domingo, 31 de março de 2013

RICARDO GODIM DIZ QUE PREGAÇÃO DE MARCO FELICIANO É RACISTA E DEFENDE SUA RENÚNCIA.


Pregação de Feliciano é “racista”, afirma pastor e teólogo
A permanência do pastor Marco Feliciano no cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara desgasta a imagem do mundo evangélico no País, provoca constrangimentos e rejeições. A  atitude mais lúcida diante do impasse seria a renúncia imediata.
Quem faz essas afirmações é o também pastor evangélico Ricardo Gondim, teólogo, mestre em ciências das religião e líder da Igreja Betesda. Na entrevista abaixo, ele também critica as declarações feitas por Feliciano de que a África e seus habitantes seriam amaldiçoados por Deus. Tal tipo de  teologia, segundo Gondim, é racista e fundamentalista na sua essência.
Gondim, que tem 58 anos, passou pelas igrejas Presbiteriana e Assembleia de Deus, antes de se vincular à Betesda, que em hebraico significa “lugar da misericórdia de Deus”. No ano passado ele rompeu com parte do movimento evangélico, após ter sido atacado e chamado de herege, por suas críticas à chamada “teologia da prosperidade”. Ele tem dito que o Deus da Bíblia não deve ser visto como um sádico que se compraz em amaldiçoar os homens, mas sim como parceiro deles.
O pastor também defende o direito dos gays ao casamento civil: “Numa sociedade que se pretende laica, é assim que deve ser.”
Como pastor, de que maneira analisa a polêmica que envolve Marco Feliciano e a Comissão de Direitos Humanos?
Fico muito constrangido com o que está ocorrendo.
Acha que as críticas a ele são dirigidas a todo os evangélicos? Ele fala em cristofobia.
O Marco Feliciano se apresenta como representante não só do mundo evangélico, mas de todo o protestantismo. Na verdade, ele pouco representa das tendências protestantes. Foi eleito por um segmento muito alienado politicamente. Candidatos como ele são eleitos, geralmente, para se tornarem os representantes de sua igreja no parlamento. Eles se preocupam mais com os interesses da igreja do que com as questões que dizem respeito a todo o País.
 A que atribui o antagonismo com grupos que defendem os direitos humanos? 
Ele se antagonizou com o Brasil porque expressou pelo Twitter e, depois, num culto, opiniões sobre a questão dos negros. Disse que são descendentes da parte amaldiçoada dos filhos de Noé, os filhos de Cam. É interessante observar ele não criou nada ao fazer tais afirmações. Essa teologia é muito antiga, muito anterior a ele, persistindo até hoje em alguns poucos segmentos fundamentalistas. Ela tem origem entre os colonialistas, que dividiam o mundo em três áreas – o ocidente, o oriente e o sul. Nesta última teriam ficado os possíveis descendentes do personagem bíblico, os amaldiçoados. O Feliciano lucra em cima dessa teologia, fatura em cima dela, mas não acrescenta nem desenvolve nada. É apenas o porta-voz de um grupo que, no atual contexto religioso, ainda replica argumentos usados por países colonialistas para a dominação e exploração dos mais pobres, especialmente na África. Isso é muito triste.
Diria que é uma teologia superada, fora de uso?
Não. Ainda é usada por setores de direita, ultraconservadores. Em 2010, o tele-evangelista americano Pat Robertson, dono de um canal de televisão, disse que a grande tragédia provocada pelo terremoto no Haiti naquele ano era decorrente de um pacto que os haitianos haviam feito com o diabo, quando lutavam para se livrarem do jugo da França e se tornarem independentes. Em outras palavras, em 1804 eles venderam a alma ao demônio, que veio cobrar a dívida agora, dois séculos depois. A manifestação de Robertson foi uma asneira, uma estupidez que provocou manifestações de repúdio em amplos setores da sociedade americana. Mas ele não estava falando sozinho. Ainda existem segmentos, dos quais Marco Feliciano faz parte, que repetem esse tipo de coisa, que defendem a relação entre causa e efeito, a maldição das pessoas pela divindade que tudo ordena e orquestra, como se nossas escolhas, decisões e articulações sociais não interferissem nos resultados. Trata-se de um simplismo cruel e inútil.
É o que pregam nas igrejas?
Sim. Enquanto o Marco Feliciano dizia essas coisas num círculo religioso restrito, era bem recebido pelos seus pares. Tem uma expressão que define isso da seguinte maneira: “Quando você prega para o coral, é bem aceito por ele.” Ao se tornar um homem público, porém, o discurso dele transbordou, extravasou o espaço religioso e se tornou passível de crítica pela sociedade civil.
É possível afirmar que o discurso dele é racista?
É racista na sua essência. Nasceu do racismo, dos interesses coloniais de menosprezar e demonizar o negro para justificar a sua exploração.
Esse discurso não parece mais próprio dos Estados Unidos, onde a integração racial ainda incomoda alguns setores?
Não se deve esquecer que as lideranças evangélicas no Brasil estão se orientando basicamente por autores norte-americanos. 
Há pouco mais de meio século, quando se debatia o casamento interracial no Estados Unidos, grupos conservadores diziam que era proibido pela Bíblia.
Na época em que morei nos Estados Unidos e viajei pelo sul daquele país, fiquei impressionado com a forma como o movimento evangélico ainda está dividido, segregado do ponto de vista racial. Negros e brancos ainda congregam em igrejas diferentes. Certa vez acompanhei um pastor que havia ido a um hospital visitar uma pessoa muito doente. Durante a visita, ele disse ao doente que há muito tempo não o via na igreja e que estava interessado em saber o motivo daquele afastamento. Ele respondeu que não ia mais porque a igreja estava sendo frequentada por negros. O pastor quis amenizar, dizendo que os negros também são filhos de Deus, mas o doente retrucou na hora que negros não têm alma. Ainda perdura ali a ideia de que o negro é um cidadão menor.
Como analisa essa ideia de maldição sobre um continente inteiro?
Além de inoportuno, é um discurso de um simplismo político absurdo, inadmissível para um deputado. Ele desconsidera que o continente africano, apesar de retalhado e dividido politicamente pelos países colonialistas, ainda abriga milhares de nações, etnias, dialetos, culturas. Quais delas são as amaldiçoadas? De qual povo ele está falando? Qual etnia? Eles não constituem um bloco único como quer o deputado.
Na sua avaliação, não existe mesmo a possibilidade de o deputado estar sendo atacado pelo fato de ser evangélico?
As declarações dele são inaceitáveis independentemente do fato de ser evangélico. Qualquer pessoa que dissesse o que ele disse enfrentaria problemas. Isso não quer dizer que a associação que se faz entre Feliciano e o mundo evangélico seja ilegítima, porque, como já disse, existem segmentos que repetem e ensinam essa teologia. Nas vezes em que me manifesto sobre isso, sempre aparecem pessoas me questionando: mas isso não está escrito na Bíblia? Não é uma verdade bíblica?
Não acha estranho esse tipo de teologia ter seguidores no Brasil?
Acho. Mas não se pode esquecer que aqui também temos os skinheads. O único país do mundo que não poderia ter ações desse grupo é o Brasil, mas nós temos.
E quanto às restrições do deputado aos gays?
O Congresso deve tratar a questão como uma demanda civil. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis e, na minha opinião, as demandas civis de qualquer grupo precisam ser contempladas pela sociedade e seus órgãos de representação. Um exemplo: foi aprovada agora uma série de leis trabalhistas que valorizam o trabalho das domésticas – o que era uma demanda justa. Todas as demandas justas precisam ser contempladas sem a necessidade de moralização exacerbada do debate. Não existem grupos que estão acima de todos os outros.
Acha que o Supremo Tribunal Federal acertou quando reconheceu os direitos dos gays?
Sim. O Supremo foi de uma felicidade extrema quando olhou para a questão homossexual de forma isenta, livre de qualquer pressão, tanto da Igreja Católica como de grupos protestantes e evangélicos. Numa sociedade que se pretende laica, é assim que deve ser. O Sérgio Buarque de Holanda já disse que o Estado não é um desdobramento maior da família ou de grupos de interesses. O Estado tem que se distinguir, tem que legislar à parte, porque não se trata de uma família grande. Se não for dessa maneira, o Brasil cai no patriarcalismo, fica sob o controle de oligarquias patriarcais, que irão legislar a partir de seus interesses, para que eles prevaleçam sobre todos. A questão gay deve ser contemplada pela sociedade civil como a reivindicação de um grupo que busca tratamento igual perante a lei.
Feliciano deve renunciar ou permanecer no cargo?
Deve renunciar logo. A teimosia dele em permanecer no cargo vai trazer prejuízos enormes para o grupo que pretende representar. O desgaste para o mundo evangélico já é patente. Existe o risco de rejeição ao grupo. Se ele realmente se vê como representante do mundo evangélico no parlamento, a renúncia seria a atitude mais lúcida diante do atual estado de coisas.
Fonte: Estadão e a Pedra

quarta-feira, 27 de março de 2013

JOSIAS DE SOUZA DIZ QUE MARCOS FELICIANO FAZ POSE E QUE POLÊMICA LHE INTERESSA, POIS DÁ VOTOS. O QUE VOCÊ ACHA?


Diz-se que a oportunidade só bate à porta uma vez. De olho no brocardo, Marco Feliciano (PSC-SP) faz dos seus antagonistas uma oportunidade a ser aproveitada. Há 20 dias, o deputado-pastor era um invisível membro do chamado baixo clero da Câmara. Hoje, é um personagem de projeção nacional.
Desde que foi guindado à presidência da Comissão de Direitos Humanos, em 7 de março, Feliciano degusta os protestos dos que o chamam de homofóbico e racista. Enxerga as manifestações com uma visão utilitária: muito mais ainda será muito pouco; um pouco menos já será demais.
Feliciano reage à insatisfação dos seus rivais com uma sucessão de poses. Ao acordar, defende a família brasileira no Twitter. Faz pose de defensor da moral. Antes de dormir, critica o casamento gay num dos cultos de suas igrejas. Faz pose de guardião dos bons costumes.
O que distingue o Feliciano de hoje do Feliciano de duas semanas atrás é a audiência. Cúmulo da ironia: a pretexto de combatê-lo, os adversários do deputado-pastor potencializaram-lhe a plateia. Agora, a grande pose de Feliciano não é para a os vizinhos, a igreja ou a bancada evangélica. Nada disso.
Fernanda Montenegro e Camila Amado beijam-se em ato anti-Feliciano
O deputado-pastor capricha na chapinha do cabelo e põe o seu melhor terno, a sua melhor gravata e as suas melhores pregações para gente como CaetanoVeloso, Fernanda Montenegro, Wagner Moura… Na segunda-feira, os astros juntaram-se às 600 pessoas que gritaram para Feliciano em ato de repúdio no Rio: pede pra sair.
No mesmo dia, a bancada do PSC reunia-se na Câmara para informar que Feliciano fica. Na véspera, em entrevista à ex-BBB Sabrina Sato, o “perseguido” dera de ombros para os “perseguidores”. Deixar a presidência e o paredão da comissão? “Só se eu morrer!”, dramatizara.
Esperteza suprema: apóstolo de si mesmo, Feliciano serviu-se  das câmeras de uma arena pagã, o Pânico na TV, para posar diante da multidão de votos pentecostais como um pós-cristão lançado às feras da pós-modernidade –leões metafóricos de uma era de permissividades.
Retorne-se, por oportuno, ao primeiro parágrafo. Os adversários de Feliciano ainda não se deram conta. Mas tornaram-se uma oportunidade que o deputado-pastor aproveita. Para Feliciano, não importa que a reação seja seja política, que o protesto seja homossexual, que a manifestação seja negra. Importa apenas que o teatro continue. Aos olhos de Feliciano, a confusão tem cara de voto.
fonte: http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2013/03/27/feliciano-resiste-porque-confusao-lhe-interessa/

segunda-feira, 25 de março de 2013

RESGATANDO A ESSÊNCIA DO EVANGELHO




Por Pastor Guedes

RESGATANDO A ESSÊNCIA DO EVANGELHO

O Evangelho é boas novas ou notícias alvissareiras. O arauto era um representante do rei enviado às províncias para anunciar ao povo as boas novas do reino. O profeta João Batista foi o arauto do Reino de Deus, anunciando uma nova visão e uma nova ética. A mensagem do reino em sua versão mais completa seria entregue pelo próprio rei, que ora vinha também na qualidade de profeta: Jesus de Nazaré. Vemos essa ética até mesmo na ocasião de seu batismo quando João alegou que precisava ser batizado por Ele, todavia, depois de insistir, cedeu aos argumentos do batizando: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça”. 


Não é de hoje que a igreja vem sofrendo com as investidas contra a ética e a justiça dentro de seus termos. Isso não só repercute negativamente dentro e fora do cristianismo autêntico como enfraquece as bases das virtudes encontradas na religiosidade chamada evangélica. No decorrer dos anos, a igreja tem sido vítima dos piores ataques contra o evangelho autêntico. Sem recorrermos aos já conhecidos movimentos heréticos históricos, como ebionismo, arianismo, docetismo, gnosticismo,  apolinarianismo, montanismo, entre outros, embora cada um desses movimentos tenha sua importância e contribuição para a apologética, queremos fazer menção aos tempos hodiernos e aos novos paradigmas que solapam o combalido cristianismo atual. 


Uma grande revista cristã em nosso país¹ trouxe uma matéria intrigante sobre a perda da essência do evangelho na Europa e aborda a crise evangélica cristã nos seguintes termos: “O caminho da fé traçado pelos cristãos durante séculos parece abandonado”.  Ao apresentarem a necessidade de uma re-evangelização no velho continente, os editores daquela matéria definiram a tarefa como “colocar as pessoas outra vez na órbita de Cristo”. Contudo, não é tarefa das mais fáceis, posto que o evangelho para quem perdeu a essência não é novo, nem bom. “Não é novo porque o cristianismo já foi experimentado” e “não é bom porque o cristianismo se tornou desnecessário”. Assim, o cristianismo foi comparado a uma mulher divorciada, que enquanto solteira “tinha esperanças, sonhos ideais e aspirações”, porém, divorciada, “sofre de frustrações, lembranças amargas, experiências desagradáveis e apatia” espiritual.


O cristianismo brasileiro caminha a passos largos para o divórcio com Cristo. Já dizia alguém que a apostasia começa no joelho. Somos uma geração que não ora, que não lê as escrituras e que não faz nenhuma reflexão séria e profunda sobre a ética e a essência do evangelho. Os apologistas, defensores da fé e da doutrina cristã, são discriminados e tidos como fanáticos desnecessários e personae non gratae ao mais novo estilo de vida gospel. Embora concordemos com Karl Barth, que dizia que a defesa do evangelho é o próprio evangelho, vemos uma necessidade de resgatar sua essência, posto que o mesmo só possa exercer sua própria defesa onde se prega ou ensina a verdadeira boa nova.


O tempo e o espaço trouxeram consequências e mudanças na visão comprometida do reino.  Visando abrir os olhos dos leitores, apresentamos algumas visões que caracterizam o movimento gospel e expomos nossa humilde colaboração para renovo da fé e prática no seio cristão. 


Visão Antropomórfica


Trazer as pessoas de volta à órbita de Cristo é o árduo desafio da igreja brasileira hodierna, mesmo porque vivemos um cristianismo sem sal, onde o que prevalece é a cultura show-gospel, onde prevalecem as luzes coloridas que tentam ofuscar o brilho de Cristo em nossos cultos e liturgias. O homem deseja ser como Deus desde os primórdios, as criaturas rebeladas aspiram tomar o lugar do criador mesmo antes que houvesse existência humana na terra e criam para si mesmos palcos e acendem os holofotes para centralizarem a criatura: o homem, seu instrumento de glória. Pregadores e suas mensagens já não glorificam a Cristo e, de longa data, esqueceram a base cristocêntrica em suas pregações, detendo-se a conceitos puramente humanos e, por vezes diabólicos, destronam Cristo e entronizam seus próprios egos inflados de vanglória. Cantores, tidos como sacros, abandonaram, em seus louvores o eixo da cristologia básica e interpretam canções ocas, vazias de conteúdos e significados bíblicos ou doutrinários. Líderes de ministérios aparecem em fotos exclusivas nas portas de suas denominações e exploram ao máximo suas imagens, levando o povo a associar sua fé ao líder-fundador  (Jo. 6.66-69).


Visão Mercantilista


Nosso cristianismo é como aquela mulher divorciada que perdeu os sonhos e aspirações do primeiro amor e agora, com as experiências desagradáveis do mercantilismo, se vê frustrada e apática espiritualmente. O mercantilismo nas igrejas imergiu uma multidão a um plano secundário de fé, oferecendo prosperidade material e sucesso em curto prazo, os mercantilistas cristãos induzem inúmeros consumidores de seus produtos a uma condição inferior de crença, dissociada de Cristo, e a um plano secundário, adoecendo os que aderem e minando as bases da verdadeira doutrina. Com promessas delirantes de vida melhor no contexto desse mundo, que é lugar de aflição, juram e oferecem conforto e bem estar. Assim, os novos cristãos se apegam aos bem materiais como a coisas mais essenciais e necessárias à sua condição de existência. Associada ao espirito consumista de nosso século, a visão dos mercadores religiosos, convence os crentes a comprarem seus produtos e mensagens, transtornando assim o evangelho e frustrando milhões de consumidores com suas falácias, distorcendo as escrituras (Gl. 1.6-9) e afastando-os do genuíno, puro e simples evangelho de Jesus Cristo. O evangelho virou negócio e domínio de poucos (II Pd.2.3) .


Visão Imperialista

O mais novo empreendimento e “conquista” dos novos visionários evangélicos, que estão ascendendo, ao poder é a expansão de seus próprios reinos ou negócios, muito mais que o Reino de Deus. Pasmem os leitores, mas os novos mandatários do poder gospel descobriram uma fórmula ou uma forma de evangelizar inédita e inaudita: comprar igrejas com porteiras fechadas. Aliás, nada é tão novo assim, pois essa prática, já de longa data, é muito comum entre empresários do agronegócio, fazendeiros e latifundiários. Comprar uma igreja com porteira fechada significa comprá-la com tudo o que tem dentro: prédios, cadeiras, aparelhagem de som e, claro, os crentes, com sua capacidade de receita (leiam-se dízimos e ofertas).  Desse modo, alegando fazer missões, justificam o “crescimento” de seus ministérios e podem pedir mais dinheiro aos investidores, patrocinadores ou parceiros para ampliação e expansão de sua visão única, concedida por Deus somente a eles. Movidos por uma espiritualidade jamais vista, tais homens alegam ser pessoas especiais, chamadas por Deus para promoverem uma revolução e utilizam-se do evangelho para aliciar adeptos incautos com seus discursos atrativos. Quem não se lembra de uma letra poética e crítica de denúncia social que varreu o Brasil no final dos anos 70: “Êh, vida de gado, povo marcado, êh, povo feliz”. Assim, o povo de Deus tem sido tratado como massa de manobra e defesa de direitos imperialistas religiosos (I Pd. 5.2,3).

Pelo Resgate do Evangelho

Urge a necessidade de mudança, ou melhor, de um retorno ao verdadeiro cristianismo. Faz-se necessário uma reforma para além da Reforma Protestante, uma vez que necessitamos de uma reforma eclesiológica que venha atender as aspirações do coração de Deus nas escrituras e restabelecer as bases da verdadeira doutrina cristã, desprezada pelos cristãos brasileiros, onde Cristo seja o centro de nossas vidas, cultos e liturgia. Assim como os europeus e em outras nações espalhadas pelo mundo, corremos o risco de vivermos frustrados, posto que, divorciados da essência, seríamos apáticos espiritualmente e adoecidos na práxis cristã.  Os líderes do chamado movimento neopentecostal, a teologia da prosperidade, a confissão positiva e a visão deturpada do G12, entre outros, são os culpados diretos e têm contribuído para o desvio doutrinário e litúrgico em nossas igrejas.  Há necessidade de um choque pelo evangelho genuíno, pela pregação cristocêntrica, pela hinódia inspirada nas páginas da Bíblia, pela ética cristã; de uma ruptura com conceitos equivocados e práticas inadequadas da fé pela fé, por exemplo, e um retorno imediato à pureza e simplicidade que há na Pessoa de Cristo e em Suas palavras e Ensinamentos.
 
Que Deus tenha misericórdia da igreja no Brasil e levante vozes como a de João Batista com uma nova proposta de Reino, que na realidade é a mesma que sempre esteve no coração do Pai e faça nascerem precussores de uma nova reforma nos quatro cantos de nosso país, visando a volta aos princípios da Palavra. Envie obreiros comprometidos com a Verdade e estabeleça pregadores que preguem a Cruz. Que nosso hinário se debruce sobre a cristologia e que os líderes abandonem a prática mercantilista e imperialista a fim de vivermos o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo: “Poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm. 1.16).
¹ http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/337/a-europa-se-perdeu-e-precisa-de-jesus

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

sexta-feira, 8 de março de 2013

E AÍ, OS AFRICANOS SÃO MALDITOS?

O PASTOR E DEPUTADO FEDERAL MARCO FELICIANO

Não votei em Marcos Feliciano, mas não imaginei que o nobre deputado levaria suas "pregações e estudos" para o parlamento, contudo, alguma coisa me dizia que o nosso irmão, que é uma "celebridade" e está longe de ser um intelectual ou doutor em teologia como pretende, faria alguma coisa espalhafatosa, bem ao seu estilo! Aliás, estamos bem de parlamentares: Tiririca (que anda bem comportado), Bolsanaro, defendendo a ditadura militar e a tortura, Jean Wyllys, aliado de Marta Suplicy, que comprou briga direta com as igrejas (tinha que ter um alvo para atirar), entre outros, estão protagonizando um dos piores níveis do debate parlamentar na história da política brasileira. Além do mais, nosso representante está sendo acusado de ficar horas no twitter às custas do contribuinte, enquanto deveria estar trabalhando para elaborar e votar leis. Quero afirmar claramente que não comungo com o pensamento do pastor Marco Feliciano e por isso resolvi publicar o post abaixo. O texto a seguir é do meu amigo Gutierres, do Teologia Pentecostal.

Por Gustavo Gutierres

O pastor-cantor-vendedor-apresentador e deputado Marco Feliciano andou bem ativo nos últimos dias no Twitter. Depois de “amaldiçoar” aqueles que discordam dele, ele resolveu teologar. E quando Marco Feliciano resolve fazer teologia saí de baixo que lá vem coisa! Leia as duas mensagens abaixo:

Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é a polemica. Não sejam irresponsáveis twitters rsss (sic)

A maldição q Noe lança sobre seu neto, canaã, respinga sobre continente africano, dai a fome, pestes, doenças, guerras étnicas! (sic)

Feliciano lê a Bíblia como eu lia o gibi da Turma da Mônica. A interpretação de Gênesis 9.25 é risível e trágica. Durante anos tal texto foi usado para justificar a escravidão, assim como Mateus 27.25 foi usado para justificar o anti-semitismo.

Veja, por exemplo, o comentário do texto pelo erudito inglês Frank Derek Kidner, que foi professor de Antigo Testamento em Cambridge:

O fato de que a maldição recaiu sobre Canaã, o filho mais novo do ofensor (Gn 10.6), que também era o filho mais novo, salienta sua referência à sucessão de Cão, em vez de à sua pessoa. Por sua violação da família, a sua própria família iria fracassar. Portanto, desde que isto limita a maldição a este único ramo dentre os camitas, aqueles que julgam que os povos camitas em geral estão condenados à inferioridade entenderam mal tanto o Velho como o Novo Testamento. Também é provável que o domínio de Israel sobre os cananeus tenha cumprido suficientemente oráculo (cf. Js 9.23; 1 Rs 9.21). [DEREK, Kidner. Gênesis: Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova. p 97.]

Ou seja, era uma maldição bem específica sobre aquela família. O motivo de tal maldição é uma questão em aberto, já que o pecado foi cometido por Cam, o pai de Canaã. E no que consistia essa maldição? Ora, era a submissão de Canaã pelos filhos de Sem. No reinado de Saul e Davi, por exemplo, Israel dominou a terra de Canaã, assim como Josué na era dos juízes.

Além de teologia e interpretação bíblica, o nobre deputado carece de geografia bíblica. Mesmo seguindo o raciocínio brilhante dele, não há nenhum nexo:

Cam (ou Cão) gerou Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã (Gn 10.6). Segundo o relato bíblico a maldição caiu somente sobre Canaã. Onde Canaã e os seus descendentes habitaram? Na Arábia e na Mesopotâmia e não na África. Ora, fora os demais filhos de Cam que habitaram no norte do continente africano. Mesmo seguindo o raciocínio absurdo do Feliciano, como se essa maldição fosse eterna, hoje tal “maldição” estaria bem fora da África. E os descendentes de Canaã, segundo a arqueologia, não eram negros e sim brancos.

Não generalizem

Há uns “pensadores” por aí que julgam todos os evangélicos pela mentalidade fértil do Marco Feliciano. Sou da mesma denominação do referido pastor, mas não aceito suas declarações absurdas. Aliás, desde sempre via barbaridades em suas pregações. Não só eu, bastar ir no Facebook e no Twitter de muitos crentes para ver a mesma indignação. Portanto, nada de generalizações.

Infelizmente, há um público cativo, que verdadeiramente idolatra o pastor Feliciano. Há até quem imita suas orações e depois reproduzem isso nos cultos. Eu já vi isso. Eu já vi também um que imitava a roupa e rodada de 360 graus no púlpito, que Feliciano costuma fazer nas suas pregações de autoajuda.

Pelas bobagens ditas, agora ele virou assunto na imprensa:http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2011/03/31/via-twitter-outro-deputado-faz-comentarios-contra-a-gays-e-africanos/

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.