segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A IGREJA E A VIOLÊNCIA NO RIO DE JANEIRO

Quando penso no Rio, a primeira coisa que me vem à mente é o que todo turista vê em abundância e creio que é o que move o turismo dessa linda cidade: as belezas naturais em meio às produções humanas da engenharia e tecnologia moderna. O Corcovado, o Morro da Urca, o Bonde do Teleférico, A Baía da Guanabara, a Ponte Rio-Niterói, o Maracanã, os Arcos da Lapa, as praias de Ipanema, Copacabana, entre outras. A história da “Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil” que um dia foi o coração do meu Brasil, já foi cantada em prosa e em versos pela genialidade da MPB, dizendo que “o Rio de Janeiro continua lindo”. Aquela que já foi capital do nosso Brasil está repleta de referências nos sambas de Noel Rosa, Pixinguinha e personagens que marcaram a trajetória carnavalesca. Chico Buarque de Holanda, escritor e poeta brasileiro, fez uma homenagem à extinta malandragem da Lapa, insinuando que o malandro “até trabalha, mora lá longe e chacoalha num trem da Central”. Mas, não tem como não lembrar o poetinha, Vinícius de Morais, que se encantava e enamorava a “Garota de Ipanema” e por que não fazer menção à “Copacabana”, princesinha do mar, na interpretação de Dick Farney?

Não sou carioca e nunca morei por lá. Tenho amigos e parentes que me dão sempre o prazer de me hospedar em suas casas quando desejo passar férias e rever as maravilhas que lá se encontram. Mas, sei que a violência não é coisa nova no Rio e temo que demore mais do que se espera para acabar. Infelizmente, as notícias que nos chegam, há anos, são de mortes por balas perdidas, traficantes dominando morros e crescimento da marginalidade e violência, inclusive por parte de milícias. Por conta disso, o Rio foi palco de histórias que ganharam o mundo e chamaram atenção do planeta para essa realidade: Cidade de Deus, Tropa de Elite 1 e 2, e outros. A cidade antiga, romântica e poética deu lugar à Metrópole violenta e manchada de sangue, cercada de medo, rodeada de marginais e dominada por governos paralelos. Os cariocas podem falar melhor que eu.

Já a Igreja Evangélica (refiro-me mais à Assembleia de Deus) cresceu no silêncio, sem fazer muito alarde e nunca foi o centro das atenções dos turistas, tampouco dos turistas crentes das outras partes do mundo. Fundada por homens simples. Enquanto o samba descia os morros, a igreja subia para semear a Palavra. Hoje a igreja carioca é uma das mais fortes e atuantes, todavia nas questões sociais ainda enfrenta problemas muito sérios, que parecem não ter solução. Contudo, concordamos que obra social nunca foi o ponto forte das Assembleias de Deus e que sempre orientamos os nossos membros para a busca do espiritual, do sobrenatural, da experiência mística do batismo no Espírito Santo. Nada de errado em pedir o batismo e buscar os dons, mas penso que essa falta de visão do social seja um resquício do nosso não admitido fundamentalismo, que tem ojeriza do chamado Evangelho Social que tanto “ameaçava” os antigos quanto à ortodoxia cristã no século passado.

As igrejas evangélicas encontram-se, na sua maioria, divididas e dominadas por pessoas que têm mais escrúpulo que os bandidos do Complexo do Alemão, mas que visam igualmente domínio territorial. Alguns até brigam por horários nas emissoras de TV. Enquanto os traficantes disputam os pontos de drogas nas favelas, pseudos-pastores, bispos não reconhecidos e falsos apóstolos, disputam o “mercado” da fé evangélica nas esquinas da capital carioca e na mídia. Talvez esse seja um dos motivos para que uma igreja tão grande (crescente) e forte (dinâmica) ser inoperante em questões cruciais como essa que vemos agora. Existe um esforço do governo e há pessoas honestas empenhadas em erradicar a pobreza, a fome, a miséria e o analfabetismo nos municípios, todavia a administração pública deixa a desejar em quase todas as áreas. Contudo, há no Evangelho um princípio restaurador e que visa reabilitar o ser humano. Colocando isso em termos de cidadania, a cidade deveria estar ganhando com o crescimento e fortalecimento da igreja cristã evangélica, uma vez que o movimento evangélico tem suas bases assentadas sobre a evangelização e evangelização, segundo o Pacto de Lausanne, é o Evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens (mas, isso acontece em São Paulo, no Brasil e no resto do mundo onde não se prega o evangelho completo - para o homem todo). Se as igrejas focassem mais em ganhar almas e não dizimistas, em ganhar vidas, e vissem cada brasileiro como alma que precisa de salvação e não como cifras ou possibilidade de crescimento monetário-financeiro, teríamos uma igreja mais forte, mais operante e menos pobreza e miséria.

As belezas do Rio são inegáveis, mas a maior beleza que o Rio tem é o seu povo, e dentre o seu povo, um “povo especial, zeloso e de boas obras”, que se soubesse o potencial que tem em suas mãos, há muito teria mudado a história da cidade maravilhosa. A igreja do Rio é a maior riqueza que os cariocas têm e se essa comunidade de serviço se embrenhasse na captura dos perdidos, e não deixasse essa tarefa para alguns poucos cristãos, arrancaria mais traficantes dos morros que o BOPE e tiraria mais jovens das drogas que as instituições ligadas ao governo ou às ONGS. Sem dúvida, a igreja já tirou mais prostitutas das ruas de nosso país que todas as outras instituições e o verdadeiro Evangelho já redimiu mais bandidos incorrigíveis que todos as organizações sociais e todos os centros de reintegração do Estado.  

A capital fluminense precisa mais que polícia, exército e marinha na ocupação dos morros, necessita de uma igreja que ocupe os morros em Nome do Senhor Jesus! Pastores que não percam a visão do espiritual, do sobrenatural e abracem a causa dos pobres, desempregados, órfãos, viúvas e desfavorecidos. Líderes que estejam dispostos a investir em gente pobre. Que recebam os dízimos dos ricos e invistam nas comunidades carentes, construindo escolas, creches, hospitais e templos...

Falando assim parece um retorno à visão romântica da cidade antiga que inspirava poetas e compositores. Talvez uma espécie de utopia. Porém, a História da Igreja está repleta de homens, como Jerônimo Savonarola, John Wesley e John Knox, que mudaram a história de cidades e países através da pregação do Evangelho. Para não dizerem que não falei da Bíblia, seria bom se, lendo Atos 8 e Atos 19, revisitássemos a Samaria de Filpe e a Éfeso de Paulo.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

10 comentários:

HELIO COSTA disse...

a paz pastor
tambem tenho parentes la no rio porem nao gosto de ir nem a passeio, ja fui farias veses mais nao gosto do rio, vamos continuar orando pra Deus entra com a providencia,

parabems pela exelente palavra domingo na reuniao de obreiros aqui em americana estava la foi uma bençao, fexamos o ano de 2010 com chave de ouro, para gloria de Deus,

fique na paz
helio costa

Pastor Guedes disse...

Prezado Irmão Hélio,

A Paz do Senhor!

É, o Rio precisa muito de nossas orações!

Que bom que o irmão esteve lá. Americana é a minha segunda casa e senti-me muito bem entre os amados para lhes falar aquela palavra.

Deus abençoe sua vida e sua casa.

Forte Abraço.
No Amor de Cristo!
x

disse...

O Rio ainda é maravilhoso, mesmo com todo caos.Pr. Temos entrevista lá no Blog, o próximo e´o senhor!

Pastor Guedes disse...

Rô,

Claro que o Rio continua maravilhoso, mas poderia ser melhor!

Passarei por lá.

Paz!

disse...

Concordo em parte com o senhor, sabe porque?? A igreja pelo menos a AD tem feito um trabalho bom de evangelismo dentro das Comunidades, ainda é pouco precisamos de mais envolvimento, principalmente de gente preparada, pois a maioria são pequenas congregações, a igreja pode ajudar muito, mas ela só pode fazer o social, pois não tem como a igreja entrar no trabalho do Estado, tem coisas que só o estado pode fazer como o senhor disse construir: escolas , creches e hospitais isso é responsabilidade do Estado. É claro que isso não é desculpa para não se fazermos nada, mas deveríamos fazer pelo menos o que Jesus nos ensinou, cuidarmos dos órfãos e das viúvas amando uns ao outros. Mas ainda sim, o meu Rio continua lindo Pr. Guedes, pode vir para pescaria ja esta bem mais calmo. Ah! vai se preparando para a entrevista, o senhor será o próximo. Deus te abençoe mais e mais em Cristo Jesus. Paz!

THIAGO JESUS disse...

Paz do Senhor ! Pr.Guedes

Muito pertinente este artigo do irmão,é uma realidade,se a igreja não só no rio como nos demais lugares se voltasse mais para estes pontos salientados pelo Sr., teríamos um brasil diferente!
Quando vejo líderes com uma visão como esta abordada pelo Sr. que pensam em lucros e fama sinto nojo!.Pois vejo que estão longe da bíblia e da vontade de nosso SENHOR ! A igreja foi estabelecida por Deus para fazer a diferença e não para ser igual ao mundo !

Deus abençoe o amado irmão !

abraços !

Thiago Jesus

Pastor Guedes disse...

Rô,

A Igreja pode fazer muito mais! Escolas, hospitais, creches, não são obrigações apenas do Estado. A Igreja pode contribuir e muito com a formação do caráter cristão e do caráter cidadão. Veja o exemplo da metodista, da batista, da presbiteriana. Aliás, não somente a igreja, mas todas as empresas privadas e ongs, pois a questão é de solidariedade humana e não de responsabilidade de A ou de B. Nós, assembleianos, também já temos escolas, faculdades, hospitais, creches em várias cidades, então por que não fazermos também no Rio? Não somente a Assembleia, mas todas as denominações poderiam e podem fazer mais. Eu posso fazer mais, você pode fazer mais,...Enquanto não fazemos (digo, nós igreja, não você e eu), os islâmicos estão fazendo, os espíritas, os católicos, os budistas e até o Reverendo Moon!

Ah, quanto ao Rio, vou sim! Fui convidado pelo Alberto Couto e pelo Pr. Alex para uma pescaria, aproveito para convidar você e seu esposo também! O Alberto disse que o Alex é péssimo pescador rsrsrsrs

Obrigado pela oportunidade (futura) de ser entrevistado por você!

Paz!

Pastor Guedes disse...

Prezado Thiago,

A Paz do Senhor!

Sem dúvida que a Igreja tem como primazia em sua relação com o mundo (as pessoas) a evangelização, mas evangelização hoje em dia tem um significado mais abrangente: levar pão espiritual para a alma e e pão material para alimentar o físico.

Sua visão está correta. uma igreja que pensa como o mundo não é igreja de Cristo. A Igreja de Cristo é diferente de tudo, por isso Ele disse: "Eu edificarei a MINHA IGREJA", MINHA ASSEMBLEIA, MEU AJUNTAMENTO É DIFERENTE DE TUDO O QUE VOCÊS JÁ VIRAM, portanto diferente do mundo! Quando leio em Atos dos Apóstolos que na Igreja Primitiva não havia necessitados, mas todos dividia seus bens com os pobres, vejo uma diferença gritante entre a nossa realidade e a deles. É verdade que as diferenças entre as duas igrejas e cidades (Jerusalém ano 30 e Rio de Janeiro 2010) são muitas, mas vejo que os esforços para tornar isso próximo da realidade são praticamente nulos e poucos têm essa percepção de igreja como agente servidora do mundo. Aqui encontramos o novo conceito de diakonia: a igreja servindo ao mundo (almas, pessoas, comunidades).

Forte Abraço.
No Amor de Cristo!

Jafé Madai Guedes disse...

Muito bom texto, pr. Guedes, concordo que ainda continuamos a pecar nisso, precisamos melhorar o lado social de nossas igrejas,

Deus abençoe,

Pastor Guedes disse...

Prezado Jafé,

A Paz do Senhor!

Obrigado pela visita e comentário.

Infelizmente temos que reconhecer que somos devedores nessa área e deveríamos fazer mais.

Forte Abraço.
No Amor de Cristo!