desprezam a centralidade da Mensagem da Cruz;
Igrejas que acolhem a teologia da prosperidade e empobrecem espiritual e doutrinariamente;
Igrejas que dão ênfase exagerada aos dons espirituais em detrimento da reflexão teológica;
Igrejas (ditas cristãs) que negam a Trindade como rezam as Escrituras Sagradas;
Igrejas que perderam o compromisso com o Evangelismo e Missão;
Igrejas cujo amor pelas almas foi suplantado pelo amor aos cargos eclesiásticos e políticos;
Igrejas cujo sentimento de doação ao próximo, foi sepultado pelo compromisso com seu próprio ego, visão ministerial e projetos;
Igrejas que trocaram a vida piedosa de oração pela agenda de inúmeras festas, algumas de caráter judaico, como se fossem judeus ortodoxos;
Igrejas que perderam o compromisso com a adoração e a consagração de seus membros em nome de uma liturgia oca de significado, vazia, sem base bíblica;
Igrejas que dizem possuir ministérios criativos, mas desprezam o dinamismo do Espírito explícito nas páginas do Livro Sagrado;
Igrejas que optam pelos pobres em nome de uma teologia que alega lutar pela igualdade e inclusão social, mas que se preciso for pega em armas para derramar sangue em nome da justiça;
Igrejas que optam pelos ricos, visando os altos e gordos dízimos, para em nome de Deus construir catedrais, onde o ofertante pobre fica em pé ou assenta-se nos últimos bancos;
Igrejas que defendem o casamento entre homossexuais e o aborto;
Igrejas que defendem o homossexualismo no sacerdócio;
Igrejas que tratam o pobre de “irmãozinho” e o rico de “doutor”;
Igrejas que têm opção preferencial pelos formados, políticos e celebridades;
Igrejas que defendem a frouxidão moral frente ao pecado e alargam a porta que Cristo declarou estreita;
Igrejas que sob pretexto de contextualização, mundanizam-se e, nem evangelizam e nem se contextualizam de fato, mas perdem seus membros para as práticas mundanizantes;
Igrejas que priorizam o caixa e não o altar;
Igrejas que pregam liberdade, mas encontram-se presas a escândalos;
Igrejas que escondem suas mazelas nos porões da história da denominação;
Igrejas que fracassam na ação espiritual, social e doutrinária, porque trocaram a visão de seus pioneiros;
Igrejas que vivem de novas “unções”, tais quais: unção da conquista, unção de ousadia, unção da multiplicação;
Igrejas que aumentam em número e diminuem em calor humano;
Igrejas que crescem em patrimônio, mas decrescem em Graça;
Igrejas que avolumam propriedades, mas perdem a essência de ser Igreja;
Igrejas que trocam a Palavra Escrita pela “palavra confessada”;
Igrejas que pregam cura, mas são doentes doutrinariamente;
Igrejas que têm destacada expressão na mídia, mas são omissas na práxis;
Igrejas que defendem a ortodoxia, mas mentem na ortopraxia;
Igrejas cuja liderança visa lucro e não o bem estar espiritual do rebanho;
Igrejas cujos pastores visam a permanência perpétua no poder;
Igrejas cujos líderes promovem os parentes e perseguem e matam os profetas;
Igrejas cujos obreiros descobrem no ministério uma fonte de lucro e desprezam “as mesas”, isto é, o serviço aos santos.

Graças a Deus que mesmo em Sardes ainda há gente comprometida com o Reino e que guardaram as suas vestes sem mancha e que andarão de branco, porquanto são dignas disso.

“Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes e comigo andarão de branco, porquanto são dignas disso. O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

sábado, 18 de setembro de 2010

PACTO DE LAUSANNE (PARTE III)

O equatoriano René Padilha foi um dos expoentes do Pacto de Lausanne.

Aqui encerro as publicações do Pacto. O jornal New York Times avaliou Lausanne I como o maior  encontro cristão dos últimos tempos. Considerado o Vaticano II dos protestantes de tão importante que foi para a história da igreja contemporânea (e ainda o é). Por que a igreja encontra-se tão longe do ideal de Lausanne? Onde teríamos falhado?

11. Educação e liderança
Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiásticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.

12. Conflito espiritual
Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e potestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico. Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. A igreja tem que estar no mundo; o mundo não tem que estar na igreja.

13. Liberdade e perseguição
É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem impedimentos. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que foram injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Não nos esqueçamos de que Jesus nos preveniu de que a perseguição é inevitável.

14. O poder do Espírito Santo
Cremos no poder do Espírito Santo. O pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.

15. O retorno de Cristo
Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a idéia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.

Conclusão
Portanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós. Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto! Amém. Aleluia!

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.