sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

PROBLEMAS NA IGREJA E A NECESSIDADE DE UMA PSICOLOGIA CRISTÃ



A atuação da Igreja tem sido voltada durante centenas de anos para a evangelização e missão entre os povos. Não está errado esse modo de ver a ação daquela que é a agente e porta-voz do Reino. Em uma nação considerada evangelizada, cuja igreja consegue andar com seus próprios pés, sem a ajuda missionária, ou seja, passada aquela fase de estruturação em bases sólidas, a igreja tende a cuidar de seus próprios problemas e enviar missionários. Esse novo período abre os olhos da igreja para os problemas espirituais e sociais ao seu redor e abre espaço para uma crítica social: É válido ganharmos o mundo e perdermos os nossos filhos? Li em um livro que Luis Palau, depois de pregar em uma prisão, veio uma multidão tão grande de homens à frente que, em menos de uma hora, deparou-se com um novo problema: o nascimento de uma igreja enorme. O pregador começou a chorar e a perguntar-se: “E agora, quem cuidará dessas almas?”.

A igreja brasileira cresceu antes do tempo previsto e os líderes não se deram conta de seu crescimento, tendo hoje um problema estrutural. Basta ver os templos das Assembleias de Deus ontem e hoje. Ontem, templos pequenos, para 200 pessoas no máximo, com dois banheiros e uma salinha para secretaria e tesouraria. Mais tarde, não tendo mais para onde crescerem, inventaram as galerias. Ainda não haviam salas para Escola Dominical, aconselhamento, berçário, fraldário, estacionamento, etc. Assim como não nos preparamos para essa realidade, igualmente não nos preparamos para o crescimento vertiginoso que o movimento evangélico está experimentando no Brasil. Hoje os templos são construídos para milhares, estacionamentos amplos, com salas para todos os departamentos, inclusive escolas teológicas, o que era visto com maus olhos, principalmente no meio pentecostal.

Embora nossos pastores estejam fazendo o melhor para suas comunidades no que diz respeito às acomodações, estamos diante de um problema talvez ainda maior. Os divórcios, os relacionamentos e a saúde psíquica dos membros de nossas igrejas são de causar espanto! Nunca se viu tantos casamentos desfeitos, lares desestruturados, crentes estressados, carregados de ansiedade, hipertensos, com síndrome de pânico, transtorno bipolar, depressão e problemas cardíacos. A correria de nosso tempo, as angústias e frustrações por não terem alcançado seus objetivos na vida, tem levado muitos crentes aos tribunais, às terapias de casais, às clínicas psicológicas e psiquiátricas como nunca.

Precisamos acordar para os benefícios trazidos pela Psicologia para a realidade das igrejas. Não que deva substituir a ministração da Palavra nos cultos e nas reuniões terapêuticas, não é isso! Não é desprezar o dom de Deus, a consolação do Espírito, as clínicas que já existem nas igrejas, as formas de aconselhamento e terapia ou os núcleos de reabilitação familiar, mas ousar e antecipar-se aos fatos, fazendo com que os pastores das igrejas atuem ao lado de pastores-psicólogos e estes últimos tenham espaço em nossas atividades pastorais para resgatar a auto-estima do povo de Deus, aplicando não puramente princípios freudianos ou junguianos, mas bíblicos: cristológicos, paulinos ou aqueles encontrados nos livros sapienciais e nos profetas.

Ouvi por esses dias um sermão interessante: “Correr Menos e Confiar Mais”. Muitos cristãos perdem tempo e se desgastam com coisas frívolas, e correm tanto como se fossem salvar o mundo e colocar todas as coisas em ordem – não vão! Quantos pastores estressados hoje porque deram mais de suas vidas para as igrejas que pastorearam e menos para si e para sua família; deram-se além dos limites humanos e hoje sofrem angústias, andam depressivos e confessam: “Se tivesse que fazer tudo de novo, eu faria, mas de outro modo, de um modo mais inteligente: valorizaria mais a vida, a família, as pessoas e menos as instituições”.

Temos tempo para consertar tudo isso, se encararmos o problema de frente e investirmos mais no aconselhamento na área familiar e criarmos uma clínica pastoral, inclusive para o pastor e sua família; se investirmos mais na área bíblica-psicológica; se considerarmos mais os relacionamentos frente ao individualismo e a concorrência, inclusive dentro das igrejas; se apreciarmos mais as pessoas que as coisas e mais a família que os projetos humanos; se olharmos as aves dos céus e os lírios do campo (Mt. 6.25-34) e fugirmos da correria da modernidade; se frequentarmos e descansarmos mais no divã de Deus; se valorizarmos mais os indivíduos que as construções de concreto; se preferirmos o amor ao próximo à frieza dos códigos estabelecidos e perpetuados pelo tempo (Mt. 23.4). Falamos muito sobre doenças psicossomáticas em nossos púlpitos, somos dados a interpretar sonhos, mas temos medo de aprofundarmos a questão e perdermos o carisma, porém se entendemos biblicamente que o homem é pneuma, e psiquê, e soma (I Tss. 5.23), devemos ajudar e procurar salvar (curar) o homem todo.

Creio que todo cristão está justificado posicionalmente em Cristo (Rm. 5.1,2; II Co. 5.17), que será salvo todo aquele que invocar o nome do Senhor (Rm. 10.13) se permanecer até o fim (Rm.11.20,21). Mas, também creio que Deus quer salvar e curar almas com um passado trágico (Jo. 4), desesperadas, beirando o suicídio (At. 16.27-31). Podemos levá-las à sanidade, ao equilíbrio e vida plena, pela Palavra e pelo Espírito, com a ajuda de todas as ciências que Deus disponibilizou para o nosso bem estar para viverem em abundância de vida (Jo. 10.10). Nada melhor que aproveitarmos o tempo da expansão da Igreja para cuidarmos melhor de nossos filhos na fé. Temos espaço físico e aparelhos para fazê-lo, basta despertarmos para essa nova realidade. 

Acabei de receber um email de uma moça que se afastou da igreja e em uma relação com o namorado, engravidou. Com medo do que pudesse acontecer no futuro, abortou e hoje não dorme direito com a consciência em crise, com pesadelos, com choro contínuo e depressão, pois sabe que cometeu um assassinato, posto que conhecia a verdade. Com medo do futuro, tomou uma decisão errada e hoje o passado a atormenta. E agora?! Alguém dirá: “Vamos orar!”. Perdoem-me se pareço descrente do poder da oração, porém a Bíblia diz que “a oração de um justo pode muito em seus efeitos” - mas não que pode tudoEssa irmã precisa mais que oração, precisa de acompanhamento psicológico, de abraço, de afeto, de carinho, de ajuda médica, caso contrário será o próximo caso de depressão profunda a dar entrada nas estatísticas das clínicas psiquiátricas ou mais um caso de cristão suicida.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus! 
Deus abençoe a todos.

domingo, 17 de janeiro de 2016

PASTOR ELIEL AMARAL SOARES PARTIU PARA A ETERNIDADE

Pastor Eliel Amaral Soares parte para Eternidade

Partiu para a eternidade, com 64 anos de vida, na noite de sábado, 
16 de janeiro de 2016, por volta das 20h, 
em São Paulo onde estava hospedado desde o dia 30 de dezembro de 2015, 
quando chegou dos Estados Unidos para atender agenda no Brasil, o querido
pastor e missionário, Eliel Amaral Soares.

O mesmo estava servindo ao Senhor como Missionário enviado pela 
Assembleia de Deus em São Paulo - Ministério do Belém na Flórida, 
Estados Unidos. O mesmo foi vítima de um farto fulminante e faleceu 
onde estava hospedado sem que houvesse oportunidade de socorro.

Oremos pela família, esposa irmã Olívia, filhos, noras, genros e netos que 
estão em viagem dos Estados Unidos para o Brasil neste momento.

VELÓRIO E SEPULTAMENTO:

O corpo do querido Pastor e Missionário Eliel Amaral Soares, por 
determinação do pastor José Wellington Bezerra da Costa será 
velado no templo-sede da Assembleia de Deus em São Paulo - 
Ministério do Belém sito à Rua Conselheiro Cotegipe, 273, Belém (SP), 
a partir das 22h deste domingo, 17 de janeiro de 2016.


O cortejo para o Cemitério de Vila Alpina, sito à Avenida: Francisco 
Falconi, 837, São Paulo, sairá do templo as 12h para o  sepultamento 
que está marcado para as 13h desta próxima segunda-feira, 18 de 
janeiro de 2016.

FONTE: 
http://www.pastorjosewellington.com.br/2016/01/pastor-eliel-
amaral-soares-parte-para_17.html?spref=fb

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A PALAVRA TEM MESMO A PRIMAZIA EM NOSSOS PÚLPITOS?



Prezados leitores e amigos, um assunto tem me inquietado ultimamente e gostaria de compartilhar essa minha inquietação com vocês. Falo da tão comentada questão da primazia da Palavra de Deus em nossos cultos. Vem de longe em minha lembrança o que desde os meu primeiros dias de fé se dizia: "o mais importante do culto é a Palavra" ou "agora vamos ao mais importante: a Palavra". Todavia, as coisas têm mudado um bocado nos arraiais evangélicos. Há algum tempo a Palavra vem perdendo em importância, dando lugar ao  louvor demasiado e às muitas encenações de peças teatrais e apresentações de jograis. Confesso que algumas peças ou jograis têm um certo valor didático e cúltico, porém o exagero com que se faz e o intento para o qual foram idealizadas é digno de análise.

Até quando vamos mentir para nós mesmos com essa história de damos a primazia à Palavra em nossos cultos? Raríssimas exceções sejam feitas e entre elas, a igreja que congrego. Não se ouvem mais pregações do Evangelho como antes, pois para abrilhantar as festas, os que coordenam os eventos assumem compromissos com cantores de toda natureza e ritmos, conjuntos os mais diversos, grupos teatrais, jograis e (este ano de eleição), os políticos para dividirem a cena.

Não faz muito tempo fui em outra igreja evangélica para um Encontro de Corais. O culto deveria começar por volta de 19:30hs. Cheguei as 20:10hs, atrasado e preocupado, devido ao  trânsito e o rodízio de automóveis que se faz na capital paulista. O pastor daquela igreja estava internado em estado grave e seu auxiliar deixou-se dominar pela vaidade dos maestros.  Penso que contei quinze hinos daqueles corais, além dos hinos da querida Harpa Cristã no início. Passaram-me a palavra às 21:50hs. Tentando ser educado e polido, disse que não seria cansativo, que seria breve, que terminaria logo para que os irmãos pudessem chegar cedo em suas casas para descansarem. Falei apenas meia-hora. Entreguei o púlpito às 22:20hs. Para minha surpresa, aqueles coralistas entoaram ainda dois "belos" cânticos, fazendo com que o culto terminasse 22:40hs. Fiquei impressionado com a voracidade daqueles senhores com suas batutas e com a impotência do dirigente daquele culto.

Conheço relato de amigos meus, onde em suas igrejas não há mais espaço para a Palavra, literalmente falando. Dirigentes de congregações que cantam, cantam e cantam porque não têm o que dar para o povo. Outros oram, oram e oram  porque sabem que não têm inspiração de Deus para a Palavra e enganam o povo com uma suposta piedade de "fervor" espiritual.

Até onde iremos com esses jargões: "aqui  a palavra tem o primeiro lugar", "agora, vamos para o mais importante: a palavra" e "irmãos, um culto não pode ficar sem a palavra". Não é por acaso que muitas igrejas estão doentes com seus cultos vazios. Pregadores que não falam mais a Palavra e trocam a mensagem da cruz pela mensagem da chave, do carro, da casa ou do "ser cabeça". Não falam mais do valor da santificação ou da Vinda do Senhor Jesus, satisfazendo-se em agradar o povo com suas mensagens de cunho antropocêntricas: ocas, com ênfase acerca da graça barata ou fazendo apelos aos bolsos dos incautos que pensam que doando seu rico dinheirinho terão as consciências em paz com Deus. Evangelistas que não pregam sobre a realidade do pecado e por isso não convidam mais as pessoas para terem uma experiência de conversão genuína, convidando-as, porém, para mudar de vida, acabarem com o sofrimento a fim de serem vitoriosos e, assim, as igrejas incham de gente inconvertida. Nas cerimônias de batismos, milhares descem às águas, fomentando a vaidade explícita de que somos a igreja que mais cresce no mundo. Mas, quantos teriam ido à frente de nossos púlpitos, arrependidos de fato de seus pecados? Quantos teriam a consciência de que eram pecadores miseráveis e que Jesus os salvou da condenação do inferno? Quantos sabem que a santificação é condição "sine qua non" para se ver Deus? Quantos amam de fato o Senhor Deus e estão dispostos a padecerem perseguições por amor do seu Nome? Quantos entendem o valor da Cruz de Cristo para suas vidas e quantos têm consciência do convite à renuncia que o Evangelho apresenta? 

Não quero ser pessimista quanto ao futuro da igreja e nem bancar o "zé do apocalipse", mas não vejo solução a curto prazo. A tendência é, infelizmente, as coisas piorarem. Teremos mais festas com mais tempo para os louvores, para as encenações teatrais, para os jograis, para os políticos e para os movimentos pseudos-espirituais-(neo)pentecostais e menos tempo para a Palavra de Deus. Todavia, continuaremos dizendo que a Palavra tem a primazia.

A solução está em nós, pregadores do evangelho, pastores, professores de Escola Dominical, evangelistas e lideranças nas igrejas, assumirmos um compromisso sério, reagendando nossas programações, revendo o número de festas e de convidados e quiçá reavaliarmos a nossa liturgia para um novo  tempo. Não estou legislando em causa própria, pois amo o bom louvor na casa de Deus, porém defendo a prioridade das sagradas letras. Caberá a nós, que amamos a Palavra, fazermos a diferença com unção, abrirmos olhos de boa parte dos líderes para essa realidade e sermos o mais inteligíveis, concisos e convincentes possível. 


Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

SETE FATORES QUE INCOMODAM UM PASTOR.

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Recebi esse texto por email de um novo amigo, o Jan Carlos de Souza, da Igreja Batista, mas a autoria é do pastor Paulo Saraiva, cujo blog e fonte está no rodapé. Apenas tomei a liberdade de fazer algumas pequeníssimas adaptações.

SETE FATOS QUE INCOMODAM UM PASTOR

Em dias como os nossos, o que poderiam mais incomodar alguém vocacionado para o ministério? Bem, muitos são os desafios a serem encontrados, mas existem pelo menos sete que saltam aos olhos.

1.    Observar que as pessoas não amadurecem. Pastores verdadeiramente chamados não esperam que as pessoas sejam eternamente dependentes, antes pelo contrario almejam que elas cresçam e que depois de um tempo sejam capazes de enfrentar e resolver alguns conflitos mínimos nas suas vidas sem ter que viver dependentes de gurus ou pseudo-mestres da espiritualidade.

2.    Verificar que (hoje em dia) qualquer um pode ostentar o titulo de Pastor. É profundamente frustrante saber que, em dias como os nossos, qualquer um pode ser nomeado ou denominado como pastor, não importando se obteve alguma formação, se foi experimentado, tanto nas práticas ministeriais como na arena dos desafios éticos.

3.    Constatar que o ministério (para muitos) virou um negócio. É muito triste para Pastores vocacionados saberem que o espaço social onde atuam, muitos agem com o interesse puramente mercadológico. Provoca ojeriza um Pastor verdadeiro saber que ele divide espaço na sociedade com pessoas que só tem um interesse: ganhar dinheiro.

4.    Descobrir que as ovelhas vivem encantadas pelos mercenários. Nada indigna mais um Pastor do que ouvir uma ovelha manifestar sua admiração por alguém que prega um falso evangelho, por dinheiro, por exemplo. É frustrante saber que via de regra, com algumas exceções alguns dos mais elogiados ministros dos nossos dias são conhecidos nos bastidores eclesiásticos por suas patifarias.

5.    Vislumbrar que manipulação vale mais que ensino. O dia mais triste na vida de um pastor é aquele em que ele descobre que não basta manusear bem uma Bíblia, mas que precisa dominar também as técnicas de manipulação de auditório.

6.    Deparar-se com o fato de que estruturas valem mais que cuidado. É muito desestimulante quando um Pastor, de maneira inexorável, se convence que os cuidados já foram de maneira sistemática negligenciados em favor da estrutura da instituição

7.    Enxergar o que é patente ultimamente: carisma vale mais que caráter. Compromisso, ética, postura, fidelidade, dedicação, acessibilidade, nenhum desses elementos importam para uma comunidade que tem como preocupação última, seguir alguém que tenha carisma, não importando quão duvidoso é o seu caráter.

Então por que permanecer Pastor em um ambiente como este? A justificativa para continuar nesta empreitada saiu dos lábios do Todo-Poderoso quando adverte aos mercenários e promete constituir bons pastores. ELE diz:
“…Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e delas não cuidastes; mas eu cuidarei em vos castigar a maldade das vossas ações, diz o SENHOR. Eu mesmo recolherei o restante das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; serão fecundas e se multiplicarão. Levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e elas jamais temerão, nem se espantarão; nem uma delas faltará, diz o SENHOR….” Jeremias 23.1-4

Se os mercenários se autoconstituíram para estarem a frente do rebanho, o mesmo não se pode falar a respeito dos fiéis Pastores, estes não estão por sua vontade, antes foram escolhidos pelo Sumo-Pastor. Afinal é ELE mesmo que diz:
“…Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda….” João 15.16
http://paulo-saraiva.blogspot.com/2011/04/sete-fatos-que-incomodam-um-pastor.html

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

sábado, 19 de dezembro de 2015

PREGAÇÃO E PREGADORES HOJE.


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"Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem, ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado" I Coríntios 2.1,2 (A.R.A)

Sou de um tempo não muito distante onde os pregadores eram conhecidos por sua intimidade com Deus e por suas mensagens centradas na Bíblia, em Cristo e na Cruz. Talvez por eu ser definitivamente fruto dos acontecimentos pós Reforma Protestante, do Pietismo e Movimento de Santidade, donde surgiu o pentecostalismo. Quem sabe é por que na minha juventude convivi com outros jovens inflamados e entusiasmados com a pregação do Evangelho (hoje todos são pastores ou missionários) ou por que os meus pastores ensinavam a orar, jejuar, ler a Bíblia e bons livros, e incentivavam a buscar o ministério e ganhar almas, lembrando-me sempre que o que ganha almas "sábio é". Talvez por que cresci lendo "Os Heróis da Fé""Eles Morreram Pela Fé" e depois de crescido aprendi a ler teimosamente Moody, Spurgeon, Martin Lloyd Jones, John Stott, John Piper, entre outros.

Os reformadores da primeira e segunda gerações nos deixaram um legado e nos ensinaram o significado de Sola Gratia, Solo Christus, Sola Fide e Sola Scriptura, e talvez por isso eu não consiga entender muito bem como uma mensagem não possa conter algo sobre a Graça, ter citações bíblicas, não ter Cristo como centro, sobreviver sem a Cruz e não promover Fé. Os pregadores de hoje têm uma facilidade enorme de ludibriar o povo, principalmente em nosso meio pentecostal, com chavões e jargões emotivos, sensacionalistas, antropológicos, filosóficos e, ultimamente, com encobertas expressões de auto-ajuda. Sinceramente não sei como essas mensagens podem sobreviver em nosso meio, ou melhor, sei sim. Nossa geração é uma geração movida pelo hedonismo e pelo imediatismo. Vivemos desejando o prazer e o triunfalismo imediatos a qualquer preço. Assim, todos anelam ouvir pregações que lhes enganem com falsas promessas de que as "coisas mudarão hoje", que o triunfo "começará agora" e com falsas profecias do tipo: "Deus me trouxe hoje aqui para falar com sua vida e vim como profeta de Deus""deixem-me profetizar nessa noite" ou "Deus mandou eu falar". Para eles a Bíblia não é o bastante, a revelação das páginas do Livro de Deus precisam de um acréscimo e, infelizmente, têm acrescentado inverdades que enganam o povo de Deus.

Senhores, desculpem meu quadradismo e meu conservadorismo exacerbado, mas não consigo ver uma mensagem sem base escriturística. Não consigo me concentrar em uma mensagem teologicamente pobre e de conteúdo duvidoso quanto à doutrina bíblica e não consigo glorificar a Deus ante uma mensagem onde o centro é o homem e não Deus, onde os testemunhos de milagres na vida do pregador falam mais alto que o brado da Cruz e que a "loucura" do Evangelho. Não consigo me alegrar em meu espírito, nem no Espírito Santo, quando vejo alguém utilizando-se de material de terceiros. Não consigo sentir-me à vontade quando percebo que ao mensageiro falta unção e graça para ministrar. É possível que meus 33 anos de fé tenham arrefecido alguma chama em mim, também é possível que meu tempo dedicado aos estudos em teologia tenha recrudescido alguma vertente nova, mas prefiro não ser tão emotivo e ter equilíbrio espiritual a ser um tresloucado que não sabe se rir com as palhaçadas do homem que fala ou se chora com seu "emocionante" testemunho de vitória. Eu preciso chorar com a Palavra, rir com a Graça, levantar as mãos no santuário quando o Espírito me mover, abrir os olhos ou fechar, levantar a cabeça ou baixar, ficar em pé ou sentar, abraçar ou não-abraçar ou dizer alguma coisa para quem está ao meu lado, quando sentir vontade de fazê-lo e não por que o homem do púlpito mandou ou insinuou.

Tenho percebido que, infelizmente, esses tais são os que mais ganham destaque e são os mais solicitados para pregar em grandes festas. Tenho visto que pregadores que pregam sobre a Cruz de Cristo estão sendo deixados de lado e tenho lido mais na mídia acerca dos fanfarrões evangélicos que dos verdadeiros anunciadores da mensagem do Calvário. Tenho acompanhado o sucesso meteórico de alguns e ouvido acerca de livros mau escritos, com conteúdos doutrinariamente reprováveis, somente para arrecadar dinheiro em portas de igrejas e sem nenhuma preocupação com métodos de pesquisa, com questões éticas ou citações bibliográficas.

Mas, alegro-me em ver que longe das luzes dos holofotes tem um grupo de gente comprometida com o Reino de Deus até o último fio de cabelo, para usar uma expressão cearense. Distante dos delírios das plateias embevecidas pela mentira com aparência de verdade, Deus tem "sete mil que não dobraram seus joelhos. À margem dos louros da fama tem um pequeno rebanho a quem ao Pai "aprouve dar o Reino". Na periferia das igrejas e no centro delas ainda tem alguns que misturam com simplicidade, "fé, amor e esperança", e que insistem em dependerem unicamente de Deus para serem o que são. Pregadores que podem dizer como o apóstolo Paulo: "Pela Graça de Deus, sou o que sou". 

Não, eu não sou um revoltado, escrevendo contra tudo e contra todos, atirando para todos os lados. Convivo há anos com pregadores e sei muito bem o que estou expondo.

"Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus" I Coríntios 1.18 (A.R.C).

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

BREVE REFLEXÃO SOBRE O PAI NOSSO.

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“Senhor, ensina-nos a orar...” Lucas 11.1

“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos induzas à tentação, mas livra-nos de todo mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória para sempre. Amém!” (Mateus 6.9-13)

Certa vez os discípulos de Cristo ao perceberem que seu Mestre orava continuamente, que João Batista orava com seus discípulos e que até os fariseus observavam a prática da oração, dirigiram a Ele uma petição humilde: “Mestre, ensina-nos a orar”.

Para orar precisamos, como os doze, ter consciência de nossa pequenez e humildade para reconhecermos nossa total dependência de Deus. Os discípulos reconheceram o valor da oração na vida do Mestre, mas apresentaram o modelo que eles conheciam: João Batista. Os fariseus eram o modelo do cotidiano religioso de seu tempo. Jesus, porém, apresentou-lhes um novo modelo, dentro de uma nova perspectiva: O PAI NOSSO. Podemos, com base na oração que o Senhor nos ensinou, fazer algumas considerações para nosso aprendizado.

Primeiro: Nem o Batista, nem os fariseus chamavam Deus de Pai nosso. Jesus ensina aos seus seguidores que mudou a relação, que El, Elohim, Yaweh e Adonai continuam sendo nomes de Deus, mas na nova aliança, devemos chamá-Lo de Pai. Somente os nascidos de novo entendem a importância da afetividade de uma oração que começa chamando o Divino de Pai. O “nosso” deu-se pelo motivo de Ele estar ensinando a um grupo (Mt. 6.9)).

Segundo: Devemos dirigir nossas orações aos céus, porque o Senhor está elevado sobre nós. Embora não esteja distante e nem se mantenha impassivo às nossas dores e aflições, encontra-se em estado elevado, como os céus, e habita a luz inacessível (I Tm. 6.16).

Terceiro: É-nos revelado que Deus é Santo e, portanto seu nome deve ser separado dos homens. Nome na Bíblia tem a ver com caráter, portanto, o nome de Deus é puro e deve ser santificado. Isso fala do caráter transparente de Deus. “Deus é luz. E não há nele treva nenhuma” (I Jo. 1.5).

Quarto: Jesus ensina-nos a convidar o Reino de Deus a ingressar em nossa esfera de vida. É mais que isso: Ele nos ensina a abrirmos mão de nossos próprios “reinos” aqui na terra e deixarmos Deus governar, reinar, dirigir, controlar nosso ser (espírito, alma e corpo), nossa casa (família), nosso tempo e nossos negócios (finanças, projetos).

Quinto: A oração do Pai Nosso ensina-nos também que devemos renunciar às nossas vontades que não estão concordes com a Vontade de Deus, que não glorificam a Deus, e abrirmos mão destas para aceitarmos com fé “a boa, perfeita e agradável vontade de Deus” (Rm. 12.2).

Sexto: Aprendemos ainda que Deus tem planos estabelecidos nos céus e na terra, e por isso devemos compreender a interação que há entre o mundo físico e o espiritual, o natural e o sobrenatural, a fim de que a vontade de Deus seja plena em todo o alcance do Seu Reino (Jo.18.36).

Sétimo: Jesus não esqueceu a aflição cotidiana que enfrentaríamos no mundo (Jo.16.33) e nos ensinou a depender de Deus diariamente. O pão de cada dia aponta para o pão físico e espiritual, como alimento para o corpo e para a alma (Mt. 4.4). Nossa dependência de Deus se dá, portanto, nos dois mundos onde Seu Reino está estabelecido.

Oitavo: Em uma oração ensinada por Jesus não poderia faltar perdão. Pedido de perdão de quem pecou (“nossas dívidas”) e perdão oferecido a quem pecou contra nós (“nossos devedores”). Há uma lição igualmente profunda aqui: quem não perdoa, não merece ser perdoado também (Mt. 6.14,15).

Nono: Aponta a tentação como um campo abismal onde podemos cair, nos conclama a confiarmos em Deus e não em nossas próprias forças ou mentalizações. É um pedido de livramento antecipado, outra face da dependência da Graça para não pecar. Como se disséssemos: “sabemos que o mal pode nos vencer, mas se Tu estiveres conosco seremos inatingíveis" (Rm. 8.31-39).

Décimo: Termina com a declaração de que o Reino, o Poder e a Glória pertencem a Deus para sempre, isto é, somente Ele deve reinar, exercer poder e receber glória hoje e por toda a eternidade (Ap. 11.15).

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

sábado, 12 de dezembro de 2015

A POBREZA DO MOVIMENTO GOSPEL

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A cada dia que passa uma ala dos evangélicos brasileiros assume uma característica muito interessante. Com o crescimento da chamada igreja evangélica, tem crescido também um espécie de subproduto: o movimento gospel. Marcado pelos shows business, os crentes "gospels" têm assumido um aspecto dicotômico de fervor litúrgico e desprezo pela oração coletiva. Interessam-se pelos encontros, os "vigilhões",  e aderem a movimentos cada vez mais musical e cada vez menos bíblico. Imitam modas e costumes mundanos, seculares, sem reservas, sem se preocuparem com as consequências da aproximação dos valores de uma sociedade sem Deus. Anelam pelo lançamento dos próximos trabalhos dos cantores profanos como se fora cantores sacros, perdendo, assim, a paixão e a admiração pelos verdadeiros hinos clássicos de louvor. Leem cada vez mais livros de autores não-cristãos cujas mensagens falam de perversão e violência. Acompanham a ética deste século e abrem mão dos princípios cristãos com muita facilidade, bastando expressarem um "tem nada a ver".  

Alguns adeptos desse novo momento na igreja evangélica chegam mesmo a afirmarem que o importante é não estarem no mundo. Comparo o simplesmente "estar" na igreja com o "ficar" desses relacionamentos frívolos, sem compromissos. Assim, muitos "estão" na igreja (templo-comunidade), mas não são Igreja do Senhor Jesus, Organismo Vivo, Pedras Vivas, Corpo de Cristo. Visto por essa ótica, o movimento gospel é superficial, raso e oco: não tem raízes, alicerces, fundamentos da fé cristã; não têm profundidade na comunhão com o Corpo; e nem conteúdo bíblico-doutrinário. Suas músicas são frenéticas e fracas, com rimas e poesias pobres. Suas mensagens vazias, frias e repletas de apelos emocionais. Seu corpo doutrinário é destituído da doutrina da piedade e, portanto, doentio, posto que não abrange todo o "conselho de Deus".

Para eles o mais importante é o "ôba-ôba", a mídia, estar na "crista da onda", etc., e tudo isso em nome de Deus. Infelizmente, igrejas, já há muito tempo instituídas, que trazem um escopo doutrinário responsável e equilibrado, seduzidas por esse movimento, acabam por venderem-se ao mundo gospel, contratando cantores e pregadores para a realização de cultos-shows, haja vista a atração de multidões para as festas religiosas de suas denominações ou ministérios. Cantores e pregadores sem congregar há meses, portanto, sem acompanhamento pastoral, viajando o país e o mundo como se fossem missionários itinerantes, levam as gentes ao delírio ao som de baladas, axé, forró, samba, funk e pancadão gospel.

Nesses circuitos, festas juninas recebem nome de "jesuínas", enquanto a evangelização é a justificativa para a criação do bloco de carnaval (ou seria "espiritoval"?) e o octógono das lutas sangrentas visam o mesmo fim missionário. Cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina, point movido a chopps e sexshop são as mais recentes novidades desse modelo cristão que pervertem o Evangelho de Jesus Cristo.

Não culpo a geração de jovens. Culpo, porém, a geração de pastores irresponsáveis que fazem de tudo para atrair pessoas para suas igrejas sem se preocuparem se estão convertidas ou não. Culpo os novos líderes que, movidos pela ganância, buscam qualquer tipo de atividade para arrecadarem dinheiro sob o discurso do método de crescimento de igrejas. Não isento de culpa os marqueteiros nas igrejas e nas empresas de publicidade gospel que estão dispostos a venderem suas próprias almas ao diabo para fazerem sucesso nesse novo mercado.

A igreja precisa de renovo para assumir o seu lugar de destaque no mundo e não de estratagema humano para ocupar espaço puramente midiático. O Corpo dos regenerados necessita de Graça para serem "luz do mundo" e "sal da terra" e carece da presença de Deus nos cultos e em suas vidas. A Noiva do Cordeiro reclama por um novo tempo, movido pelo Espírito Santo e não por toscos "reverendos" e "profetas" espiritualmente malogrados. Os Santificados em Cristo precisam da verdadeira explanação da Palavra de Deus e do substancial conteúdo bíblico tão escassos em nossos dias.

P.S. Você pode até não concordar comigo, mas seja educado em seu comentário e eu o publicarei.

Maranata. Ora vem Senhor Jesus.