sábado, 12 de dezembro de 2015

A POBREZA DO MOVIMENTO GOSPEL

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A cada dia que passa uma ala dos evangélicos brasileiros assume uma característica muito interessante. Com o crescimento da chamada igreja evangélica, tem crescido também um espécie de subproduto: o movimento gospel. Marcado pelos shows business, os crentes "gospels" têm assumido um aspecto dicotômico de fervor litúrgico e desprezo pela oração coletiva. Interessam-se pelos encontros, os "vigilhões",  e aderem a movimentos cada vez mais musical e cada vez menos bíblico. Imitam modas e costumes mundanos, seculares, sem reservas, sem se preocuparem com as consequências da aproximação dos valores de uma sociedade sem Deus. Anelam pelo lançamento dos próximos trabalhos dos cantores profanos como se fora cantores sacros, perdendo, assim, a paixão e a admiração pelos verdadeiros hinos clássicos de louvor. Leem cada vez mais livros de autores não-cristãos cujas mensagens falam de perversão e violência. Acompanham a ética deste século e abrem mão dos princípios cristãos com muita facilidade, bastando expressarem um "tem nada a ver".  

Alguns adeptos desse novo momento na igreja evangélica chegam mesmo a afirmarem que o importante é não estarem no mundo. Comparo o simplesmente "estar" na igreja com o "ficar" desses relacionamentos frívolos, sem compromissos. Assim, muitos "estão" na igreja (templo-comunidade), mas não são Igreja do Senhor Jesus, Organismo Vivo, Pedras Vivas, Corpo de Cristo. Visto por essa ótica, o movimento gospel é superficial, raso e oco: não tem raízes, alicerces, fundamentos da fé cristã; não têm profundidade na comunhão com o Corpo; e nem conteúdo bíblico-doutrinário. Suas músicas são frenéticas e fracas, com rimas e poesias pobres. Suas mensagens vazias, frias e repletas de apelos emocionais. Seu corpo doutrinário é destituído da doutrina da piedade e, portanto, doentio, posto que não abrange todo o "conselho de Deus".

Para eles o mais importante é o "ôba-ôba", a mídia, estar na "crista da onda", etc., e tudo isso em nome de Deus. Infelizmente, igrejas, já há muito tempo instituídas, que trazem um escopo doutrinário responsável e equilibrado, seduzidas por esse movimento, acabam por venderem-se ao mundo gospel, contratando cantores e pregadores para a realização de cultos-shows, haja vista a atração de multidões para as festas religiosas de suas denominações ou ministérios. Cantores e pregadores sem congregar há meses, portanto, sem acompanhamento pastoral, viajando o país e o mundo como se fossem missionários itinerantes, levam as gentes ao delírio ao som de baladas, axé, forró, samba, funk e pancadão gospel.

Nesses circuitos, festas juninas recebem nome de "jesuínas", enquanto a evangelização é a justificativa para a criação do bloco de carnaval (ou seria "espiritoval"?) e o octógono das lutas sangrentas visam o mesmo fim missionário. Cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina, point movido a chopps e sexshop são as mais recentes novidades desse modelo cristão que pervertem o Evangelho de Jesus Cristo.

Não culpo a geração de jovens. Culpo, porém, a geração de pastores irresponsáveis que fazem de tudo para atrair pessoas para suas igrejas sem se preocuparem se estão convertidas ou não. Culpo os novos líderes que, movidos pela ganância, buscam qualquer tipo de atividade para arrecadarem dinheiro sob o discurso do método de crescimento de igrejas. Não isento de culpa os marqueteiros nas igrejas e nas empresas de publicidade gospel que estão dispostos a venderem suas próprias almas ao diabo para fazerem sucesso nesse novo mercado.

A igreja precisa de renovo para assumir o seu lugar de destaque no mundo e não de estratagema humano para ocupar espaço puramente midiático. O Corpo dos regenerados necessita de Graça para serem "luz do mundo" e "sal da terra" e carece da presença de Deus nos cultos e em suas vidas. A Noiva do Cordeiro reclama por um novo tempo, movido pelo Espírito Santo e não por toscos "reverendos" e "profetas" espiritualmente malogrados. Os Santificados em Cristo precisam da verdadeira explanação da Palavra de Deus e do substancial conteúdo bíblico tão escassos em nossos dias.

P.S. Você pode até não concordar comigo, mas seja educado em seu comentário e eu o publicarei.

Maranata. Ora vem Senhor Jesus.

6 comentários:

Flávio da Cunha Guimarães disse...

Estamos de acordo literalmente! Parabéns pelo post magnifico e pela coragem de fazer tais colocações. Deus em seu ministério, a sua vida e sua família. Um abração em Cristo.
Pr Flávio da Cunha Guimarães

Pastor Guedes disse...

Caro Pr. Flávio da Cunha, a Paz do Senhor!

Agradeço por sua visita em meu blog e pelo seu comentário.

Seja bem-vindo sempre e um forte Abraço.

Deus abençoe a sua casa!!!!

Claudio Elias Do Nascimento disse...

É verdade muita gente ta brincando de ser Cristão e se voce ,Eles (as) acham ruim nos chama até de Juiz.

Cleidiana Goes disse...

Pr.Guedes, concordo parcialmente com as suas colocações, é um fato que muitos tem se perdido em meio a fama, tem oferecido um evangelho raso, entretanto é necessário que a mídia faça repercutir o meio gospel, pois a palavra de Deus será levada para muitos que ainda não conhecem, o ouvir um louvor bonito (ainda que raso) gera a curiosidade no impio sobre quem é esse Deus da musica.
O nível de comunhão, de profundidade é muito individual, alguns se contenta com águas até os calcanhares, outros querem mergulhar na graça. A palavra de Deus diz que o cristão é equilibrado, este é o desafio, muitas passagens bíblicas são condizentes com a época em que foi escrita, com os costumes da região. Vivemos em uma geração diferente, mas questionadora, desvirtuada, sem pudores, devemos ter novas estratégias para atrai-lós, para mante-lós, não concordo com essas festas "jesuinas, carnavais" NÃO SOMOS IGUAIS AO MUNDO, SOMOS DIFERENTES, acredito que devemos sim permitir ritmos diferentes, linguagem diferente, principalmente entre os jovens( é claro que com ordem, decência e bom senso), acredito que mais vidas serão alcançadas quando tivermos cristão convertidos verdadeiramente, livres da escravidão do mundo e livres da religiosidade.
Sou muito feliz por ser sua ovelha, sei da sua integridade e comprometimento com o evangelho, não passa a mão na cabeça de crente descomprometido com a palavra.
Um abraço, graça e paz.

Pastor Guedes disse...

Caro Cláudio Elias, a Paz do Senhor!

Obrigado pela sua colaboração e visita em mue blog.

Abração.

Pastor Guedes disse...

Cara Irmã Cleidiana, a Paz!

Não sou contra a diversidade musical nas igrejas e nem contra as estratégias de evangelização, porém, nesse particular, creio que devemos seguir parâmetros bíblicos encontrados em Atos dos Apóstolos e nas cartas paulinas, por exemplo. E porque "somos diferentes do mundo", como você mesma colocou, é que não devemos copiar essas estratégias pelo molde das festas religiosas ou buscar saídas para evangelização nos padrões de comportamento mundano. Não odeio o movimento gospel, apenas o acho fraco, destituído de vida profunda com Deus. Há muitas exceções. Meu texto é generalizado e sei que existem pessoas no movimento gospel muito comprometidas com a doutrina e com o zelo pela Palavra e pelo Louvor que exalta ao Senhor. Claro que a comunhão é íntima e pessoal, mas onde não se tem profundidade ou maturidade cristã (isso vemos até em nossa igreja) até esse aspecto na vida cristã é sofrível.

Devemos sim buscar uma linguagem atualizada e direcioná-la aos nosso dias, principalmente aos jovens. Contudo a melhor linguagem para alcançar as almas é o Amor que nos constrange e o Poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. O que vemos, porém, são: festas raves onde os jovens acabam assumindo uma identidade mais mundana que cristã; cultos com luzes coloridas e com jogo de luzes para "imitar" o ritmo das baladas e os jovens não sentirem-se "deslocados"; e outras coisas que mais danificam do que edificam a vida deles e descaracterizam a identidade cristã (Romanos 12.1,2; II Coríntios 3.18; Efésios 4.13).

Quanto à mídia, ela deve ser usada com responsabilidade missionária para alcançar as vidas, mas o que temos visto há anos é a luta de um ou de outro líder religioso para expandir o seu ministério, a sua marca, o seu produto (ou seria o seu próprio negócio?). Você há de convir que existe uma diferença gritante aí.

Em suma, fazendo uma autocrítica, o meu artigo também carece de melhor aprofundamento devido ao espaço e ao tempo (espaço no blog e tempo em minha rotina). Todavia, não tive a intenção de escrever de forma acadêmica, como defendendo uma tese. É apenas uma opinião.

Muito bom ser seu pastor, amigo de sua família e irmão em Cristo. Melhor ainda é saber que você é uma ovelha obediente, e embora não precise concordar completamente com o meu ponto de vista particular nesse artigo, concorda com a doutrina.

Deus abençoe a sua casa.

Abraço.