sábado, 18 de setembro de 2010

PACTO DE LAUSANNE (PARTE III)

O equatoriano René Padilha foi um dos expoentes do Pacto de Lausanne.

Aqui encerro as publicações do Pacto. O jornal New York Times avaliou Lausanne I como o maior  encontro cristão dos últimos tempos. Considerado o Vaticano II dos protestantes de tão importante que foi para a história da igreja contemporânea (e ainda o é). Por que a igreja encontra-se tão longe do ideal de Lausanne? Onde teríamos falhado?

11. Educação e liderança
Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiásticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.

12. Conflito espiritual
Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e potestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico. Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. A igreja tem que estar no mundo; o mundo não tem que estar na igreja.

13. Liberdade e perseguição
É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem impedimentos. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que foram injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Não nos esqueçamos de que Jesus nos preveniu de que a perseguição é inevitável.

14. O poder do Espírito Santo
Cremos no poder do Espírito Santo. O pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.

15. O retorno de Cristo
Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a idéia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.

Conclusão
Portanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós. Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto! Amém. Aleluia!

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

4 comentários:

Alberto Couto Filho disse...

Abençoamado Pr Guedes

Quando receberes o VINDE APÓS MIM, constate que o preconizado no ítem 11 do Pacto de Lausanne está contido da apresentação da obra até a Bula da Eficácia (Consubstanciando).
Considere o tempo decorrido (1974=>2010)e veja que sugiro, através do desenrolar do tema, o desenvolvimentos de nossas lideranças com vistas à Missão Integral. Eu proponho o desenvolvimento de uma liderança eficaz como um Alvo Educacional, uma Estratégia e um Processo.
Seria tão bom que a leitura da nossa obra fosse associada, pelos nossos jovens, ao conhecimento do Pacto. Creio que assim eles iriam se conscientizar do conceito de Missão Integral - o momento vivido em nosso país, em termos de Lideranças eclesiais está a exigir de nós tais iniciativas.
Não me veja como um amouco, mas devo dizer-lhe que poucos se interessam pelo conteúdo da sua brilhante postagem.
Congratulations! (gostou do meu inglês ginasiano?)
Abençoe-te Deus, eternamente

Fernando disse...

"Por que a igreja encontra-se tão longe do ideal de Lausanne? Onde teríamos falhado?"

Boa pergunta pastor Guedes.
Provavelmente porque devamos orar a Deus pedindo que nos dê mais amor pelas almas.
Onde mais sinto falhas é onde o próprio texto "se entrega".

Continuemos neste firme propósito "único" da igreja de Jesus na terra.

Glória a Deus por tudo!

Fique na paz meu querido irmão.

Pastor Guedes disse...

Meu Caro Amigo Alberto, a Paz!

Sua erudição e simplicidade é um bálsamo para meu olhos e blog. Até o seu inglês ginasiano é magnífico.

Entendo que sim, poucos se interessam, mas também imagino, pelo menos na realidade da minha denominação, que poucos também conhecem ou já ouviram falar. É um absurdo a ignorância que se tem em nosso meio, eu diria, pentecostal, da importância que é termos um documento como este, começando pela confissão de culpa das lideranças da época. Acho lindo o texto de Lausanne, assim como acho lindo seus textos e suas obras.

Você é um grande amigo que Deus me deu nesses tempos de blogosfera. Vou divulgar três blogs, aliás quatro, e sugerir que sigam esses senhores. Um deles chama-se Alberto Couto Filho.

Forte Abraço.
No Amor de Cristo.

Pastor Guedes disse...

Querido Fernando, a paz do Senhor!

Fico feliz que esses textos, aliás o Texto de Lausanne, tenha falado tanto com a sua alma. Como você é um jovem que tem muito ainda para gastar, sugiro que "coma" esse documento, medite e encarne o que está escrito ali. Assim fazendo você será bom ministro do tempo presente.

Parece texto das pastorais de Paulo, eu sei (rsrs), mas esse documento tem um teor pastoral tremendo.

Deus lhe abençoe.

Forte Abraço.
No Amor de Cristo.