sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O AI-5 GAY JÁ COMEÇA A SATANIZAR PESSOAS

No Princípio Deus criou Homem e Mulher: macho e fêmea os criou.

Este texto foi-me enviado pelo Pr. Alexandre Chaves. O Pastor Alexandre atribui a autoria do mesmo ao colunista da Revista Veja, Reinaldo Azevedo. Trata-se de uma defesa da moralidade e principalmente de tudo o que o "público gay" pretende fazer contra o Reverendo Augustus Nicodemus e a Universidade Mackenzie, além de um rico esclarecimento do alcance dessa lei que fere os princípios constitucionais. O jornalista informa que os homossexuais estariam preparando para a próxima quarta-feira, uma manifestação em frente a universidade. Era só o que faltava! Mas, o nosso amigo destrincha bem o que é a MP 122/06 e se você ainda tem dúvida, não deixe de ler o artigo por inteiro. É longo, mas vale a pena. Boa leitura!

O AI-5 GAY JÁ COMEÇA A SATANIZAR PESSOAS; SE APROVADO, VAI PROVOCAR O CONTRÁRIO DO QUE PRETENDE: ACABARÁ ISOLANDO OS GAYS.

O reverendo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler a Universidade Mackenzie — homem inteligente, capaz, disciplinado na sua fé e respeitador das leis do país; sim, eu o conheço — está sendo alvo de uma violenta campanha de difamação na Internet. Na próxima quarta, grupos gays anunciam um protesto nas imediações da universidade que ele dirige com zelo exemplar. Por quê? Ele teve a “ousadia”, vejam só, de publicar, num cantinho que lhe cabe no site da instituição trecho de uma resolução da Igreja Presbiteriana do Brasil contra a descriminação do aborto e contra aprovação do PL 122/2006 — a tal lei que criminaliza a homofobia (aqui). O texto nem era seu, mas do reverendo Roberto Brasileiro, presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil. A íntegra do documento está aqui. Pode-se ler lá o que segue:

“Quanto à chamada Lei da Homofobia, que parte do princípio que toda manifestação contrária à homossexualidade é homofóbica (…), a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre a homossexualidade como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos”.

Respondam: o que há de errado ou discriminatório nesse texto? A PL 122 nem foi aprovada ainda, e as perseguições já começaram. Vamos tornar ainda mais séria essa conversa. Há gente que gosta das soluções simples e erradas para problemas difíceis. Eu estou aqui para mostrar que há coisas que, simples na aparência, são muito complicadas na essência. Afirmei certa feita que o verdadeiro negro do mundo era o branco, pobre, heterossexual e católico. Era um exagero, claro!, uma expressão de mordacidade. A minha ironia começa a se transformar numa referência da realidade. A PL 122 é flagrantemente inconstitucional; provocará, se aprovada, efeitos contrários àqueles pretendidos e agride a liberdade religiosa. É simples assim. Mas vamos por partes, complicando sempre, como anunciei.

Homofóbico?

Repudio o pensamento politicamente correto, porque burro, e o pensamento nem-nem — aquele da turma do “nem isso nem aquilo”. Não raro, é coisa de covardes, de quem quer ficar em cima do muro. Procuro ser claro sobre qualquer assunto. Leitores habituais deste blog já me deram algumas bordoadas porque não vejo nada de mal, por exemplo, na união civil de homossexuais — que não é “casamento”. Alguns diriam que penso coisa ainda “pior”: se tiverem condições materiais e psicológicas para tanto, e não havendo heterossexuais que o façam, acho aceitável que gays adotem crianças. Minhas opiniões nascem da convicção, que considero cientificamente embasada, de que “homossexualidade não pega”, isto é, nem é transmissível nem é “curável”. Não sendo uma “opção” (se fosse, todos escolheriam ser héteros), tampouco é uma doença. Mais: não me parece que a promiscuidade seja apanágio dos gays, em que pese a face visível de certas correntes contribuir para a má fama do conjunto.

“Que diabo de católico é você?”, podem indagar alguns. Um católico disciplinado. É o que eu penso, mas respeito e compreendo a posição da minha igreja. Tampouco acho que ela deva ficar mudando de idéia ao sabor da pressão deste ou daqueles grupos católicos. Disciplina e hierarquia são libertadoras e garantem o que tem de ser preservado. Não tentem ensinar a Igreja Católica a sobreviver. Ela sabe como fazer. Outra hora volto a esse particular. Não destaco as minhas opiniões “polêmicas” para evitar que me rotulem disso ou daquilo. Eu estou me lixando para o que pensam a meu respeito. Escrevo o que acho que tem de ser escrito.

Aberração e militância

Ter tais opiniões não me impede de considerar que o tal PL 122 é uma aberração, que busca criar uma categoria especial de pessoas. E aqui cabe uma pequena história. Tudo começou com o Projeto de Lei nº 5003/2001, na Câmara, de autoria da deputada Iara Bernardes, do PT. Ele alterava a Lei nº 7716, de 1989, que pune preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional (íntegra aqui) acrescentando ao texto a chamada discriminação de gênero. Para amenizar o caráter de “pogrom gay”, o senador Marcelo Crivella acrescentou também a discriminação contra idoso e contra deficientes como passível de punição. Só acrescentou absurdos novos.

Antes que me atenha a eles, algumas outras considerações. À esteira do ataque contra três rapazes perpetrados por cinco delinqüentes na Avenida Paulista, que deveriam estar recolhidos (já escrevi a respeito), grupos gays se manifestaram. E voltou a circular a tal informação de que o Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo. É mesmo? Este também é um dos países que mais matam heterossexuais no mundo!!! São 50 mil assassinatos por ano. Se os gays catalogados não chegam a 200 — e digamos que eles sejam 5% da população; há quem fale em 9%; não importa —, há certamente subnotificação, certo? “Ah, mas estamos falando dos crimes da homofobia…” Sei. Michês que matam seus clientes são ou não considerados “gays”? Há crimes que não estão associados à “orientação sexual” ou à “identidade de gênero”, mas a um modo de vida. Cumpre não mistificar. Mas vamos ao tal PL.

Disparates

A Lei nº 7716 é uma lei contra o racismo. Sexualidade, agora, é raça? Ora, nem a raça é “raça”, não é mesmo? Salvo melhor juízo, somos todos da “raça humana”. O racismo é um crime imprescritível e inafiançável, e entrariam nessa categoria os cometidos contra “gênero, orientação sexual e identidade de gênero.” Que diabo vem a ser “identidade de gênero”. Suponho que é o homem que se identifica como mulher e também o contrário. Ok. A lei não proíbe ninguém de se transvestir. Mas vamos seguir então.

Leiam um trecho do PL 122:


Art. 4º A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescida do seguinte Art. 4º-A:

“Art. 4º-A Praticar o empregador ou seu preposto atos de dispensa direta ou indireta: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco)anos.”

Art. 5º Os arts. 5º, 6º e 7º da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1999, passam a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 5º Impedir, recusar ou proibir o ingresso ou a permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público: Pena: reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos.”

Para demitir um homossexual, um empregador terá de pensar duas vezes. E cinco para contratar — caso essa homossexualidade seja aparente. Por quê? Ora, fica decretado que todos os gays são competentes. Aliás, na forma como está a lei, só mesmo os brancos, machos, heterossexuais e eventualmente cristãos não terão a que recorrer em caso de dispensa. Jamais poderão dizer: “Pô, fui demitido só porque sou hétero e branco! Quanta injustiça!”. O corolário óbvio dessa lei será, então, a imposição posterior de uma cota de “gênero”, “orientação” e “identidade” nas empresas. Avancemos.

“Art. 6º Recusar, negar, impedir, preterir, prejudicar, retardar ou excluir, em qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional: Pena - reclusão de 3 (três) a 5 (cinco) anos.”

Cristãos, muçulmanos, judeus etc têm as suas escolas infantis, por exemplo. Sejamos óbvios, claros, práticos: terão de ignorar o que pensam a respeito da homossexualidade, da “orientação sexual” ou da “identidade de gênero” — e a Constituição lhes assegura a liberdade religiosa — e contratar, por exemplo, alguém que, sendo João, se identifique como Joana? Ou isso ou cana?

Art. 7º A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar acrescida dos seguintes art. 8º-A e 8º-B:

“Art. 8º-B Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”

Pastores, padres, rabinos etc. estariam impedidos de coibir a manifestação de “afetividade”, ainda que os fundamentos de sua religião a condenem. O PL 122 não apenas iguala a orientação sexual a raça como também declara nulos alguns fundamentos religiosos. É o fim da picada! Aliás, dada a redação, estaríamos diante de uma situação interessante: o homossexual reprimido por um pastor, por exemplo, acusaria o religioso de homofobia, e o religioso acusaria o homossexual de discriminação religiosa, já que estaria impedido de dizer o que pensa. Um confronto de idéias e posturas que poderia ser exercido em liberdade acaba na cadeia. Mas o Ai-5 mesmo vem agora:

“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero:

§ 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”

Não há meio-termo: uma simples pregação contra a prática homossexual pode mandar um religioso para a cadeia: crime inafiançável e imprescritível. Se for servidor público, perderá o cargo. Não poderá fazer contratos com órgãos oficiais ou fundações, pagará multa… Enfim, sua vida estará desgraçada para sempre. Afinal, alguém sempre poderá alegar que um simples sermão o expôs a uma situação “psicologicamente vexatória”. A lei é explícita: um “processo administrativo e penal terá início”, entre outras situações, se houver um simples “comunicado de organizações não governamentais de defesa da cidadania e direitos humanos.” Não precisa nem ser o “ofendido” a reclamar: basta que uma ONG tome as suas dores.

A PL 122 institui o estado policial gay! E o chanceler no Mackenzie, Augustus Nicodemus Lopes, já é alvo dessa patrulha antes mesmo de essa lei ser aprovada.

O que querem os proponentes dessa aberração? Proteger os gays? Não há o risco de que aconteça o contrário? A simples altercação com um homossexual, por motivo absolutamente alheio à sua sexualidade, poderia expor um indivíduo qualquer a um risco considerável. Se o sujeito — no caso, o gay — for honesto, bem: não vai apelar à sua condição de “minoria especialmente protegida”; se desonesto — e os há, não? —, pode decidir infernizar a vida do outro. Assim, haverá certamente quem considere que o melhor é se resguardar. É possível que os empregadores se protejam de futuros dissabores, preferindo não arriscar. Esse PL empurra os gays de volta para o gueto.

Linchamento moral 

O PL 122 é uma aberração jurídica, viola a liberdade religiosa e cria uma categoria de indivíduos especiais. À diferença de suas “boas intenções”, pode é contribuir para a discriminação, à medida que transforma os gays numa espécie de “perigo legal”. Os homossexuais nunca tiveram tanta visibilidade. Um gay assumido venceu, por exemplo, uma das jornadas do BBB. Cito o caso porque houve ampla votação popular. A “causa” está nas novelas. Programas de TV exibem abertamente o “beijo gay”. Existe preconceito? Certamente! Mas não será vencido com uma lei que acirra as contradições e as diferenças em vez de apontar para um pacto civilizado de convivência. Segundo as regras da democracia, há, sim, quem não goste dessa exposição e se mobiliza contra ela. É do jogo.

Ninguém precisa de uma “lei” especial para punir aqueles delinqüentes da Paulista. Eles não estão fora da cadeia (ou da Fundação Casa) porque são heterossexuais, e sua vítima, homossexual. A questão, nesse caso, infelizmente, é muito mais profunda e diz muito mais sobre o Brasil profundo: estão soltos por causa de um preconceito social. Os homossexuais que foram protestar na Paulista movidos pela causa da “orientação sexual” reduziram a gravidade do problema.

Um bom caminho para a liberdade é não linchar nem física nem moralmente aqueles de quem não gostamos ou com quem não concordamos. Seria conveniente que os grupos gays parassem de quebrar lâmpadas na cabeça de Augustus Nicodemus Lopes, o chanceler do Mackenzie. E que não colocassem com tanta vontade uma corda no próprio pescoço sob o pretexto de se proteger. Mas como iluminar minimamente a mentalidade de quem troca o pensamento pela militância?

Quando trato de temas como esse, petralhas costumam invadir o blog com grosserias homofóbicas na esperança de que sejam publicadas para que possam, depois, sair satanizando o blog por aí. Aviso: a tática é inútil. Não serão! Este blog é contra o PL 122 porque preza os valores universais da democracia, que protegem até os que não são gays…

Por Reinaldo Azevedo

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

FILOSOFIA E FAZER DE CONTA

Prezados leitores, o texto a seguir é do meu amigo Samuel Buel, filósofo. Os termos usados pelo nosso amigo é próprio de quem respira filosofia e as vezes tenho que  consultá-lo e perguntar o significado de algumas palavras. Ainda ontem, perguntou se queria que  "aliviasse" e eu disse que não: "Esse é seu jeito de escrever!". Aos que gostam de filosofia como eu, boa leitura, mas não me perguntem nada (rsrsrs). Entrem no blog do Samuel e perguntem para ele.  

Desde os primórdios, se discute as posições conceituais e estruturais relativas aos objetos intramundanos bem como nossa capacidade cognitiva de apreendê-los. De um lado, está a coisa ideática de outro, a coisa empírica. E aí o bicho pega. Como que nós podemos fazer afirmações sobre os objetos que estão ao nosso redor e extrair desses mesmos elementos seus conteúdos verdadeiros para estarmos seguros de que de fato não fizemos de conta?
Neste ambiente dos sentidos, temos tido a necessidade de nos situarmos, e, para isso, desenvolvemos métodos de fazer cálculos, tirar medidas, desenvolver conceitos de altitude, profundidade, largura, extensão e por aí se vai. O cara que escreveu A República vivia no mundo dos sonhos, estava convicto de que apenas as entidades de natureza metafísicas eram autênticas, perfeitas, eternas, imutáveis não sofredoras das ações pertinentes ao ambiente temporo/espacial. Quanto à matéria, esse mesmo autor, nutria um posicionamento oposto. Quando lhe perguntavam qual o valor da matéria, dizia que esta se referia a um mero ente imperfeito sofredora da ação do tempo o que ele chamava de “sobras imperfeitas”. O que é isso? Seria um fazer de contas?
Para nós, herdeiros da cultura moderna, a coisa palpável não é sombra: é uma coisa real!! A polarização existente entre a coisa perfeita e a imperfeita no pensamento do autor supracitado, parecia querer criar dois eternos inimigos. O autor do Fedon não tinha ao que parece, ideia das proporções que seus conceitos clássicos iriam produzir em períodos posteriores. Um outro filósofo, distintamente, viria fazer sérias objeções à referida polarização. Diria que a matéria não deveria ser tão desprezada assim, pois ela detinha seus graus de importância no processo do conhecimento sendo ela a instância base causadora da forma e esta (a instância) determinadora daquela. 
Neste sentido, nota-se que o sujeito que faz objeção à polarização, confere à matéria um estatuto de paternidade estando a forma em estado seminal, e com potência de eclodir-se para fora do útero da consciência como entidade determinadora do mundo. Esse segundo autor estaria por acaso fazendo de conta que a entidade empírica somente teria vida quando a forma fosse eclodida como num processo de revelação de um segredo que estava oculto em eternidades passadas? As cabeças humanas portadoras da potência cognitiva sempre viveram em conflitos de todas as ordens, não somente na era clássica na qual ocorreram os embates e debates referentes à “razão pura”. Os pré-socráticos também viviam com esses mesmos problemas. Uns diziam que o cosmos era produto do ar outros defendiam que o fogo era o pai da natureza, outros não gostavam dessas posições e diziam que a água era a origem de tudo e (...) era uma bagunça só. 
Com o passar dos tempos, chegamos à era vulgar. A era vulgar foi marcada pelo espalhamento de grupos sectários cada um como num alheamento epistemológico coletivo referente às múltiplas contradições. Um grupinho aqui, outros ali outros acolá e outros ainda nas terras do Ali Babá. Uns diziam e escreviam sobre coisas, outros por não disporem de um pensamento original não tinham o que dizer e, para não ficarem fora do círculo, repetiam o que seus colegas mais íntimos já haviam dito. Diziam a mesma coisa com outras palavras, mas a tal da mesma estrutura estava lá. (Observem que a lei da Maria vai “KAS” outras é coisa antiga) Nunca vi o pórtico também não importa. Mas, ao menos pelo que se encontra registrado, lá vivia num blá, blá, blá um cabeção, tal de Zé. O pai dele queria que o Zezinho fosse um pensador. 
De posse de uns poucos tratados de Sócrates os leva para o filho o que muitos chamariam de “preciosidades”. O Zezinho coitado meio desconfiado pega o material e pergunta o que é isso papai? Pelo que o papai lhe respondeu “pra fazer de conta que você é um pensador!!”. O Zezinho irritado com a ironia do pai fala em vós áspera: “Um dia o Sr. Irá ouvir o meu nome sendo expressado por várias gerações”. O pai meneando a cabeça resmungava: “Zé não!! Zé não!! Zé não dá!!!”. O Zé confiante dizia “dá sim, dá sim, dá sim!” (Caros amigos leitores essa conversa do pai com seu filho não se encontra nos registros oficiais da história salvo o pai, o filho, o pórtico e os tratados de Sócrates). Pois bem, o Zé literalmente pôs a cara nos “livros” mais tarde, teve contato com outras correntes distintas do pensamento e finalmente convicto de que possuía bagagem o suficiente funda uma escola de filosofia natural. Essa escola deu o que falar. Sobretudo na sua versão tardia a qual unificou radicalmente os objetos que foram radicalmente polarizados pelo criador da República do período clássico. 
Os membros dessa escola viviam a dizer que os sonhos do criador da República haviam se realizado realmente!!! Certamente Sêneca, ou um Epíteto e por que não dizer um monarca chefe de estado como o Tal do Marcus Aurélio que foi ao que parece um membro ativo dessa escola. Na posição de imperador, procurava perseguir os grupos sectários que mantinham posições distintas da dele. Por ali circulava rumores de que um grupo de nazarenos estava perturbando a “ordem”. Os nazarenos ainda estavam em processo de desenvolvimento, e Marcus empreende uma batalha contra esse “humilde grupo”. Mas na espreita estava o tal do Justino que veio fazer justiça. Era um nobre filho de nobres, perambulou pelas escolas da vida durante muitos anos na esperança de achar a verdade, mas todas faziam de conta de que pronunciavam “o inacabado” (Como ficará o rosto do Brasil com Dilma Rousseff?). Como resolver esse dilema? Toda sua pomposidade e intelectualidade manifestavam-se como excessos que não atendiam seus verdadeiros anseios mais profundos. Justino não queria superficialidades desejava verdades autênticas que fossem verdades do não fazer de contas.

Num belo dia, um homem da terceira idade lhe apresenta em secreto algo novo, o que mudaria radicalmente suas posições. Depois de ouvir o “anjo na praia”, uma luz lhe vem ao encontro caindo-lhe as escamas dos olhos. Ufa!! Finalmente encontrei o que tanto procurava. Como um importante membro da sociedade faz um balanço de tudo o que aprendera durante suas pesquisas acadêmicas, compara-as com a novidade e conclui: “Não restam dúvidas de que esta aqui não é um faz de contas como as demais; vou levá-la ao conhecimento do imperador”.
Não temos aí meus caros leitores o resultado de um processo dialético/conceitual. O que temos é o surgimento de uma mensagem do céu que veio romper com os modos da metafísica geral de ver a existência dos sentidos. Dizendo em outros termos, o que a radical polarização não pode fazer e a radical unificação não pode levar adiante a revelação especial fez com incomparável brilhantismo. Portanto, longe de ser um mero fazer de contas, as boas novas vieram fazer um homem novo no âmbito da realidade. Não era utopia, não era sonhos e sim um modo autêntico de gerar um new man. Não foi por acaso que Cristo disse a Nicodemos: é necessário nascer de novo se quiseres entrar no reino de Deus. E para viver nesse reino, uma sincera mudança de vida se faz necessário. Isto é, mudança mental e principalmente mudança comportamental.

A unificação feita pela escola do Zé teria escorregado no fazer de contas de que o físico e o metafísico seriam entidades do mesmo ser? Vamos falar só um pouquinho sobre esse tal de fazer de conta. Pilatos pergunta o que é a verdade. Alguém muito esperto e eficiente responderia que verdade é aquilo que não é mentira muito óbvio, vocês não acham? Você consegue voltar no tempo? Se puder de uma espiadinha no conceito de verdade e mentira na visão dos antigos gregos. Era arte? Era um meio pragmático de se garantir a vida? Você teria coragem de dizer que a mentira era um pecado capital? Ou talvez essa última fosse um conceito medieval? Se sim, você sabe por quê? Bem, deixa isso “pra” lá não vamos ficar na Grécia, e nem na idade média, até porque estamos no século XXI certo? Quando cubro meu corpo com tecidos sejam eles feitos de plástico, couro, algodão, seda estou teatralizando meu corpo nu. Quero dizer, ao proceder assim, manifesto aquilo que não sou de fato, quando corto meus cabelos e faço a barba e as unhas, cumpro com as regras e os ditames convencionais de um cidadão civilizado e educado.
Os fazeres de contas que me são dados, me fazem ter formas e características que suprimem meu ego antropológico e  me levam ser um eterno faz de conta. Isso significa que somos todos mentirosos, falsos, camaleões descarados? De modo algum!! Vivemos num ambiente das contingências no qual o positivo e o negativo gozam de poderes igualitários no que dizem respeito às suas potências de concretização. Em algum momento vou Ter dor de dente e aí? Vou sofrer com a dor até ela resolver ir embora por si mesma ou vou buscar um medicamento para meu alívio?
Um médico cardiologista sabe que seu paciente tem 99% de chance de vir a óbito, mas por uma intervenção cirúrgica a probabilidade negativa cai para 1%. Isso seria um ato de fazer de conta? Se nós temos a nossa disposição os meios pragmáticos no sentido de viabilizar uma vida mais plausível para uma maior quantidade de pessoas possível por que não fazê-lo? Ou vamos usar medidas pragmáticas disfarçadas de justiça no sentido de massacrar ainda mais as pessoas mantendo-as na ignorância da “caverna”? Será que nossa crítica não esconde o medo de que quem está lá em baixo suba para cá? Como você interpretaria o versículo “Eis que o homem é como um de nós, pois conhece o bem e o mal”? E a razão da expulsão do jardim?
Vamos usar a medida de Paulo: “Tudo o que é amável, de boa fama, havendo algum louvor nisso pensai”; “Me fiz de louco para ganhar os loucos, de fraco para ganhar os fracos, de Judeu para ganhar os Judeus, de grego para ganhar os gregos fiz-me de tudo para com todos na esperança de salvar alguns”. Essa postura de Paulo era um faz de conta? Quaisquer que sejam as respostas dessa minha última pergunta (cá entre nós meus amigos, que belo faz de conta Heim!!! Kkkkkkkkkkkk). É verdade, pastores, membros, médicos, advogados, professores, alunos, escritores de livros vivem fazendo de conta, Mas também é verdade que, pessoas neste mundo ainda se esforçam de modo significativo mesmo que por vias pragmáticas na esperança de uma sociedade mais justa e, portanto mais feliz.

“Sei que não vou consertar o mundo, mas não me resignarei quanto à minha missão de torná-lo um pouquinho melhor”. Samuel Buel Escritor, Livre pensador.


Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

HOMOFOBIA? - RIDÍCULA A CRÍTICA DE BARBARA GANCIA E MARCELO TAS CONTRA O REVERENDO NICODEMUS




bARBARA GANCIA, COLUNISTA DA FOLHA DE SÃO PAULO, E MARCELO TAS, APRESENTADOR DO PROGRAMA CQC, CRITICARAM A AÇÃO DA IGREJA PRESBITERIANA EM PUBLICAR TEXTO CONTRA A LEI QUE TRATA DA HOMOFOBIA. OS ARGUMENTOS USADOS PELA COLUNISTA, EMBORA NÃO IGNORE SUA INTELIGÊNCIA E CAPACIDADE ENQUANTO JORNALISTA E ARTICULISTA, SÃO DE DAR DÓ, POSTO QUE ESTÃO DESPROVIDOS DE UMA ANÁLISE TEOLÓGICA, UMA VEZ QUE A QUESTÃO PARTIU DE UMA ENTIDADE RELIGIOSA, E DESPROVIDA DE UMA ANÁLISE SÓCIO-CULTURAL, HAJA VISTA TRATAR-SE DE QUESTÃO QUE URGE EM NOSSA SOCIEDADE. DECIDIDA A RIDICULARIZAR A IGREJA E O REVERENDO, BÁRBARA COMPARA A ESCOLHA ENTRE AZUL OU AMARELO, BRÓCOLIS OU ALCAPARRAS, COM O QUE ELES CHAMAM DE OPÇÃO SEXUAL. FAZ ALUSÃO À CRUCIFICAÇÃO E AO HITLERISMO, COMO  SE FOSSE ESSA A REALIDADE DAS MINORIAS AQUI NO BRASIL. ORA, UMA LEI QUE PRETENDE IR CONTRA O PRECONCEITO, NÃO PODE RESTRINGIR OUTRO DIREITO: O DIREITO DE LIBERDADE DE EXPRESSÃO. QUEM QUISER QUE CASE-SE COM QUEM QUISER: HOMEM COM HOMEM E MULHER COM MULHER, MAS NÓS TEMOS O DIREITO SIM DE CITAR AS ESCRITURAS E DIZER QUE ISSO É ERRADO, É PECADO E QUE ISSO NÃO É HOMOFOBIA E NEM INCITA A VIOLÊNCIA CONTRA OS GAYS. E MAIS: A UNIVERSIDADE MARCKENZIE, O REVERENDO NICODEMUS E TODOS NÓS EVANGÉLICOS OU NÃO, TEMOS O DIREITO DE NOS POSICIONAR CONTRA OU A FAVOR, MAS O QUE VEMOS É QUE QUANDO ALGUÉM, PRINCIPALMENTE EVANGÉLICO, TOMA POSIÇÃO, DESENCADEIA UMA VERDADEIRA AVALANCHE DE PERSEGUIÇÃO ÀS IGREJAS DISFARÇADA DE INTELECTUALIDADE. ABAIXO O TEXTO DO BLOG DO APRESENTADOR PARABENIZANDO A COLUNISTA:
Antes de tudo, é bom lembrar: já estamos no século 21. Já é hora de perceber que todos temos direito a uma vida plena de prazer, afeto e respeito, inclusive pela decisão absolutamente individual de opção sexual.
A coluna de Barbara Gancia, publicada hoje na Folha de S. Paulo merece ser lida e guardada. Consegue tocar no assunto da homossexualidade, e toda a violência e incompreensão que uma simples opção sexual individual gera, com simplicidade, afeto e respeito à inteligência de todos.
Congratulations, minha cara!
..::..
O SAMBA DO NICODEMUS
Barbara Gancia
Folha de S. Paulo, 19/11/2010

DIGAMOS QUE VOCÊ goste mais de azul que de cor de laranja. Ou que, dentre todas as verduras, nutra uma predileção especial pelo brócolis. Ou, ainda, que simpatize mais com o poodle do que com o weimaraner. Agora digamos que alguém decida isolar este tipo de característica e usar apenas essa única informação para defini-lo como ser humano.
De repente, em vez de ser, quem sabe, loiro ou moreno, carioca ou paulista, “baby boomer” ou membro da “Geração X”, extrovertido ou travado, torcedor do Bangu ou do Santos, colecionador de selos ou de fracassos sentimentais, enfim, em vez de ser tantas coisas ao mesmo tempo na sua infinita complexidade, imagine se você fosse apenas alguém que gosta de brócolis? ”Lá vai fulano”, diriam. “Ouvi dizer que gosta de brócolis”. Não seria um reducionismo perverso? Sujeito é um virtuoso do cello, o outro está trabalhando para desvendar o genoma humano e o pessoal interessado num único atributo: “O que será que ele faz com o brócolis entre quatro paredes?”
Ao longo da semana, a Universidade Mackenzie retirou de seu site, sob protestos, um manifesto contra o projeto de lei que pretende criminalizar a homofobia. Assinado pelo reverendo Augustus Nicodemus Gomes Lopes, o texto diz coisas assim: “As Escrituras Sagradas ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos (…) A Igreja Presbiteriana do Brasil manifesta-se contra a aprovação da chamada lei da homofobia por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna. E por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem sobre o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.”

Será que pregar contra aqueles que gostam de brócolis é simples exercício da liberdade de expressão? E nascer gostando de brócolis seria “opção leguminosa?” O reverendo Nicodemus quer que a Igreja mantenha intacto o direito de criticar a homossexualidade. Entendo o ponto de vista, afinal, a condenação a uma minoria ajuda a manter o rebanho forte e unido. Mas, dá para fazer melhor. Olha só a ideia genial que eu acabo de ter: já que os gays cansaram de apanhar, deram para se organizar e conquistaram inclusive o poder de pressionar para ver criadas leis que os protejam na marra, sugiro que se passe a discriminar um novo grupo.
Alô, reverendo Nicodemus! Os judeus a gente descarta de cara. Crucificação e Hitler ainda estão muito frescos na memória, não é mesmo? Que tal partir para uma coisa mais dissimulada, que o povo encontre em todo lugar, mas que seja uma minoria mesmo assim? E como brócolis também é manjado e muita gente gosta, pensei nas pessoas que apreciam as alcaparras. Veja se o discurso encaixa: “A alcaparra em si é uma criação divina, mas desejar a alcaparra é ceder à tentação, é usar o corpo para propósitos outros do que aqueles que o Senhor entendeu para nós”. Não dá o maior samba, Nicodemus?
VAMOS ACORDAR! EU DISSE EM ARTIGOS ANTERIORES QUE A DISCUSSÃO SOBRE ESSE ASSUNTO NÃO IA TERMINAR COM A ELEIÇÃO DA DILMA! NÃO PODEMOS ODIAR OS HOMOSSEXUAIS, MAS TAMBÉM NÃO PODEMOS DEIXAR QUE FALEM CONTRA A POSTURA DA IGREJA E FICARMOS CALADOS. DEVEMOS DEFENDER O NOSSO DIREITO DE EXPRESSÃO RELIGIOSA SEM TOLHER OS DOS OUTROS. QUEM QUISER QUE CASE-SE COM QUEM QUISER E QUEM QUISER SER IGREJA, QUE TENHA O DIREITO DE SÊ-LO INTEGRALMENTE E COM LIBERDADE, INCLUSIVE DE EXPRESSÃO!

sábado, 20 de novembro de 2010

JESUS É 100% DEUS E 100% HOMEM

A Igrejas Orientais descrevem os dedos dobrados para a palma da mão como as duas naturezas de Cristo e os três para cima como representação da Trindade.

Hesitei em polemizar e sequer deixei meus comentários nos blogs que tratavam do assunto, porque tal polêmica envolve amigos de blogosfera igualmente queridos. Falo da questão levantada no blog do Pr. Ciro, meu amigo – embora não indique mais o seu blog e ele também não indique mais o meu, não há motivos para não sermos amigos: ainda o sigo e ele ainda é seguidor do meu blog.

O problema de interpretação deu-se na área de Cristologia, Doutrina de Cristo, que o Pr. Ciro domina tão bem como bom hermeuta e professor de Teologia Sistemática que é. Quero antecipar-me para justificar a minha posição desde o início. O que tinha tudo para ser apenas um mal entendido passou a ser um desgastante e deselegante debate teológico. O Pr. Ciro Sanches quis apenas dizer, no início, em uma série de estudos que apresentava como “Coisas que a Bíblia não diz”, que a expressão “Jesus é 100% homem e 100% Deus” é um jargão que não se encontra na Bíblia Sagrada. Era só isso! Mas, alguns leitores foram além e interpretaram que o digno pastor estava querendo dizer que Jesus não era homem perfeito ou que estava negando a verdadeira natureza humana de Jesus, alguns até citando polêmicas antigas, que remontam aos tempos da Igreja Primitiva e da Patrística. Bobagens!

Até aqui a coisa andava bem. O problema maior é que, em minha humilde opinião, começou uma guerra de vaidades: os teólogos precisavam expor sua repulsa pelo conteúdo pseudo-herético. Contudo, não bastava expor seus pontos de vista, mas externar toda sapiência para mostrar mais conhecimento teológico que o outro. Enquanto nosso amigo acuado, tentava se defender nominando autores que defendiam seu ponto de vista, citando grego e etc.

Penso que o zelo excessivo do hermeneuta pode levá-lo ao isolamento e sua teimosia pode encaminhá-lo aos poucos para uma heresia ou um fanatismo disfarçado de biblicismo. Chamo esse tipo de teologia de “pelo em ovo”. Ora, questões teológicas que estão assentadas há séculos têm seu valor e até mesmo um jargão citado na história, por legítimos estudiosos da Bíblia, não pode ser desprezado. Inclusive, perguntei aos amigos mais antigos da Lapa, em São Paulo, e eles me afirmaram que o Pr. Valdir Nunes Bícego, de saudosa memória, também usava abundantemente essa expressão.

Pr. Ciro não é e nem merece a pecha de herege ou tresloucado. É um homem de Deus, que merece ser respeitado por seu histórico, pelo que já apresentou em termos de palestras e por seus livros. Estão crucificando um grande escritor por um mal entendido e por uma questiúncula, que a meu ver tomou proporções grandiosas sem necessidade alguma. Li o Blog do Pr. Silas Daniel, acompanhei o Blog do Pr. Newton Carpinteiro, passei os olhos no Blog do Pr. Robson Aguiar, visitei o espaço do Pr. César Moisés, vi recentemente o Blog do Pr. Geremias do Couto, entre outros, e acho que estão dando uma dimensão maior que o assunto merece. Digo o assunto do jargão não ser bíblico e não a Cristologia em si. Todos são bons cristãos, bons escritores, que amam e defendem nossa ortodoxia e ortopraxia. Entendo que um tom conciliador seria bem vindo nessa hora.

Sempre ensinei que Jesus Cristo é 100% Deus e 100% homem. A expressão não é bíblica, mas também não é herética, assim como os termos Trindade e livre-arbítrio também não, contudo não os tenho por heréticos, errados ou antibíblicos. Dizer que Jesus é 100% homem equivale a dizer que Ele é verdadeiramente homem e homem perfeito, integral. Alegar que Jesus não foi um homem como nós ou como Adão, porque não adoeceu ou porque não tinha inclinação para o pecado como nós, é desprezar os abundantes recursos da verdadeira hermenêutica e desprezar a história da teologia.

Não vou citar o grego, pois não sou especialista nas línguas originais, todavia, nunca (nós, hoje) precisamos recorrer ao idioma grego para entendermos essas questões das duas naturezas do Senhor Jesus em uma única Pessoa. Sugiro que leiam um post anterior a este referente à resposta que o Dr. William Craig dá acerca da união da natureza divina de Cristo à natureza humana de Jesus de Nazaré. E antes que alguém tente separar os dois (Jesus e Cristo), dizendo que quem morreu na cruz foi Jesus e não Cristo, sugiro a leitura de I Co. 15.3, e quanto ao teor inseparável dos nomes Jesus e Cristo (Jesus Cristo), recomendo Fp. 5.2-11.

Polêmicas à parte ainda admiro o trabalho do Pr. Ciro Sanches Zibordi, assim como aprecio os textos do Pr. Silas Daniel, César Moisés, Robson Aguiar, Geremias do Couto, Newton Carpinteiro e outros envolvidos. Convido a todos que lerem esse artigo a se empenharem a promover a conciliação de nosso pensar teológico e fazer convergir para a doutrina ortodoxa toda a nossa atenção. Fico aqui com o título do post do Pr. Geremias em seu blog: Use Sem Medo: Cristo é 100% Deus e 100% homem.

Em tempo. Admiro a obra e a capacidade do Pr. Altair Germano, mas a proposta para realização de um Concílio das Assembleias de Deus é, a meu ver, totalmente descabida. As Assembleias de Deus não têm problemas de interpretações acerca da Pessoa, Natureza e Obra de Jesus Cristo e em toda sua história de 100 anos de Brasil nunca teve. Com todo respeito ao nobre pastor, sua proposta é descabível quanto à questão cristológica, e mais: para debatermos questões doutrinárias, morais, administrativas e/ou litúrgicas, temos a Convenção Geral das Assembleias de Deus ou as convenções de cada ministério em particular.

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

DOCUMENTO DA IGREJA PRESBITERIANA DESENCADEIA NOVA ONDA DE PERSEGUIÇÃO GAY NO MACKENZIE

Atendendo apelo enviado por email pelo irmão Edson Camargo, do blog Profeta Urbano, quero ser solidário à liderança da Igreja Presbiteriana e ao seu pronunciamento de 2007 acerca do assunto leis homofóbicas. A Universidade Mackenzie, que recentemente publicou em seu site, vem recebendo críticas e ameaças desde que publicou parecer desfavorável às leis em questão. Abaixo transcrevo o documento que vem causando alvoroço no meio gay e mais ainda no meio "gospel gay". Boa leitura! 
Presidente do Supremo Concílio, rev. Roberto Brasileiro publica artigo com a posição da denominação frente a assuntos que estão mobilizando o país 
Na qualidade de Presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, diante do momento atual em que as forças organizadas da sociedade manifestam sua preocupação com a possibilidade da aprovação de leis que venham labutar contra a santidade da vida e a cercear a liberdade constitucional de expressão das igrejas brasileiras de todas as orientações, venho a público me MANIFESTAR quanto à prática do aborto e a criminalização da homofobia. 

I – Quanto à prática do aborto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reconhece que muitos problemas são causados pela prática clandestina de abortos, causando a morte de muitas mulheres jovens e adultas. Todavia, entende que a legalização do aborto não solucionará o problema, pois o mesmo é causado basicamente pela falta de educação adequada na área sexual, a exploração do turismo sexual, a falta de controle da natalidade, a banalização da vida, a decadência dos valores morais e a desvalorização do casamento e da família.

Visto que: (1) Deus é o Criador de todas as coisas e, como tal, somente Ele tem direito sobre as nossas vidas; (2) ao ser formado o ovo (novo ser), este já está com todos os caracteres de um ser humano e que existem diferenças marcantes entre a mulher e o feto; (3) os direitos da mulher não podem ser exercidos em detrimento dos direitos do novo ser; (4) o nascituro tem direitos assegurados pela Lei Civil brasileira e sua morte não irá corrigir os males já causados no estupro e nem solucionará a maternidade ilegítima.

Por sua doutrina, regra de fé e prática, a Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a legalização do aborto, com exceção do aborto terapêutico, quando não houver outro meio de salvar a vida da gestante.

II – Quanto à chamada Lei da Homofobia, que parte do princípio que toda manifestação contrária à homossexualidade é homofóbica e caracteriza como crime essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre a homossexualidade como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos. 

Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna, em 1988, já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “(...). desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1 Coríntios 6.9-11).

Ante ao exposto, por sua doutrina, regra de fé e prática, a Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada Lei da Homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática da homossexualidade não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas as orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.

Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil não pode abrir mão do seu legítimo direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo. 

Patrocínio, Minas Gerais, abril de 2007 AD.
Rev. Roberto Brasileiro
Presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil


Maranata. Ora vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

DEUS PODE MORRER? E CRISTO?

Vivo procurando artigos interessantes para suprir minha escassez de tempo (e intelectualidade) nos tempos de correção de provas da Faesp. Hoje encontrei essa pérola do Dr. William Lane Graic no blog da minha amiga Rô. O Mulheres Sábias (nome do blog da Rô), que eu indico para que sigam,  sempre traz textos edificantes e pertinentes à causa teológica, como debates e entrevistas com blogueiros. Vale a pena conferir. 
Vejam com que simplicidade, segurança e autoridade, o Dr. Craig fala sobre o assunto da encarnação, dupla natureza e única personalidade de Jesus Cristo. Profundo e simples. Boa leitura! 

Questão:

Olá Dr. Craig,
Eu gostaria primeiramente de agradecê-lo pelo tempo e trabalho que você dispensa ao seu ministério. Tem me beneficiado grandemente e foi o seu exemplo que me fez estudar e conseguir uma graduação em filosofia.
Sobre a minha questão, eu nunca consegui uma resposta clara a ela. Quando Jesus morreu na cruz, Deus morreu? Se sim, a essência de Jesus verdadeiramente morreu?
Esta questão realmente me incomodou enquanto eu estava escutando a música “And Can it Be?” [E pode ser?]. Tem uma parte nela, no fim do coro, que diz “Amazing Love! How can it be that Thou my God shoudst die for me? Amen!” [Grande amor! Como pode ser, Tu, meu Deus, morrer por mim? Amém!].
Eu nunca consegui uma resposta clara e concisa para esta questão e parecem existir diferentes opiniões entre os teólogos sobre a natureza desta questão. O pastor John MacArthur parece acreditar que Deus morreu, uma vez que Jesus é Deus. Já R. C. Sproul discorda e acredita que Deus não pode morrer.
Eu não consigo entender como pode ser possível que Deus pudesse verdadeiramente morrer. Por que se Deus pudesse, Ele não seria um Ser metafisicamente necessário. Mas isto é impossível porque, por definição, Deus deve ser necessário. Assim, quando Cristo morreu na cruz, foi apenas sua parte humana que morreu?
Esta é uma questão difícil, e eu apreciaria muito se você pudesse lançar alguma luz sobre ela.
Muito obrigado,
Jesse

Resposta do Dr. Craig:
Não pude resistir à sua questão, Jesse, uma vez que ela apela ao meu hino favorito, o magnífico “And Can it Be?”, de Charles Wesley. Eu desafio qualquer cristão que conheça apenas músicas de louvor e adoração a ouvir este hino e contemplar sua maravilhosa letra sobre o incrível amor de Deus.
Sua questão é uma das que confunde nossos amigos muçulmanos e é, portanto, muito urgente. Felizmente, a Igreja cristã histórica já discutiu esta questão de forma clara.
O Concílio de Calcedônia (451) declarou que o Cristo encarnado era uma pessoa com duas naturezas, uma humana e outra divina. Isto gerou consequências muito importantes. Isto implica que, uma vez que Cristo exista antes de sua encarnação, ele era um ser divino antes de falarmos sobre sua humanidade. Ele foi e é a segunda pessoa da Trindade. Na encarnação, esta pessoa divina assume uma natureza humana também, mas não há outra pessoa em Cristo além da segunda pessoa da Trindade. Existe um acréscimo de natureza humana que o Cristo pré-encarnado não tinha, mas não há acréscimo algum de uma pessoa humana à pessoa divina. Existe apenas uma pessoa, com duas naturezas.
Portanto, o que Cristo disse e fez, Deus disse e fez, uma vez que quando falamos de Deus, estamos falando sobre uma pessoa. Esta é a razão do Concílio falar de Maria como “a mãe de Deus”. Ela carregou no ventre uma pessoa divina. Infelizmente, esta linguagem tem sido desastrosamente interpretada, porque soa como se Maria tivesse dado a luz à natureza divina de Cristo quando de fato ela deu a luz à natureza humana dele. Maomé aparentemente ensinou que os cristãos acreditavam que Maria era a terceira pessoa da Trindade, e Jesus era o descendente da relação entre Deus Pai e Maria, uma visão que ele corretamente rejeitou como blasfema, não obstante nenhum cristão ortodoxo a abraçasse.
Para evitar tais desentendimentos, é proveitoso falar do que ou como Cristo fez em relação a uma das suas naturezas. Por exemplo, Cristo é onipotente em relação a sua natureza divina, mas é limitado em poder em relação a sua natureza humana. Ele é onisciente em relação a sua natureza divina, mas ignorante sobre vários fatos em relação a sua natureza humana. Ele é imortal quando nos referimos a sua natureza divina, mas mortal quando nos referimos a sua natureza humana.
Você provavelmente já consegue entender agora aonde eu quero chegar. Cristo não poderia morrer em relação a sua natureza divina, mas ele poderia morrer em relação a sua natureza humana. O que é a morte humana? É a separação da alma do corpo quando o corpo cessa de ser um organismo vivo. A alma sobrevive ao corpo e se unirá com ele novamente algum dia em forma ressurreta. Foi isto que aconteceu com Cristo. Sua alma se separou do seu corpo e seu corpo cessou de viver. Por alguns instantes ele desencarnou. No terceiro dia Deus o ressuscitou dos mortos em um corpo transformado.
Em parte, sim, nós podemos dizer que Deus morreu na cruz porque a pessoa que submeteram à morte era uma pessoa divina. Então Wesley estava totalmente correto em perguntar “Como pode ser, Tu, meu Deus, morrer por mim?”. Mas dizer que Deus morreu na cruz é conduzir erradamente a questão, da mesma forma como fazem quando dizem que Maria era a mãe de Deus. Assim eu acho melhor dizer que Cristo morreu na cruz em relação a sua natureza humana, mas não em relação a sua natureza divina.
Tradução: Eliel Vieira
Materia extraida do site;/Arminianismo.com

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.