sábado, 29 de março de 2014

PASTOR SE CONVERTE AO CATOLICISMO APÓS 20 ANOS COMO EVANGÉLICO. SERÁ UMA NOVA "TENDÊNCIA"?



LEIA AQUI O RELATO DE CONVERSÃO DO EX-PASTOR DA AD BRAZ.

Ontem fez exatamente 20 anos do meu batismo na Igreja Assembleia de Deus. Foi em 27 de Março de 1994, domingo, na igreja sede da Assembleia de Deus no Brás (Ministério em Madureira, hoje mais conhecida como AD Brás).

Foi um momento marcante em minha vida, eu estava vivendo uma linda experiência de conversão e aquele ato batismal era o cumprimento de uma decisão tomada poucos meses antes, quando aceitei a Jesus como meu Salvador. Sempre fui apaixonado pelo Evangelho desde criança, quando ganhei minha primeira Bíblia aos sete anos, poderia até ver isso como uma vocação sacerdotal.

Passados estes vinte anos eu vivo novamente a experiência da conversão, mas desta vez minha fé me trouxe de volta à Igreja Católica Apostólica Romana. 

No período em que estiva na Assembleia de Deus participei de grupos de mocidade, fui professor de Escola Bíblica Dominical e cursei Teologia(Básico) pela EETAD, curso que deixei pela metade para viver o meu sonho de trabalhar em uma emissora de rádio.

Por um período de sete anos eu apresentei um programa chamado "Jovens Para Cristo", que era patrocinado pelos membros da igreja. Neste período eu trabalhei como funcionário desta emissora até o seu fechamento pela Anatel em 2002. Após o fechamento da emissora de rádio, passei por um período de depressão e me afastei da igreja.

Meses depois eu, por conta própria, decidi procurar uma igreja diferente para frequentar, um misto de vergonha e orgulho me impediu de retornar à minha antiga congregação. Deste tempo, até aqui, fui membro de três igrejas diferentes, passei por altos e baixos na minha fé. Apesar de sucessivas decepções, aconteceu a maior dádiva da minha vida, conheci a moça que hoje é minha esposa e mãe de meu filho. Deus me abençoou com uma família maravilhosa.

Nestes últimos anos desenvolvi diversas atividades ministeriais, especialmente voltadas para a evangelização de jovens, também ministrei cursos para formação de lideres e obreiros. Até que cheguei ao pastorado, fui pastor auxiliar pelo período de um ano e pastor titular por outro período de um ano em uma congregação que inaugurei junto ao ministério do qual fazia parte.

Pouco depois do nascimento de nosso filho, por motivos alheios à minha vontade, renunciei à direção da igreja que pastoreava e meses depois entendi que deveria abrir mão do ministério pastoral. Era dia 12 de Outubro de 2012 eu preguei o meu último sermão na igreja sede da igrea que congregava e sabia que não retornaria mais a um púlpito na condição de pastor.

Tudo que eu sempre almejei e alcancei, deixei pra trás, somente restou em meu coração a ardente paixão pelo Evangelho e minha vida consagrada a Cristo. Ao longo desta experiência muita dor, angústia e lágrimas derramadas.

Talvez, nesse ponto, você esteja se perguntando o motivo de atitudes tão drásticas, tão radicais. Tais motivos, claro existem, mas decidi não falar sobre tais assuntos no momento. 

Reencontro com o catolicismo

Fui criado católico, fui batizado, fiz a primeira comunhão, mas aos 18 anos, nenhum destes fundamentos fazia o menor sentido pra mim. Na adolescência fiz parte de movimentos ligados à "Teologia da libertação" e com o passar do tempo fui me afastando da igreja. Aos 18 anos aceitei ao convite de um amigo e fui com sua família a um culto da Assembleia de Deus, fiquei maravilhado com aquela atmosfera. Nunca havia sentido uma sensação tão boa,eu me senti tocado por Deus e aceitei seguir aquele caminho.

De modo algum eu quero invalidar este processo de conversão. Foi uma experiência real, verdadeira e produziu frutos em minha vida.

Porém, não é segredo para ninguém que a expansão do Protestantismo no Brasil, especialmente o ramo pentecostal, se deu por conta de uma visão anti-católica que, baseada em textos bíblicos, proclamava a verdadeira salvação por meio apenas de igrejas pertencentes a este seguimento. Igreja Católica era sinônimo de idolatria e o Papa, o próprio Anti-cristo.


Passei a ver o catolicismo como uma religião idólatra e anti-bíblica. Por anos tive esta visão e convicção.

No auge da rede social Orkut, entrei em uma comunidade de debates entre católicos e evangélicos. A comunidade "Debate Católicos e Evangélicos" carinhosamente chamada de "DC&E" congregava um número interessante de pessoas tanto católicos quanto evangélicos, ali tínhamos debates teológicos de grandeza magistral, mas também exemplos extremistas de fundamentalismo religioso, de ambas as partes.

Logo em minha primeira participação na comunidade entrei em um tópico que debatia algo sobre as Escrituras, fui logo confrontando e declarando de que adiantava debater sobre a Bíblia e não acreditar, nem fazer o que ela mandava.

Naquele dia eu levei a maior surra de interpretação bíblica, apanhei até cansar de um católico chamado Paulo, mais conhecido como Confrade. Eu não tinha argumentos, mesmo sendo um leitor ativo da Bíblia, me considerando apto a debater as Escrituras, eu fui calado pela sabedoria e conhecimento daquele rapaz. Derrotado, pedi perdão pelo equívoco...

Passei e estudar com mais afinco o catolicismo, seus costumes, o Magistério, a Tradição, os dogmas, especialmente os ligados a Maria, mãe do Mestre.

O efeito disso foi a anulação do sentimento anti-catolicismo adquirido e o início de uma fase de fraternidade e aprendizado. Porém, nunca concebi a ideia de me tornar católico novamente. Deste período de debates surgiram amizades, encontros, como o da foto abaixo.

Esta imagem é um registro histórico de um dos orkontros realizados pelos membros da comunidade. Este foi o primeiro em São Paulo, havendo outros no Rio de Janeiro e algumas outras cidades do Brasil.

comunidade foi fundamental para renovar a minha mente. Passei a enxergar a Igreja Católica com a Igreja de Cristo, todo protestante deve entender que, sem ela, o Evangelho não nos alcançaria.

No entanto foram necessários alguns anos para que eu entendesse que deveria regressar à Igreja mãe. Foram necessárias várias decepções, muitas frustrações, para poder abrir o meu coração e conceber que meu lugar é na Igreja Católica.

Após renunciar ao pastorado e à direção de uma igreja, eu me desigrejei. Não queria mais saber de templos e religião institucionalizada.

Decidi romper com a religião. Eu tinha a minha fé, acreditava em Deus e viveria para fazer o bem e por minha família. Não queria mais vínculo com denominação alguma, minha religião era Cristo, e pronto.

Iniciei o projeto deste blog [Compartilhando a Graça], compartilhando textos com amigos do Facebook. Comecei a escrever sobre a fé cristã, postar reportagens e notícias sobre os cristianismo, inclusive algumas polêmicas e escândalos.

Até que um belo dia escrevi o texto Castel Gandolfo: Onde o Papa passa as férias. Isso foi no dia 11 de Janeiro de 2013, no início da noite.

Foi uma noite mal dormida, pois sonhei com o Papa Bento XVI e a ideia de ser novamente um católico. Cheguei a comentar com minha esposa: "... e se eu voltasse para Igreja Católica?"

A ideia se transformou em desejo, e o desejo, decisão. Eu comecei a compartilhar isso com meu amigo Marcio Araújo, mais um remanescente da "DC&E", e desde então ele tem me ajudado. Márcio é dono da página Beleza da Igreja Católica e tem sido um grande incentivador da minha jornada. Pouco tempo depois criei a página Francisco, o Papa da humildade, fiquei maravilhado com a mensagem cristocêntrica do Papa, só faltava conferir se a Igreja correspondia a tamanho entusiasmo.

Comecei a participar da Missa, mas mantive a discrição. No início ia para observar, mas, com o passar do tempo, eu já estava envolvido de corpo e alma. Um determinado dia marquei uma reunião com o padre Douglas, pároco da nossa região. O recebi em minha casa para um café da manhã e conversamos bastante.

Foi muito especial, contei a ele minha história e tenho recebido o seu apoio e instrução, iniciei o curso de Crisma a pouco dias em uma classe de Catequese voltada para os adultos. Estou vivendo intensamente este processo de conversão, aprendendo a viver esta fé milenar em sua plenitude.
(...)


FONTE: http://santos-decalcajeans.blogspot.com.br/2014/03/pastor-se-converte-igreja-catolica-apos.html

quinta-feira, 20 de março de 2014

RICARDO GONDIM E A CARÊNCIA DE PROFETAS


Ricardo Gondim
Reconheço: existem diversas pessoas sérias entre os crentes. Admito: mais de sete mil profetas não se dobraram a Baal. Não desprezo o testemunho daqueles que me precederam e honraram a fé. Dados os devidos descontos, impossível não admitir o colapso do que se popularizou como movimento evangélico.
Como calar diante do avanço de vigaristas e charlatões? Quantos vão manter um silêncio obsequioso diante das promessas irresponsáveis de cura, prosperidade financeira, solução de problemas conjugais e sucesso empresarial? Não é possível aguentar três minutos de programa de rádio ou de televisão. Náusea, diante da postura arrogante de falsos profetas que oscilam entre camelôs religiosos e doces professores de Bíblia.
Não dá para lidar com a falta de sensibilidade humana de grupos fundamentalistas, quando celebram desastres naturais como sinais inequívocos do castigo de Deus sobre o pecado. A lógica do quanto pior, melhor só revela quão egocêntrico e cínico o movimento vem se tornando. Haja estômago para ouvir professores de teologia, forjados em seminários de segunda linha, criticando livros que nunca leram. A maioria dos auto-reconhecidos teólogos evangélicos não consegue citar duas obras de peso da literatura. Eles discursam na defesa de uma reta doutrina que ainda não completou duzentos anos.
Será que passará impune a intolerância de muitos sacerdotes, que deveriam ser pacientes e benignos? O meigo carpinteiro de Nazaré seria parceiro de abutres prontos para estraçalhar quem tropeçou na vida? Quantos tribunais sumários já excomungaram adolescentes por, na lógica deles, graves transgressões morais, enquanto bandalheira administrativa passa batida.
O movimento evangélico corre o risco de se tornar refúgio para incompetentes. Líderes, que jamais conseguiriam sobreviver no mundo empresarial, se ocupam em tornar culpa uma fonte de lucro. Preguiçosos e despreparados, adoram praticar tiro ao alvo, desferindo setas nos já abatido pela vida. Os piores tentam mimetizar comportamentos moralistas do mundo anglo-saxão. Eles copiam as afirmações dos ortodoxos, que se pretendem eleitos de Deus, e se vendem como especialistas em cerimonialismos e tradições.
Também, não dá para lidar com tanto ufanismo. Falsos Aquiles perambulam pelos corredores eclesiásticos como exemplo de imunidade. Sobram narcisistas na corrida pelos primeiros lugares no Olimpo dos ungidos. E cada dia fica mais notório que empreitada, projeto ou campanha, que pretende mudar o mundo, não passa de estratégia surrada de movimentar dinheiro. Falsos heróis instrumentalizam o povo para viabilizar megalomanias – usam e abusam da boa-fé de quem deseja fazer alguma coisa pela humanidade. A burocracia eclesiástica dilui enormes fatias dos recursos doados. Fortunas acabam sugadas na volúpia do poder. O dízimo suado dos crentes, investido em mais propaganda, só serve para alardear ao mundo como aquele evangelista é especial.
Enerva ouvir a repetição enfadonha de chavões. Cansam as frases prontas e os conceitos batidos. Fazem-se afirmações esvaziadas de sentido ou valor. A grande maioria dos púlpitos evangélicos se repete numa mesmice horrorosa. O culto des-educa. A convivência, no ar viciado de quem só visa repetir o que já foi dito, estupidifica. Os hinos reciclam poesias gastas. Os sermões começam e terminam com promessa de bênção. O movimento evangélico se tornou uma neurolinguística religiosa.
Há anos escrevi que andava cansado com o meio evangélico. Na verdade, não estava assim tão cansado. Eu procurava apenas denunciar o desgaste de tanta bobagem em nome de Jesus falando de exaustão. Mais tarde, para expor a ladeira abaixo do movimento, pedi para não ser classificado comoevangélico. Não resta muito o que dizer. Talvez deva insistir na mesma tecla. Repetir: não dá, não dá, não dá, até que muitos profetas falem – a carência é grande.
Soli Deo Gloria
Fonte: http://www.ricardogondim.com.br/meditacoes/carencia-de-profetas/
Obs.: os grifos são do editor deste blog.

IGREJA BATISTA NOS EUA SORTEIA UM FUZIL AR-15 PARA OS FIÉIS

Igreja batista de Nova York causou polêmica ao anunciar sorteio de fuzil AR-15 entre os fiéis (Foto: Reprodução/Great Baptist Church - Troy, New York)
Uma igreja batista da cidade de Troy, no estado de Nova York, voltou a acender o debate sobre as armas nos Estados Unidos graças a seu plano de sortear um fuzil entre os fiéis.
A entrega da arma - um AR-15 - vai acontecer no dia 23 de março entre os presentes no culto de domingo, anuncia a igreja em seu site oficial.
"O único objetivo é ser uma ajuda, uma bênção e um apoio a todos os proprietários de armas e caçadores que foram atacados com fúria pela imprensa e por políticos socialistas e anticristãos", alega o pastor John Koletas em carta publicada na página.
A iniciativa rapidamente passou da imprensa local para veículos nacionais e foi duramente criticada por representantes de outras igrejas da região.
Koletas, em uma segunda mensagem publicada no site da igreja, acusa os críticos de serem uma "fraude" pede que leiam a Bíblia e a história da revolução americana para ver como homens armados defenderam a liberdade.
O polêmico sorteio conta com o apoio do deputado republicano Steve McLaughlin, que deve falar durante o serviço do próximo dia 23.
"É uma arma segura, legal, a que está sendo sorteada. Não vejo controvérsia e não me parece surpreendente em absoluto que se rife um fuzil em uma igreja", disse McLaughlin em declarações ao jornal local "Times Union".
O fuzil em questão custa aproximadamente US$ 700  (cerca de R$ 1.600) e está adaptado para cumprir a legislação de Nova York, já que os AR-15 comuns são proibidos no Estado.
Uma arma desse tipo foi utilizada em 2012 no massacre da escola Sandy Hook de Newtown, Connecticut (EUA), quando foram mortas 20 crianças de entre 6 e 7 anos de idade e de seis adultos.
Para ficar com o fuzil, o ganhador do sorteio deverá ter pelo menos 18 anos, cumprir com todas as normas de posse de armas e passar por uma verificação de antecedentes criminais.
Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/03/igreja-nos-eua-causa-polemica-ao-anunciar-sorteio-de-fuzil-entre-fieis.html

terça-feira, 18 de março de 2014

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NO PASTOR DIÓTREFES? SERÁ QUE ELE PASTOREIA A SUA IGREJA?

Você já ouviu falar no pastor Diótrefes? Será que ele pastoreia a sua igreja?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Uma leitura descuidada da Bíblia não permite observar e estudar um pastor chamado Diótrefes. Será que ele não anda pastoreando sua congregação? Diz 3 João nos versículos 9 e 10:  

Escrevi à igreja, mas Diótrefes, que gosta muito de ser o mais importante entre eles, não nos recebe. Portanto, se eu for, chamarei a atenção dele para o que está fazendo com suas palavras maldosas contra nós. Não satisfeito com isso, ele se recusa a receber os irmãos, impede os que desejam recebê-los e os expulsa da igreja.

Isso mesmo. O apóstolo João denuncia um pastor chamado Diótrefes. Um sujeito orgulhoso, com mania de grandeza e autoritário. Ele apreciava “ser o primeiro”, o "primaz".  Além disso, tinha mania de levantar calúnias contra outros pastores. No original grego indica que Diótrefes falava com fluência, mas o conteúdo era vazio. Não hospedava nenhum evangelista e, também, agia por conta própria- sem um supervisor a quem poderia prestar contas. Era egoísta e mesquinho. E o pior: proibia a comunhão de sua congregação com outros irmãos e evangelistas. Diótrefes simplesmente exercia a excomunhão para quem desobedecesse. Pelo nome que significa “filho de Zeus” se especula que ele fosse de uma família aristocrática. Assim, será que Diótrefes queria levar os costumes familiares para a Igreja do Senhor?

Quais são as lições desse episódio?

1. A sede de poder é um mal humano e presente em todas as eras. Como John Stott lembra, o problema de Diótrefes não era doutrinário, mas sim uma ambição pessoal. Não é de hoje que alguns homens veem a obra de Deus como um passatempo pessoal e trampolim para o poder. Esse mal já afetava a igreja dita primitiva. Muitas vezes o poder é mais sedutor do que o dinheiro. O inescrupuloso deputado Frank Underwood, personagem fictício da série House of Cards, já dizia: "Dinheiro é mansão no bairro errado, que começa a desmoronar após dez anos. Poder é o velho edifício de pedra, que se mantém de pé por séculos. Não respeito quem não sabe distinguir os dois."

2. A liderança doente sempre está em busca do primado. É conhecida a assertiva de Jesus: “Quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos” [Marcos 10.44]. É conhecida, mas pouquíssima praticada. Diótrefes corria para ser o primeiro, o mais importante, o maior entre todos eles. Quantas vezes você já ouviu “essa igreja nasceu no meu ministério” ou “Deus me levantou para uma grande obra e, por isso, aí daqueles que contestarem”?

3. Um mal líder é autocentrado. Sempre procura desqualificar outros líderes. Vive para si. Não tem supervisão. Não se submete a ninguém. Ele sempre decide, não divide. Sempre tem a primeira e a última palavra. É um pequeno deus.

4. O líder desqualificado é autoritário.  A Bíblia não dá espaço para excomungar alguém por discordar da liderança naquilo que lhe é própria. Diótrefes, como autoritário e autocentrado, excomungava quem cometia o grave pecado de comunicar e comungar com outros evangelistas.

Conclusão: um líder assim não pode ser protegido. Logo, como João fez, gente assim precisa ser repreendida publicamente.


Postado por Gutierres Siqueira
Fonte:http://www.teologiapentecostal.com/2014/02/voce-ja-ouviu-falar-no-pastor-diotrefes.html

A IGREJA É O REFLEXO DO SEU PASTOR


Por Pr. Silas Figueira

A Igreja é o reflexo do seu pastor e, se o pastor se espelha nas Escrituras Sagradas, a igreja que ele pastoreia irá refletir esta mesma imagem. Mas o que temos visto por aí nesses últimos anos é uma total descrença no ministério pastoral, pois muitos não estão refletindo a imagem de Cristo. Foi feita uma pesquisa a respeito das três classes que estão mais desacreditadas e a conclusão que se chegou foi: os políticos, a polícia e os pastores. Isso tem ocorrido porque os pastores estão deixando de ser aquilo que pregam. Muitos estão mais envolvidos com as coisas dessa terra do que com o seu chamado. Charles Spurgeon dizia para os seus alunos: “Meus filhos, se a rainha da Inglaterra vos convidar para serdes embaixadores em qualquer país do mundo, não vos rebaixeis de posto, deixando de ser embaixadores do Reis dos reis e do Senhor dos senhores”.

A crise que tem atingido a sociedade tem respingado na Igreja, e o pior, tem chegado até o púlpito. Embora estejamos vivenciando um crescimento numérico na Igreja Brasileira, não temos visto a transformação da nossa sociedade. Tudo isso é um reflexo de que a Igreja não tem tido uma mensagem transformadora, mas uma mensagem moldadora. Uma mensagem que faz bem aos ouvidos, mas que não transforma o coração. E tudo isso, infelizmente, vem do púlpito. Outros por medo de perderem o seu lugar na igreja local se tornam boca do povo para Deus e não boca de Deus para o povo, ou seja, pregam o que o povo quer ouvir e não o que eles precisam ouvir.

Pastores que agem assim são, geralmente, pastores com muita “unção”, mas sem nenhum caráter. É bom lembrar que o caráter sustenta a unção e não vice versa. Há uma crise pastoral e ela precisa ser sanada muito rapidamente, para que a próxima geração não esteja totalmente perdida. Estamos vivendo uma crise ministerial isso é um fato. E isso começa com a teologia que muitos seguem. Muitos estão abraçando várias teologias, menos a bíblica. Vejamos o que tem atuado em muitas igrejas hoje:

O Evangelho da Prosperidade – onde a benção e a graça de Deus sobre a pessoa é medida pelos bens que ela possui. Teologia esta que está na maioria dos púlpitos das igrejas pentecostais e neopentecostais. Descobri recentemente um detalhe interessante nesta teologia, que Cristo morreu na Cruz do Calvário para que eu tivesse muita saúde, carro zero, casa na praia e ser muito rico, ou seja, Jesus não passa de um gênio da lâmpada.

Teologia Inclusiva – A Teologia Inclusiva, como a própria denominação sugere, é um ramo da teologia tradicional voltado para a inclusão, prioritariamente, dos homossexuais. Segundo os seus adeptos, a Teologia Inclusiva contempla uma lacuna deixada pelas estruturas religiosas tradicionais do Cristianismo, pois, por meio da Bíblia, compreende que todos os que compõem a diversidade humana, seja ela qual for, têm livre acesso a Deus por meio do sacrifício de Jesus Cristo na cruz. É o famoso venha como está e fique como está.

Alguns textos que condenam o homossexualismo: Gn 19; Lv 18.22, 20.13; Rm 1.24-28,32; 1Co 6.9,10; 1Tm 1.8-10. Mas Deus é poderoso para mudar a vida dessas pessoas.

Teísmo Aberto ou Teologia Relacional – O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas. Deus não é soberano. Deus ignora o futuro, pois Ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.

Igrejas Emergentes – As igrejas emergentes estão mais preocupadas com o ouvinte do que com a mensagem em si, e em seu desejo de pregar um evangelho que seja “aceitável” ao homem pós-moderno, acabam por negligenciar os pressupostos básicos do cristianismo, chegando mesmo a negar a literalidade do nascimento virginal de Cristo, seus milagres, a ressurreição de Jesus e a existência do inferno eterno. É “a preferência pela vivência correta ao invés da doutrina correta”. Teologia passa longe dessas igrejas.

Missão Integral – Esse evangelho não passa de uma variante protestante da Teologia da Libertação. Os que defendem essa teologia são líderes cristãos que continuam trancados no armário do socialismo.[1]

Teologia Liberal (Liberalismo Teológico) – A “Teologia Liberal é um movimento que, iniciado no final do século XIX na Europa e Estados Unidos, tinha como objetivo extirpar da Bíblia todo elemento sobrenatural, submetendo as Escrituras ao crivo da crítica científica (leia-se ciências humanas) e humanista. No liberalismo teológico, geralmente, não há espaço para os milagres, profecias e a divindade de Cristo Jesus”. Relativizando a autoridade da Bíblia, o liberalismo teológico estabeleceu uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Ainda hoje, um autor que não reconhece a autoridade final da Bíblia em termos de fé e doutrina é denominado, pelo protestantismo ortodoxo, de “teólogo liberal”. Um pequeno exemplo nós encontramos em relação à existência de Jó. Para os liberais ele não passa de uma alegoria, mas então eu me questiono porque que em Ez 14.14, 20; Tg 5.11 falam dele como se ele fosse um personagem real? Então eu fico com a Bíblia e não com os defensores dessa teologia. Bem disse Jesus “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22.29).

O que temos visto hoje em dia, são muitos pastores confusos teologicamente em seus ministérios. O Rev. Hernandes Dias Lopes nos fala que a igreja evangélica brasileira vive um fenômeno estranho. Estamos crescendo explosivamente, mas ao mesmo tempo estamos perdendo vergonhosamente a identidade de evangélicos. O que na verdade está crescendo em nosso país não é o evangelho, mas outro evangelho, um evangelho híbrido, sincrético e místico. Vemos prosperar nessa terra uma igreja que se diz evangélica, mas que não tem evangelho. Prega sobre prosperidade, e não sobre salvação. Fala de tesouros na terra, e não de tesouros no céu.

Nessa babel de novidades no mercado da fé, o Rev. Hernandes Dias Lopes identifica alguns tipos de pastores:[2]

Primeiro, há pastores que são mentores de novidades. São pastores marqueteiros. Quando um pastor entra por esse caminho, precisa ter muita criatividade, pois uma novidade é atraente por algum tempo, mas logo perde seu impacto. Aí é preciso inventar outra novidade. É como chiclete. No começo você mastiga, ele é doce, mas depois você começa a mastigar borracha.

Segundo, há pastores que são massa de manobra. São pastores sem rebanho que estão a serviço de causas particulares de obreiros fraudulentos.

Terceiro, há pastores que deliberadamente abandonaram a sã doutrina. Muitos pastores inexperientes, discipulados por esses mestres do engano, abandonam o caminho da verdade e se capitulam à heresia. É importante afirmar que o liberalismo é um veneno mortífero. Aonde ele chega, mata a igreja. Há muitas igrejas mortas na Europa, na América do Norte e, agora, há igrejas que estão flertando com esse instrumento de morte também no Brasil. Não temos nenhum registro de um liberal que tenha edificado uma igreja saudável. Não temos nenhum registro de um liberal que tenha sido instrumento de Deus para um grande reavivamento espiritual.

Quando uma igreja chega ao ponto de abandonar sua confiança na inerrância e suficiência das Escrituras, seu destino é caminhar rapidamente para a destruição.

A teologia define o caráter e à medida que o pastor se afasta da teologia bíblica, automaticamente ele irá se afastar de Deus e seguir outra direção. Mudar a mensagem para agradar aos ouvintes é mercadejar a Palavra de Deus. Os bancos não podem controlar o púlpito. O pastor não pode ser seduzido pelas leis do mercado, mas deve ser um fiel despenseiro de Deus (1Co 4.1,2). O dever do pregador não é encher o auditório, mas encher o púlpito. Querendo as pessoas ou não ouvir a verdade, não temos que fazer marketing religioso e de falar apenas o que elas querem ouvir. A crise moral e espiritual está por demais enraizadas para ser solucionada com remendos superficiais. Por isso precisamos urgentemente reavaliar a nossa teologia, a nossa fé e o nosso ministério para não cairmos também no descrédito assim como muitos tem caído.

Notas:
[1] Venâncio, Norma Braga. A Mente de Cristo Conversão e Cosmovisão Cristã. Ed. Vida Nova, São Paulo, SP, 2012: p. 49.
[2] Lopes, Hernandes Dias. De: Pastor A: Pastor. Ed. Hagnos, São Paulo, SP, 2008: p. 22,23.

Fonte: blogueiroscristaos.blogspot.cbrom./2014/03/a-igreja-e-o-reflexo-do-seu-pastor.html 

sexta-feira, 14 de março de 2014

O BRASIL NÃO É MAIS UM CELEIRO MISSIONÁRIO

Por Leonardo Gonçalves


Conheci a Cristo no final dos anos 90. Minha experiência de conversão se deu em uma igreja batista recém-plantada na minha cidade. Meu batismo e minha experiência de discípulo começou no inicio do ano 2000, na igreja Assembleia de Deus. Eu vivi uma parte do movimento AD2000 (1) e da chamada  “Década da Colheita” (2), e de certa forma toda minha geração foi influenciada por estes movimentos.  Uma e outra vez, escutávamos a frase: “O Brasil é um grande celeiro de missionário”. Por nossa pequena igreja passavam alunos da “Missão Horizontes” falando sobre a janela 10/40 e sobre como o brasileiro gasta mais com Coca-cola do que com o Reino de Deus. Após o culto, nós doávamos aquilo que tínhamos para as missões. Lembro-me de um diácono pobre doando um relógio a um missionário que havia perdido o seu em uma viagem de barco na Amazônia. Lembro-me também de um amigo que constrangido pela necessidade da obra e sem nada para doar, tirou dos pés um par de tênis Nike e colocou sobre o altar, voltando para casa descalço depois do culto. A gente dava o que tinha, e não era por causa de alguma promessa de retorno financeiro (como nas campanhas dos televangelistas atuais), mas simplesmente por amor e desejo de ver o evangelho avançando entre as nações da terra. Os jovens da igreja (e eu era um deles) eram muito ativos: organizavam jograis e teatros com temas missionários, e muitos de nós queríamos ser pastores ou missionários. Hoje, vários daqueles jovens com os quais cresci são pastores, evangelistas, missionários, obreiros em suas igrejas locais, e estão envolvidos de alguma forma com a grande comissão.

UMA IGREJA QUE RESPIRAVA MISSÕES

Mas eu não consigo escrever este texto sem lágrimas nos olhos. Agora mesmo, sinto o peito doer e meus olhos se enchem de água ao me lembrar daqueles dias quando a gente vivia de maneira tão intensa, organizávamos vigílias, acampamentos de oração, visitávamos, evangelizávamos de verdade. Conheço um jovem em Cristo que aos 16 anos tinha uma rotina invejável: Ele fazia semanalmente visitas no hospital da nossa pequena cidade, e saia dali direto para o asilo contrabandeando doces e bíblias para os anciãos com quem passava parte do seu domingo. Por volta das 4 horas da tarde saia dali com outros meninos da sua idade, numa kombi velha da wolksvagen para realizar visitas em uma comunidade rural e "cooperar" com os irmãos de lá. As vezes a Kombi não vinha, e eles faziam o trajeto de 18 quilômetros de bicicleta. Quando chegavam a cidade novamente, era para tomar um banho e ir ao culto, ansiosos por ouvir a Palavra pregada e dispostos a participar, seja cantando, pregando, limpando ou fazendo qualquer outra coisa na igreja local. Durante a semana, ele e outros eram voluntários no “Desafio Jovem Liberdade” – centro de recuperação para usuários de drogas – muitas vezes saindo do trabalho direto para lá, para ensinar violão, passar algum tempo de comunhão com os internos e pregar no culto da noite. Esses rapazes respiravam missões.  

Na época, surgiam seminários com cursos rápidos, em média 2 anos, em regime de internato, onde a ênfase não era apenas preparar teólogos, mas obreiros. Trabalhavam-se questões como caráter, perseverança, domínio próprio, obediência, e grande parte das disciplinas do curso eram de viés missionário. Éramos confrontados com as biografias de William Carey, David Brainerd, Hudson Taylor, Adoniran Judson, George Miller, e nos inspirávamos neles. Criticava-se o modelo de seminário que formava apenas teólogos e falava-se muito em vocação ministerial. Escutávamos uma e outra vez que ser pastor é um dom e não uma profissão, e que o ministério é muito mais dar do que receber. O ponto alto das aulas era quando por lá passava algum missionário em transito, e contava as experiências vividas naquela terra desconhecida. Lembro-me de ter ouvido um desses missionários falando sobre o país dos Incas, e de como me senti desafiado pelo testemunho daquele jovem obreiro. À noite, enquanto orava por aquele país, discerni claramente a voz de Deus falando fortemente ao meu coração: “Eu te levarei ao Peru!”. Cai em pranto, sentindo um misto de temor e imensa alegria, pelo peso da responsabilidade e pela honra recebida. Sai do meu país em 2003, quando ainda se vivia a ressaca destes movimentos.

JOVENS QUE NÃO ALMEJAM O MINISTÉRIO

Hoje a igreja evangélica definitivamente não é a mesma. Ela nem sequer se parece com aquela igreja de 15 anos atrás. Cada vez que viajo ao Brasil, fico absorto com a secularização cada vez maior da igreja. Vejo uma igreja rica, muito rica, mas tremendamente ensimesmada. Em círculos tradicionais e na ala pentecostal clássica, pouco se fala em evangelismo e missões. Já os neopentecostais distorceram o conceito de evangelismo e missões transformando a igreja em uma pirâmide e implementando visões celulares das mais absurdas, substituindo paixão missionária por obediência cega a um líder autoritário. Se antes os jovens desejavam o ministério, a geração atual foge dele. É comum ver rapazes de moças de vinte e poucos anos com altos salários, comprando carros importados, fundando empresas, empreendendo e ganhando muito dinheiro. Os pastores destas igrejas sofrem, pois tem que se desdobrar em mil ofícios para atender as necessidades do rebanho, já que ninguém quer se envolver no ministério e sacrificar as horas de descanso para cuidar das necessidades alheias. Alguns poucos ainda ousam se envolver com missões, mas raramente em tempo integral. Ao invés disso, doam parte das suas férias para servir em algum país exótico, e passam 4 ou 5 dias visitando alguma igreja local,  e o resto das férias em alguma praia paradisíaca do Índico ou do Pacífico. Não trabalham nada, mas tiram umas quinhentas fotos com crianças locais e chegam a suas igrejas com testemunhos fantasmagóricos acerca de como salvaram o mundo em seis dias e ensinaram os pastores e missionários locais a pastorearem suas igrejas. 

MISSIÓLOGOS DE INTERNET QUE NUNCA SE ENVOLVERAM COM MISSÕES

O conceito de missão tem sido banalizado por uma geração hedonista mais preocupada com seus prazeres do que com glorificar o Cristo entre as nações. Para justificar sua falta de coragem para encarar o campo missionário, criam-se as mais distintas agencias missionárias, muitas das quais não enviam e nem sustentam nenhum missionário, dedicando-se apenas a recrutar voluntários para viagens de ferias, exatamente do tipo que mencionei no último parágrafo. Diga-se de passagem, o dinheiro gasto por uma equipe de voluntários de férias, se fosse doado integralmente a alguma missão séria que trabalhe entre os autóctones, daria para sustentar cerca de 10 obreiros durante um ano. Crer que 20 brasileiros em uma semana podem fazer um melhor trabalho que um obreiro nacional em um ano é um sofisma, mas parece ser este o pensamento predominante nessas missões recém-criadas no Brasil (as exceções conformam a regra).

Embora não estejamos mais tão engajados com missões transculturais, nunca tivemos tantos “ESPECIALISTAS” em missões! Meninos de vinte anos, com pouca ou nenhuma formação teológica, sem experiência de vida ou ministério e cujo maior esforço missionário foi falar de Jesus para o colega de classe, editam blogs e vlogs, dão opiniões e organizam conferencias missionárias onde eles mesmos são os preletores. Recentemente um desses palpiteiros da internet, um garoto de 20 anos, escreveu um livro sobre missões. Muita gente elogiou a atitude do rapaz e não encontrei ninguém, nem mesmo entre a velha guarda evangélica (que também é ativa nas redes sociais) para colocar freio na arrogância do moleque que escreveu suas 120 paginas sobre um assunto que ele nunca experimentou de fato. Há algum tempo recebi duas equipes de voluntários na cidade de Piura, onde desde 2008 temos desenvolvido alguns projetos missionários. Um dos rapazes que nos visitou, ainda nem tinha barba no rosto, mas logo se apresentou como consultor em missões. Segundo ele, varias igrejas no Brasil contam com seus conhecimentos de consultoria. Isso me parece estranho, se considerarmos que ele nunca foi missionário de fato, apenas participou de algumas palestras com ênfase na famigerada e pouco eficaz Missão Integral (3). Recebi deste garoto que nunca fez missões, diversos conselhos sobre como treinar meus obreiros e torná-los mais efetivos. Outros chegam já satanizando a cultura, tendo visões esquisitas acerca de demônios territoriais e correntes que estão aprisionando nossa igreja e missão, algo muito esquisito e sem bases bíblicas em minha opinião. 

UMA JUVENTUDE QUE QUER ENSINAR, MAS NÃO SE PRONTIFICA A APRENDER

Durante os dois últimos meses visitei varias igrejas no Brasil e por onde passei, desafiei pessoas para virem ao campo missionário no Peru, e o máximo que consegui foram uns garotos meio-hippies dispostos a vir salvar o mundo em uma semana e ensinar os pastores a pastorear suas igrejas. Todos os rapazes com quem falei queriam vir e ditar seminários, palestras, conferências, treinamento para pastores, e não atentavam para o ridículo das suas propostas, já que eles mesmos nunca pastorearam nem suas próprias famílias. No entanto, nenhum deles se mostrou disposto a passar ao menos um ano trabalhando de forma sistemática e fiel junto aos nativos, participando da vida, da luta e das dores do povo, compartilhando a comida e vivendo a verdadeira essência da missão. Todos queriam ensinar, ninguém estava disposto a viver. Todos queriam vir e impor; ninguém estava disposto a vir, viver e receber. Todos queriam formar obreiros, ninguém queria ser formado como obreiro. Todos queriam vir correndo e voltar; ninguém estava disposto a vir e permanecer. Cada um tinha uma visão diferente para a igreja peruana, mesmo sem ter conhecido de perto este campo missionário. Todos tinham receitas exatas para fortalecer o ministério local, mas ninguém queria servir no ministério. Muitos reis, nenhum servo. Como diria o pastor Kolenda, de saudosa memória, simplesmente “muito cacique para pouco índio”.

UMA IGREJA SECULARIZADA QUE NÃO AMA MISSÕES

Não posso dizer exatamente onde foi que a igreja errou (não se preocupem, deve ter algum conferencista de vinte anos capaz de decifrar este mistério!). Porém, mesmo sem saber exatamente, acredito que alguns fatores são visíveis e fáceis de discernir: economia estável, bons empregos, oportunidade de fazer duas, três, quatro faculdades, anos de pregação antropocêntrica que exclui o sacrifício como parte da experiência cristã, tudo isso contribuiu para uma horrível secularização da igreja. Se eu fosse dispensacionalista, não teria dificuldade em aceitar que a igreja está vivendo a “Era de Laodicéia”. A igreja de Laodiceia e a igreja brasileira são irmãs: As duas são ricas materialmente, ensimesmadas, autossuficientes. As duas estão corroídas pelo pecado, empobrecidas de galardão e cegas quanto a sua real situação.  Se há algumas décadas dizia-se que o Brasil era um celeiro de missões, hoje tenho certeza que este título deve pertencer a algum outro país: China, Índia, Coreia do Sul, talvez... Mas definitivamente, esse título já não se pode aplicar ao Brasil.

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Leonardo Gonçalves é missionário há 11 anos. Neste período ajudou a plantar e consolidar igrejas no Brasil, Argentina (Patagônia e província de missiones), e no norte de Peru. Desde 2008 vive na cidade de Piura, envolvendo-se na plantação de 7 igrejas autóctones. O Projeto Piura sustenta hoje 6 obreiros autóctones e ajuda a 60 crianças provindas de comunidades carentes do Peru.

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NOTAS:

1. O Movimento Ano 2000 (AD 2000) surgiu de uma reunião em janeiro de 1989, em Singapura, onde foi realizada uma Consulta Global de Evangelização Mundial para o ano 2000 e Além. Esta consulta deu origem ao movimento denominado AD 2000, cujo enfoque eram os povos não alcançados da chamada ‘janela 10/40’.


2. A Década da Colheita foi o resultado de um encontro de líderes das Assembleias de realizado nos Estados Unidos, em 1988. Foram também estabelecidas metas bem claras para a AD no Brasil, para serem alcançadas até o ano 2000: (1) Levantar um exército de três milhões de intercessores; (2) Ganhar 50 milhões de almas para Cristo; (3) Preparar 100 mil obreiros dispostos a trabalhar na seara do Mestre. (4) Estabelecer 50 mil novas igrejas em todo o Brasil; e (5) Enviar novos missionários para outras nações.

3. Não é que eu me oponha totalmente a Missão Integral. Minha crítica a este movimento pode ser resumida em poucos pontos: (1) A terminologia Missão Integral é, por si, uma redundância. Se é missão cristã, deve ser integral, e se não for integral (no sentido de total), não é missão. (2) Os promotores da Missão Integral no Brasil parecem se inspirar mais no marxismo do que na Bíblia. Um dos líderes desse movimento chega a apresentar o comunismo como uma ideia bíblica de comunidade. Ora, confundir comunidade cristã com uma ideologia que foi responsável por milhões de mortes no mundo, incluindo muitos cristãos, é uma boçalidade. (3) O discurso da Missão Integral tem servido de plataforma política para ideias esquerdistas, e sua super-ênfase no social tem levado alguns a pregar um conceito que beira a salvação pelas obras, algo abominável do ponto de vista bíblico. (4) Nunca vi um leprosário criado ou mantido por adeptos da Missão Integral.
fonte: http://www.pulpitocristao.com/2014/03/o-brasil-nao-e-mais-um-celeiro.html#.UyLtYPldUmM

terça-feira, 11 de março de 2014

E AÍ, VOCÊ É FILHO DA "GERAÇÃO QUE DANÇOU"?



Por Livan Chiroma
Prometiam uma “Nova Unção”. Há cerca de 20 anos o campo religioso evangélico brasileiro estava praticamente estático. O costumeiro declínio numérico das igrejas históricas e o crescimento quantitativo das igrejas neopentecostais, ambos inevitavelmente demonstrado nas estatísticas. 

Era inicio dos anos 2000 e os movimentos do tabuleiro evangélico dos próximos anos já pareciam definidos: Caio Fabio, fundador da AEVB (Associação Evangélica Brasileira) havia se retirado do Brasil. Durante muito tempo ele foi o opositor ideológico da IURD (1977). A Associação foi soerguida para criar polaridade às organizações neopentecostais, que ganhavam poder político e econômico e inseriam a Teologia da Prosperidade nas igrejas brasileiras. No entanto, Caio foi acusado de envolvimento com o “Dossiê Cayman”, além de cometer o “pecado abominável número 1″ dos evangélicos, o pecado moral de um relacionamento extra conjugal. Foi execrado pela opinião pública evangélista. A AEVB se fragmentou. Isto aconteceu em 1998. 

No início dos anos 2000, na mesma Igreja Batista que catapultou o cisma na Convenção Batista Brasileira (CBB) (nascendo a Convenção Batista Nacional – 1965), emergiu uma “nova unção” para o Brasil. Márcio Valadão, pastor da Igreja Batista Lagoinha, havia enviado seus filhos para uma temporada no instituto Christ For The Nation, Ana e André foram treinados teologicamente como avivalistas e no movimento da “Chuva Serodia”. O movimento carismático Later Rain afirmava que a geração contemporânea seria uma “geração escolhida”, portanto receberia uma “chuva fora do tempo”. Chuva de bençãos, de prosperidade e do avivamento. 

Aos que viveram o protestantismo nos anos de 1990, só o advento do grupo Vencedores Por Cristo havia provocado tamanha onda transformadora cultural, sobretudo na área musical. O VPC rompeu barreiras musicais, inserindo o rock e ritmos brasileiros no protestantismo evangélico e apresentou às igrejas brasileiras um louvor congregacional destoante dos hinos do séc XVI-XIX até então padrão na maioria dos cultos evangélicos. Mas isso foi nos anos 70. Como o retorno de Ana Paula Valadão ao Brasil, a cantora e filha do pastor principal da Igreja da Lagoinha passa a liderar os momentos musicais junto à uma das bandas que conduziam adoração nos cultos da Igreja Batista da Lagoinha. Conforme seu relato, tem uma visão: durante um banho, envolta à água e as espumas do chuveiro, antevê, em sua profecia particular, que o Brasil seria banhado por uma onda de despertamento espiritual. Este evento fundante alavanca a gravação do primeiro CD da banda, que até então era simplesmente um grupo que entre outros que ministravam os momentos litúrgicos nos cultos da IBL. Produzido e masterizado no exterior por Randy Adams, o CD explodiu em vendas. A escolha de Adams foi certeira e trouxe um padrão sonoro e de masterização de alta qualidade dificilmente encontrada nas produções evangélicas nacionais. A compra dos direitos da canção “Shout to the Lord“, composta por Darlene Zschech, líder do ministério cristão australiano “HillSong” impulsionou a fama do grupo. “Shout to the Lord” era um sucesso garantido e o grupo “Diante do Trono”, já em seu primeira investida fonográfica, alcança destaque nacional. 

Liderado por Ana, o grupo “Diante do Trono”, vendeu mais de 10 milhões de CDs e, concomitante à atuação fonográfica, impulsionou diversas novas linhas teológicas e eclesiologias pelo Brasil. Este ministério evangélico não só foi o maior catalisador musical do movimento gospel durante os anos 2000 como protagonizou uma segunda onda cultural na música cristã evangélica brasileira. Os protestantes históricos, urbanos e pós modernos, não vivenciavam outros horizontes litúrgicos por décadas. Agora seria diferente. As igrejas pentecostais e históricas estavam culturalmente estáticas, sem grandes alterações morfológicas e gramaticais e, apesar de certas tentativas para alterar o desenho das igrejas protestantes como a “Igreja com propósito”, “Rede Ministerial”, estes sistemas eclesiásticos soavam, para a maioria do grande público, gerenciais e americanizadas demais – tais fiéis históricos tinham um novo paradigma – a “nova unção”, operando principalmente através da música gospel e o sistema de igreja em células, que disciplinava os membro das igrejas à “ganhar, consolidar, treinar e enviar”. 

Na carona do DT veio o G12 – sistema de células – criado 10 anos antes, em Bogotá. No inicio da década passada foi uma enxurrada de pastores históricos e pentecostais aderindo ao sistema, nem sempre com respeito à suas denominações e membresias. Os crentes tradicionais ficaram confusos. O que estaria acontecendo quase que “do dia pra noite”? 

Em dez anos o deslocamento cultural foi efetivado – os antigos grupos musical das igrejas locais protestantes realizaram uma repaginação estética e estrutural/teológica. Igrejas perdiam membros e o solo se moveu de maneira sem precedentes, uma verdadeira hemorragia e circulação dos membros, em direção às igrejas “avivadas”. Ouvi-se sobre “a igreja onde as pessoas caem no chão, em êxtase” (fenômeno “reciclado” dos anos de 1960. Porém o fenômeno, que em um período anterior, era experimentado em esfera privada, discretamente, a partir de sua versão contemporânea, era exposto midiaticamente pelos famosos artistas gospeis durante suas apresentações, virou “hit”). Em um Brasil pós ditadura militar e com o amadurecimento do neoliberalismo, cuja transversalidade influenciava outros setores estruturantes para além da economia, os sujeitos agora podiam operar suas próprias escolhas. A liberdade religiosa possibilitou o intenso trânsito das saberes do sagrado – sair de suas denominações familiares para outras (ou até, migrar para outras religiões não herdadas), mais modernas e conveniente, não era mais considerado como tabu ou afronta à religião dos pais. 

Nesta onda surgiram novos grupos, novas teologias, novas “moveres”. Toneladas de novas bandas e pastores midiáticos. Também neste movimento o líder de adoração foi elevado ao status de um pastor. Considerados “levitas” que podiam “ministrar” ou seja, antecediam casa canção com uma pequena pregação. Antes o estreitamento com as escrituras era condicionado ao Pastor protestante (Para o pós moderno a experiência proporcionado pela arte e pelos sons pode ser mais interessante que ouvir um sermão explicativo da bíblia ou frequentar um classe de catequização – a catarse emocional como elemento de transcendência, que era comum ao pentecostal desde o início do século XX, penetrava o culto do protestante histórico, em uma espécie de “pentecostalização tardia”, o êxtase tornava-se também régua na mensuração da espiritualidade do protestante comum/histórico). A experiência emocional cúltica definitivamente tornou-se sobrepujante à reflexão racional. O que os crentes assistiam no DVD ou no show gospel precisava ser repetido em suas igrejas locais e nem sempre a cultura eclesiástica local suportava tamanha e rápidas mudanças de paradigmas. Hoje praticamente todas as denominações não católicas, tem em seus repertórios, ao menos rabiscos desta Cultura Gospel, tornando-se quase dominante à todos os viéses evangélicos. 

Dificilmente alguém, sendo evangélico nos anos 2000, não ter ouvido sobre os grupos musicais Filhos do Homem, Casa de Davi, Santa Geração, Vineyard, David Quilan, Ludmila Ferber e muitos outros. Nesta mesma época muitos acessaram novos arsenais espirituais para eu cardápio: Vigílias no Monte, “mantras gospel”, unção com óleo, cânticos espontâneos, shofares (uma espécie de “berrante”), batalha espiritual, demônios territoriais, etc; anteriormente esses elementos eram observadas em redutos específicos, a partir desta virada, popularizaram-se e, em muitos casos, tornaram-se fundamentais na experiência comunitária do culto cristão. Falava-se em uma “judaização do cristianismo brasileiro”. 

Costumes como “cair na unção”, atos proféticos, ser “pai de multidões”, surgiram no léxico do campo religioso protestante. Uma interpolação do antigo e novo testamento. Era um movimento tectônico poderoso de carga simbólica intensa. Para se entregar ao “novo mover”, os crentes precisavam transformar suas próprias biografias religiosas. A entrega ao “irracional”, ao “sobrenatural” era necessária e muitos “históricos” (batistas, presbiterianos, metodistas, …) “desde o berço”, através da inserção de suas comunidade aos novos vetores, realizavam estas metamorfoses ou, pelo menos, simulavam. Era preciso para “estar na visão”, embora muitos “lá no fundo” relutavam em entrar na onda, no entanto, com a adesão de suas igrejas e pastores ao neo carismatismo protestante, abdicaram da teologia conservadora, do estudo da bíblia como padrão de fé e confiaram suas pertenças religiosas à estas “novas visões”, principalmente adquiridas em congresso, CDs e literaturas que se espalhavam pelo Brasil. 

Muitos se decepcionaram com estas promessas. Milhares, talvez milhões. Nesta movimentação, diversas comunidade resistiram à tentação do crescimento rápido, da evangelização fast food, propostas pelas novas técnicas. Muita gente bem intencionada, pastores e lideres mais conservadores, equilibrados, souberam realizar esta transição cultural com respeito. Outros não. Muitos dos quais decidiram fechar os olhos e lançarem-se aos novos movimentos, forçados pela pressão de grupos à “falarem em línguas”, ser “líder de multidões”, etc; hoje, após o desgaste dentro destes movimentos, optaram pelo desligamento, junto a muitos de seus membros. Recentemente ouvimos falar sobre os desigrejados, evangélico sem igreja, aumento do número daqueles desafeitos às lógicas evangélicas. Também, pessoas com sérios problemas psicológicos propiciados por abusos de pastores e lideres gananciosos. A lista é grande… 

Há de se discernir o “joio e o trigo”. Algumas comunidades “decantaram” todo o movimento, assimilaram coisas e descartaram excessos. Além disso a onda diminuiu e formarem-se algumas ilhas, regiões do “avivamento”, como Belo Horizonte (sede do ministério Diante do Trono) e Manaus (“capital” do G12, sede do ministério de Renê “TerraNova”). Também as igrejas afins formaram redes e alianças, mais fios e traços dentro do complexo mapa religioso brasileiro. Concluo sugerindo que a geração que dança está passando, os jovens e adolescentes à época, tornaram-se adultos, com maior senso crítico e de avaliação de significados. Ainda não há sinais de uma nova onda tão significativa, ou então, tornou-se a grande onda fracionada em diversas outras vagas? 

E 10 anos depois? Como estão os filhos da “Geração que dança”?
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Livan Chiroma é Comunicólogo, Teólogo e Antropologia Cultural (graduando-Unicamp). Mestre em Ciências da Religião. Áreas: Antropologia, Sociedade, Cultura, Mídia e Religião. http://www.pulpitocristao.com/2014/03/voce-e-um-filho-da-geracao-que-dancou.html#.Ux8NFPldUmM