terça-feira, 11 de setembro de 2012

CCLI QUER COBRAR DIREITOS AUTORAIS PELOS HINOS CANTADOS DURANTE OS CULTOS NAS IGREJAS




TEXTO DO REV. WALTER McALISTER, BISPO DA IGREJA NOVA VIDA

Soube hoje que as Igrejas Cristãs Nova Vida, da qual sou o Bispo Primaz, foram notificadas de que teriam de pagar direitos autorais pela execução de músicas de “louvor” nos seus cultos. Cada uma de nossas igrejas ficaria, assim, responsável por declarar o número de membros e a frequência aos seus cultos, para que fosse avaliado o imposto a ser pago ao Christian Copyright Licensing International (CCLI), sociedade que realiza a arrecadação e a distribuição de direitos autorais decorrentes da execução pública de músicas nacionais e estrangeiras. Por sua vez, o CCLI repassaria o valor devido aos compositores cujas músicas estão cadastradas.

São poucas as vezes em que me vejo sequestrado por um assunto do momento aqui no blog. Tenho como norma pessoal não me deixar levar pelas “últimas”.  Já há bastante alvoroço em torno de assuntos efêmeros e não precisam da minha voz para somar à confusão instaurada por “notícias” e controvérsias. Não obstante essa regra que tento seguir, não posso me calar ante esse fato. Já deixei passar algumas horas até que a minha revolta se acalmasse, para que, no seu lugar, pudesse me expressar com clareza e me reportar às Escrituras como regra. Pois, em meio ao transtorno, ninguém se contém e acaba por pecar pelo excesso. Isso não quer dizer que me sinta menos convicto sobre o que tenho a dizer, mas quero realmente trazer uma perspectiva lúcida.

Comecemos pelo que constitui o direito autoral e o porquê da sua existência. Seria justo que alguém lucrasse pelo trabalho, a inspiração e a arte de outro sem que o autor da obra participasse dos lucros? Certamente que não. Cada emissora de rádio, show ou outro tipo de empreendimento com fins lucrativos deve prestar a devida parcela do seu lucro a quem ajudou a produzir essa arte.

Por outro lado, a Igreja é um empreendimento com fins lucrativos? Não – segundo a definição do próprio Estado brasileiro. Ela goza de certos privilégios, na compreensão de que a sua atividade é religiosa, devota e piedosa e, sendo assim, sem fins lucrativos. Que muitos “lucram” em nome da Igreja ninguém duvida. Mas, em termos estritamente definidos pela legislação, não é um empreendimento que tenha como finalidade o lucro.

Louvar a Deus é uma atividade que gera rentabilidade? Também não. Quando cantamos ao Senhor, estamos nos expressando a Deus em sacrifício santo e agradável a Ele (se bem que não caem nesta categoria muitas das músicas que doravante serão objeto de taxação, por decreto-lei). Mas, para manter o fio da meada desta reflexão, suponhamos que as músicas adocicadas, sem fundamento em qualquer real princípio cristão, emotivas e, em alguns casos, passionais (para não dizer sensuais) sejam realmente louvor (algo que tenho tentado ensinar a nossa denominação que não são).  Cantar essas músicas traz lucro para a igreja? A resposta énão. A igreja não lucra. Não há um centavo a mais caindo nas salvas porque cantamos uma música de uma dessas cantoras gospel da moda em vez de Castelo Forte. É possível fazer um culto fundamentado apenas nas músicas riquíssimas do Cantor Cristão e da Harpa Cristã (para não falar nos Vencedores por Cristo, cuja maioria das canções não recai sobre este novo decreto-lei).

Esses cantores e essas cantoras têm o apoio de empresários da fé. Homens que também lucram absurdamente às custas da boa-fé de pessoas a quem prometem uma vida de lucro pelo seu envolvimento. Não me surpreende ver a lista de “notáveis” que apoiam essa iniciativa.

Agora, esses cantores que se venderam para emissoras de televisão, que ganham fortunas nas suas turnês “gospel” e pela venda de incontáveis CDs e DVDs, não estão satisfeitos. Querem mais. Querem “enterrar os ossos”. Tornaram-se mercadores da fé, e com essa última cartada, suas máscaras caem por terra. Que máscaras? As que fazem com que acreditemos que eles realmente creem que o culto é para Deus somente. Para eles, a igreja não passa de fonte de lucro. A igreja não passa de um negócio. Sim, porque, por essa ação, afirmam não acreditar que a igreja seja uma assembleia de sacrifício. Para eles, a igreja é uma máquina de dinheiro. Sua eclesiologia é clara. Suas lágrimas de comoção são teatro. Seus gestos de mãos erguidas não passam de encenação.

A despeito do meu repúdio por esse grupo de músicos “cristãos”, fico grato a eles por uma razão. Tenho tentado ensinar a denominação que lidero a ser mais criteriosa na escolha das músicas cantadas nos cultos. Por força da popularidade desses “superastros do louvor” a pressão da juventude e dos músicos da igreja tem sido quase insuportável. Então cantam as músicas sem devocionalidade real deles e delas para o enlevo de pessoas que nem precisavam confessar Jesus para cantá-las com comoção. Graças ao mercantilismo dos tais, vou emitir uma circular para as nossas igrejas em que instruirei todas a pagar os direitos autorais devidos caso queiram insistir em usar as referidas músicas da moda em seus cultos.

Os que não querem fazer parte desse mercado de rapina receberão uma lista compreensiva de músicas que continuam sendo de domínio público, inclusive as que compus e pelas quais nunca recebi nem quero receber um centavo. Graças a Deus, são os bons e velhos hinos que têm conteúdo e substância, confissão e verdadeiro testemunho do Evangelho. Há centenas de hinos antigos que vamos tirar das prateleiras e redescobrir. Podemos aprendê-los e retrabalhá-los para torná-los atuais aos nossos dias, com arranjos interessantes. Músicas escritas por santos e não por crianças. Músicas escritas para a glória de Deus e não para lucro sórdido. Sim, falei sórdido. Pois os atuais já lucraram com o que é legítimo. Agora vão atrás do resto. É um gospel de rapina. Sinto-me na necessidade de tomar um banho, pois essa história me forçou a passear pelo lamaçal onde esses chafurdam para encher a própria barriga – que é o seu deus, afinal.

Que bom que já me acalmei, pois realmente tinha vontade de dizer muito mais.

Na paz,
+W

VI NO BLOG DA RÔ.

9 comentários:

Pb Fernando disse...

Pr. Guedes, a paz do Senhor Jesus!

Simplismente vergonhosa e profana essa postura da CCLI. Não seria essa a hora de voltarmos aos velhos tempos, e cantarmos os hinos da harpa e do cantor Cristão em nossos cultos? Quem sabe assim acabaríamos com esse desejo desenfreado por lucro entre esses pseudos adoradores.

Roberto Amorim disse...

Paz nobre Pr Guedes!

A cada dia fico mais e mais envergonhado com aqueles qu ese dizem embaixadores de Cristo!Eita raça de víboras, vou acresecentar a CCLI na minha lista negra!

E esses mercadores da fé (cantores e cantoras) que apoiam essa prática da CCLI e cobram absurdos para cantar canções inspiradas pelo ES e se esquecem que foi Deus quem deu a letra e melodia!

Vou parar por aqui, senão posso pecar em minhas palavras....

Grande abraço meu amigo Pr. Guedes!

Pastor Guedes disse...

Caro Pb. Fernando,

A Paz do Senhor!

Agradeço por sua visita e comentário.

O que tenho a dizer é que esse tipo de comportamento é lastimável. Quando não são famosos vivem pedindo para cantar nas igrejas para divulgar "o trabalho", mas quando se tornam famosos querem cobrar direitos autorais.

Abraço.
No Amor de Cristo!

Pastor Guedes disse...

Caro Roberto, meu Amigo,

A Paz do Senhor!

Muito bem ver seu comentário aqui.

Você conhece a expressão: "quanto mais rezo, mais assombração aparece"? Pois é, quanto mais eu oro e mais toco no assunto mais heresias e comportamentos como esse aparecer. Incrível, mas entendo que esse tipo de "igreja" não tem cura e está fadada ao fracasso e morte espiritual.

Forte Abraço.
No Amor de Cristo!

Solange disse...

DOU GLORIA A DEUS POR ESSA ATITUDE DESSES "LEVITAS", SÓ ASSIM AS IGREJAS VÃO VALORIZAR MAIS A HARPA CRISTÃ. AI TEREMOS VERDADEIRO LOUVOR À DEUS.

Solange disse...

Dou gloria a Deus, por essa postura desses que se denominam "levitas", só assim as igrejas voltam a cantar verdadeiros louvores, os da Harpa Crista. Onde verdadeiramente o nome do Senhor é glorificado.

Ânimo, tudo dará certo... disse...

Não concordo que a Igreja deva pagar pelo fato de cantar os hinos. Acho isso uma falta de respeito. Pelo jeito a apostasia está vindo de maneira feroz porque tudo está se resumindo no dinheiro. Que país é esse? Daqui a pouco vão cobrar a oração e o jejum.

Cíntia Lima disse...

Paz de Cristo pastor Guedes.
Confesso que me senti enjoada e enojada ao ler esta noticia. Mas ao mesmo tempo, gostei bastante por eles, (os tais cantores) terem agido desta forma. Porque estes já mostraram quem realmente é. Gananciosos!
Perigoso são aqueles que a máscara ainda não caiu. Não só cantores, mas também “pastores”. Devemos mais do que nunca nos agarrar a vigilância, oração e a palavra de Deus que é a Bíblia Sagrada. Pedir ao Senhor Jesus Cristo o Dom do discernimento de espíritos. Só assim poderemos nos manter separados do que ainda está por vir. Pois nos últimos dias a busca pela santidade será cada vez mais rara, e a busca pelas riquezas terrena cada vez mais clara.
Abraço fraternal.

Cíntia Lima disse...

Eu já não gostava destas músicas "modernas" mesmo, pois cresci ouvindo a Harpa Cristã sendo tocada pelo saxofone do meu pai lá em casa. E cantores como Eliezer Rosa, Edison e Telma, Eduardo Silva e Ziran, Nicoletti, Otoniel e Oziel, Josué Barbosa Lira, Osvaldo Nascimento, Feliciano Amaral... E outros cada qual com louvores maravilhosos que ainda me fazem chorar e querer ser mais fiel a Jesus. Muito melhor que estas músicas que às vezes temos que prestar bem atenção para descobrir se é de louvor a Deus ou música mundana. E que falam de paixão, vingança e desejo. Parece tema de filme, mas não é não é tema de muitas músicas "Gospel" mesmo.
Devemos anelar pela volta do nosso Mestre Jesus Cristo.
Abraço Fraternal.