quarta-feira, 24 de setembro de 2014

CULTO VIRA COMÍCIO E PASTOR MANDA POVO REPETIR NOME DE CANDIDATOS DA IGREJA

Pastor da Assembleia de Deus do Brás pede que fiéis repitam várias vezes o nome de um candidato.

Já passa das 17h45, e o Culto da Família começa em mais um domingo na Assembleia de Deus do Brás - Ministério Madureira (ADBrás), na zona leste de São Paulo. Do lado de fora, muita gente ainda chegando: homens, mulheres, idosos, crianças. Depois de subir as escadas, já dentro do templo, uma funcionária faz um sinal com a mão e diz: “Posso fazer uma pesquisa com você? Em quem você vai votar?”, pergunta, exibindo um formulário onde o fiel pode indicar suas escolhas para senador, deputado federal e deputado estadual. “É só para a gente saber como está o desempenho do pastor aqui da casa”, explica a mulher à reportagem.

O candidato a quem ela se refere é o pastor Cezinha (Cezar Freire), que concorre a uma vaga de deputado estadual pelo DEM. Dentro da igreja, os cerca de 5 mil assentos vão ficando ocupados. Nas cadeiras vazias, junto aos envelopes de “dízimo” e "oferta", os fiéis encontram uma espécie de cartão-postal do presidente da ADBrás, pastor Samuel Ferreira, sorridente ao lado de sua mulher, pastora Keila Ferreira. No verso, uma mensagem sobre “um momento muito importante, as eleições”: “O Cezar hoje é projeto de Deus e de nossa comunidade e precisamos dele na Assembleia Legislativa de São Paulo”, diz o texto, que continua com uma mensagem de “vote”, seguida do nome e do número do candidato.

Além de Cezinha, o santinho pede votos para o deputado federal Jorge Tadeu, também do DEM, que concorre à reeleição. “Apresento-lhe também nosso irmão Jorge Tadeu, para deputado federal. Com ele em Brasília teremos a certeza da defesa e luta pelos nossos ideais”. E então o fiel é informado sobre o número do candidato na urna, não sem antes receber uma nova mensagem do pastor Ferreira: “Peço a você que nos ajude agora com seu voto e sua influência junto aos seus familiares, amigos e conhecidos para conseguirmos mais votos” (veja reprodução do cartão no final da matéria).

A legislação eleitoral proíbe “a veiculação de propaganda de qualquer natureza” em “bens de uso comum” (estádios de futebol, bares, restaurantes, cinemas e igrejas, por exemplo), e o desrespeito à lei pode gerar multa de R$ 2 mil a R$ 8 mil. Para especialistas em direito eleitoral, o material assinado pelo pastor Ferreira configura propaganda irregular.

“O pastor não pode colocar a igreja a serviço da campanha eleitoral de ninguém. Quem está sujeito à multa, neste caso, é o pastor. Se ficar comprovado que os candidatos tinham conhecimento, todos devem pagar”, diz o advogado Arthur Rollo. “Além disso, vão para o inferno”, brinca.

Comício velado Por volta das 19h, o pastor Samuel Ferreira, que conduz o Culto da Família, diz aos fiéis que quer apresentar “um cara muito simpático, de uma família tradicional, filho de um desembargador do Tribunal de Justiça, que ajuda a igreja em momentos de dificuldade”, e então convida Guilherme Sartori para se juntar a ele. O jovem se levanta de uma cadeira no próprio palco, onde estava sentado com a noiva e a mãe, e ouve com atenção tudo de bom que o pastor tem a dizer a respeito dele e de sua família.

Comício velado Por volta das 19h, o pastor Samuel Ferreira, que conduz o Culto da Família, diz aos fiéis que quer apresentar “um cara muito simpático, de uma família tradicional, filho de um desembargador do Tribunal de Justiça, que ajuda a igreja em momentos de dificuldade”, e então convida Guilherme Sartori para se juntar a ele. O jovem se levanta de uma cadeira no próprio palco, onde estava sentado com a noiva e a mãe, e ouve com atenção tudo de bom que o pastor tem a dizer a respeito dele e de sua família.

“Quem é esse rapaz?”, pergunta a reportagem para uma fiel que repetia o nome de Sartori. “Não sei direito. Filho de juiz, né?” Em um acesso rápido ao Google, a explicação: Guilherme Sartori é candidato a deputado federal pelo PTB.

Em nenhum momento o pastor Ferreira ou o próprio Sartori contaram aos fiéis que quem estava ali era um candidato. Depois de ser apresentado pelo pastor, Sartori afirma, em discurso, que se coloca à disposição da igreja e dos fiéis porque "quando a gente está na Justiça a gente ajuda a família brasileira" (veja vídeo).

Dias depois, em entrevista por telefone, Sartori disse que ver os fiéis repetindo seu nome não lhe causa constrangimento algum. “Constrangimento por quê? Ele (pastor) é meu amigo, fui apresentado como amigo. Sou uma pessoa boa, que quer ajudar as pessoas, ajudar o País. Não tem constrangimento nenhum”, declara. “Não pedi voto, não fiz panfletagem. Isso é antiético, não se pode fazer isso (na igreja)”, continua, para então admitir o objetivo eleitoreiro da visita. “Como eu sou jovem, tenho que ir (ao culto) para fazer o meu nome ser conhecido. A gente é muito ético. Fica difícil concorrer com esses candidatos que têm muito dinheiro", encerra Sartori.

Para o advogado Guilherme Gonçalves, o episódio em que o pastor convida os fiéis a repetirem o nome do candidato em uma espécie de mensagem subliminar pode ser interpretado como propaganda eleitoral irregular. “É uma estratégia para fixar o nome do candidato, é uma forma de propaganda”, diz o advogado. Já Arthur Rollo entende que “não é vedado, mas antiético”. “É um fato atípico, porque não tem material. Mas é claro que fazem isso com o objetivo de conseguir votos. Então não configura ilícito do ponto de vista eleitoral, mas, do ponto de vista ético, é absolutamente condenável. E do ponto de vista religioso também”, conclui.

FONTE: https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3439065023362643567#editor/target=post;postID=1204213956016866632
 

7 comentários:

Alberto Couto Filho disse...

Amigão
Paz

Pronunciei-me sobre este lamentável fato em minha mais recente mensagem em que opino sobre o condenável "VOTO DE CAJADO". O título da mensagem é INTERAÇÕES, DIÁLOGOS, CONSCIÊNCIA, POLÍTICA.
Muitos púlpitos de igrejas foram transformados em currais eleitorais. Pena é que o fato tem colocado muito crente pra fora das igrejas. A propósito...eu sou um desses.
Abraça-te, com carinho o
Alberto

Newton Carpintero, pr. e servo. disse...

Caro pr. Guedes,

Paz amado!


Estou envergonhado por causa de líderes que profanam o púlpito para a arrecadação de votos para seus "amigos" políticos.

Basta desta vergonhosa opção "embrulhada" pelos interesses seculares.

Não creia que um servo de Deus... verdadeiramente envolvido com a causa do evangelho, permite ou permitirá, o abuso e, à entrega do púlpito, aos profissionais da política, que nada possuem de verdadeiro e de santidade, ou que os definam, como verdadeiros defensores do evangelho.

O Senhor procura uma igreja que não se misture com o mundano, e que, não confie em homens sem escrúpulos e interesseiros. Líderes que não estejam à venda ou prontos para qualquer tipo de troca de vantagens em negociações entre paredes.

Basta! Não podemos admitir esta verdadeira barbaridade nos locais construídos para os encontros de aprendizado da Palavra e a proclamação de louvores ao Deus Criador, conhecidos como igrejas. Dois, três ou mais reunidos, em nome de Jesus Cristo, nos permite, declarar que somos a igreja do Senhor.

Somos o Templo em que o Espírito Santo deseja habitar. A verdadeira igreja, se respeita e procede com cuidado para não desagradar ao Senhor com qualquer tipo de politicagem, ou qualquer tipo de malandragem, para conseguirem empregos para seus seguidores.

A verdadeira igreja segue com atenção o escrito no livro de Mateus 18:20:

"Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles".

Basta de politicagem. Basta dos eventos entre políticos e líderes fanastrões em prédios(igreja) ou igreja(prédios), que transformam em lodo a moral dos que se entregam a produzir valores dignos de serem chamados servos.

Aproveito para informa com temor e tremor que a tal Marcha para Jesus, não passa de ativismo político e interesseiro produzido por líderes que esqueceram do verdadeiro evangelho!

Basta de fanfarra!

Maranata!

O menor de todos os menores. Um Tradicional Pentecostal.

Anônimo disse...

Bom dia pastor Guedes, acho lamentavel um ato destes, mas é só o que vemos nas igrejas. Até na minha igreja está deste jeito...cheguei a conclusao que vou votar nulo.
Complicado pedir votos na igreja, acho que ela esta perdendo a funcao para a qual foi criada. Enfim, deixo aqui uma simples opinião. Obrigada.

Anônimo disse...

Olá sr. Alberto gostaria de dizer que tb mudei de igreja porque acredito que estas coisas nao devem se misturar. Imagina se Jesus estivesse aqi na tera e visse isso...o que Ele faria?

Repop disse...

Minha nova música dedico a vc amigo Guedes, que vive de verdade as palavras de Jesus - https://www.youtube.com/watch?v=mZofoeEM2oY

George Viana-Manox disse...

Caro pastor Guedes. Um candidato a deputado estadual, sendo este um pastor de uma igreja assembleia de Deus e o seu pastor presidente pedindo votos aos assembleianos e mandando a juventude fazer campanha para o candidato, está correto?

Mas veja, o pastor presidente defende o candidato, informando que ele é integro, que o conhece a muitos anos e que ele irá trazer benefícios também a igreja e a comunidade se eleito for.

O que me diz?

Pastor Guedes disse...

Caro George, a Paz!

Obrigado pela visita e pelo comentário.

Penso que sei de quem que você está falando e acho lamentável que essas coisas aconteçam. Uma das piores coisas que existe é uma contradição registrada historicamente.

Pessoas que no passado juraram não se envolverem em política, agora saem em outdoors, adesivos de carros e até na propaganda política na TV ao lado de um candidato "inventado" às pressas. Inclusive, por isso não foi eleito: pela contradição.

Abraço.