sexta-feira, 28 de maio de 2010

O PROFETISMO NO ANTIGO TESTAMENTO


Prezados leitores e amigos, o presente texto é de autoria de Roberto Amorim, um amigo que conheci na blogosfera. Até pouco tempo era conhecido por Seminarista Teo, mas depois de sua formatura, é mais reconhecido como Roberto Amorim, Bel. em Teologia. Boa leitura.

Com os profetas, o Antigo Testamento alcança o ápice, seja como valor espiritual absoluto, seja como preparação para o Novo Testamento. Os profetas eram homens que Deus investia diretamente do seu espírito para uma missão espiritual no seio do seu povo, em tempos de perigo ou de necessidade religiosa e moral. Tornavam-se assim, guias espirituais do povo de Israel, pelo mesmo titulo com que outrora os juizes suscitados por Deus, eram os chefes políticos e militares, os libertadores no tempo de aflição.


Embora tenha havido pessoas dotadas de espírito profético desde as origens do povo hebreu (cf. Gên. 20:7; Núm. 11:25-26; Dt. 34:10), contudo, somente a partir de Samuel esses homens inspirados por Deus, e por ele enviados ao povo sucedem-se com tal freqüência, que chegam a formar uma cadeia ininterrupta durante cerca de seis séculos (aproximadamente desde 1050 a 450 a.C., Cf. 1 Sam. 3:1).

Considerando o exercício do ministério profético, este longo intervalo de tempo divide-se em dois períodos sensivelmente iguais. Nos três primeiros séculos, isto é, até por volta de 750 a.C. temos os profetas de ação, como, por exemplo, Elias (1Rs-2Rs 2), que pregam energicamente, mas não escrevem, ao passo que os profetas escritores viveram todos nos séculos seguintes: são os profetas cujos vaticínios ou mensagens nos foram transmitidos por escrito. Estes últimos costumam-se dividi-los, com base na extensão de seus escritos, em duas categorias: Profetas Maiores e Menores. Os primeiros são, por ordem cronológica, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel (sobre este último, porém, confronte-se a introdução ao seu livro). Os Menores, em número de doze, foram por algum tempo reunidos num só volume, em ordem aproximadamente cronológica, ou, ao menos, na que era julgada tal.

Objeto da pregação tanto dos profetas de ação como dos escritores, era defender a pureza do monoteísmo javista contra as contaminações ou infiltrações idolátricas, concitar o povo à santidade dos costumes, exigida pela lei divina, combater as desordens sociais, principalmente a opressão dos humildes, opor-se ao formalismo religioso, inculcando o primado do espírito interior sobre os ritos externos, anunciar a cada cidadão e a toda a nação os tremendos castigos de Deus, em conseqüência das culpas cometidas, como também oferecer a perspectiva de um futuro melhor, fruto do arrependimento, porvir radioso, o mais das vezes compendiado em termos esperançosos e genéricos de paz e de salvação.

Nesta ordem de idéias, própria dos profetas escritores, apresenta-se-nos a majestosa e cativante figura de um descendente de Davi, mediante o qual se realizarão as venturosas promessas. Ele é o Salvador dos povos, o restaurador da religião e da justiça, o soberano de um reino eterno de paz. Os profetas designam-no com diversos nomes ou títulos: Emanuel, Servo de Javé; Rebento de Davi, Davi por antonomásia, Germe divino etc. Somente uma vez (Dan. 9:26) é denominado com o apelativo de Masiah, ou Messias, que mais tarde se tornará termo técnico e pessoal. Compreendem-se, assim, como os apóstolos citem freqüentemente no Novo Testamento os vaticínios dos profetas para provar aos judeus que o Messias que eles preanunciaram é o seu Mestre, Jesus de Nazaré.

Esse prenúncio constitui o ponto alto da missão dos profetas. Mas não se limita a isso, como, tampouco, à predição do futuro em geral, se limitaria a missão própria dos profetas, como erroneamente poder-se-ia deduzir deste vocábulo vernáculo, derivado do grego. Em hebraico, o termo correspondente é “nabi,” que, propriamente, significa um arauto (da divindade), um mensageiro. Os profetas eram, pois os porta-vozes de Javé, que transmitiam ao povo aquilo que Deus lhes ordenava transmitir; eram os pregoeiros da mensagem divina à nação ou aos indivíduos. O termo mais comum para indicar a mensagem divina era também o mais amplo: “a palavra de Javé,” que no seu objeto desconhece limites.

Deus, portanto, falava aos profetas, os quais, por sua vez, transmitiam sua palavra aos homens. De que maneira e por quais caminhos chegava a palavra divina a esses espíritos de eleição, é um segredo da mística sobrenatural. Em muitos casos, porém, eles mesmos no-lo revelam em seus escritos. Assim, descrevem-nos as, visões com que foram favorecidos (Is. 6; Ier. 1:11-19; Ez. 1-6; Am. 7-8; Zac. 1-6), mediante uma ação sobrenatural, exercida quer sobre os sentidos exteriores, quer sobre a imaginação e as faculdades interiores. Outras vezes era uma voz que lhes falava, de maneira semelhante, seja sensivelmente, seja mediante uma ação interior. O objeto da revelação podia apresentar-se-lhes na sua realidade direta, como em Is 6, ou por meio de símbolos, como em Am 7-8. Outras vezes a lição era sugerida pela observação de um fato sensível, como em Jer 18. Na maioria das vezes, porém, havia uma iluminação direta da mente do profeta. Sempre, porém, este percebia que Deus lhe falava, e era da indesmoronável convicção da origem divina do seu mandato que hauria uma força sobre-humana, capaz de vencer qualquer obstáculo (cf. Is. 50:4-8; Jer. 1:17-19; 20:7-12; Ez. 3:8-9; Am. 3:7-8; 7: 12-17).

A mensagem divina era comunicada, em geral, mediante a pregação (cf. Jer. 7:1-15), outras vezes, mediante uma ação simbólica, realizada publicamente, com a finalidade de causar maior impressão sobre o povo (Is. 20; Jer. 13;19; Ez. 4-5). Já no segundo período, as mensagens proféticas passavam mui freqüentemente da pregação viva para o escrito (cf. Jer. 36) e então assumiam facilmente forma mais literária, geralmente mais concisa e muitas vezes eram exaradas ou refundidas em formas poéticas mais apuradas, que juntavam à fascinação da beleza poética a vantagem de imprimir mais facilmente a palavra divina na memória. É até provável que, unindo ao verso a melodia, muitos desses poemas fossem cantados pelas praças e ruas, por zelosos discípulos dos profetas, para fins de propaganda.

Ao passarem, pois, da pregação oral para a escrita, esses “homens de Deus” (título honroso, reservado por antonomásia aos profetas; cf. 1 Sam. 2:7 ; 9:6; 1 Rs. 13:1; 17:18; 2 Rs. 4:7 etc). Recebiam um carisma especial de inspiração, que conferia a seus escritos o valor de livros sagrados, dignos de ser inseridos no cânon das Escrituras divinas. Essa inspiração recebe esse caráter específico do seu termo, a escrita, que faz com que a palavra seja fixa, duradoura e imutável, o que a expressão oral não é. Na sua natureza de oráculo divino não difere, porém, da inspiração profética comum. É por isso que os teólogos, como Sto. Tomás de Aquino (Suma Teológica, 2a-2a, q. 171-178) costumavam tratar da inspiração bíblica juntamente com o carisma profético, e os antigos Padres chamavam freqüentemente “profeta” a qualquer escritor bíblico, porque inspirado.

O profetismo ergue-se, portanto, paralelo à lei e, juntamente com ela, sustém o edifício sagrado da religião hebraica, quer em função social no seio do povo de Israel, quer como monumento literário no Livro divino, a Bíblia. Daí a razão por que em linguagem bíblica, de modo especial no Novo Testamento, é de uso corrente o binômio “Lei e Profetas” para indicar todo o Antigo Testamento (cf. Is. 2:3; 2 Mac. 15:9; Mt. 11:13; Lc. 24: 27 etc.).O profetismo era uma instituição divina em Israel, prevista e aprovada pela lei (Dt. 18:15-20). O profeta, porém, recebia diretamente de Deus a investidura de sua missão, independente da aprovação da autoridade civil ou do sacerdócio (cf. 1 Rs. 18:16-18; Jer. 1:17-19; Am. 7:10-17).

Testemunha de que Deus lhe tinha falado e de que o enviava, era o profeta mesmo, e devia ser acreditado na sua palavra. Garantia suficiente da sua sinceridade e da sua vocação divina, era sua pureza de vida e de doutrina, ou, em alguns casos, a realização de seu vaticínio (Dt. 13:1-3; 18:21-22). Foi assim que já no limiar do Novo Testamento apresentaram-se às turbas de Israel, João Batista e Jesus de Nazaré.

Em Cristo,


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Roberto de Figueiredo Amorim
Msn robertofamorim@hotmail.com
http://blogs.gospelmais.com.br/sacerdotelevita
"Crendo, pois aquele que fez a promessa é fiel"

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

UMA ESTER NÃO PODE SER NEUTRA (II)

Pr. Flauzilino Araújo dos Santos

(...) Onde estão essas Esteres? No campo, nas fábricas, nas universidades, nos lares, no serviço público, nos serviços domésticos, no âmbito cultural, artístico, das letras, da ciência, da tecnologia, enfim, Deus está colocando os seus embaixadores e embaixadoras em lugares e postos estratégicos. Agora mesmo nesta igreja existem Esteres - homens e mulheres - que estão sendo preparados “para um tempo como este”. E o último que lhes digo é que quando chegou o momento preciso em que todos esses elementos se conjugaram e se uniram e chegou o momento da crise final, pois Hamã conseguiu que o rei Assuero editasse um decreto real de extermínio de todos os judeus, em um só dia, exatamente no dia 28 de fevereiro do ano seguinte. 

Mardoqueu chamou Ester e lhe disse: Ester, o povo de Deus vai ser exterminado (o nome técnico do extermínio deliberado de um grupo racial é genocídio) e a sua intervenção, em virtude do seu acesso perante o rei é absolutamente fundamental – você é a chave; você não pode ser neutra. Se você pensa que vai escapar por ser a consorte do rei, não pense que você vai escapar. E tem mais: Se você ficar calada numa ocasião como esta, Deus vai livrar os judeus de algum outro modo, mas você e seus parentes vão morrer. Ester 4:14 “E quem sabe se foi mesmo para uma ocasião como esta que Ele fez você ser escolhida como rainha?” Nós temos um exemplo de menos de 100 anos. Na Alemanha quando, nos anos 30, o povo de Deus estava sendo exterminado (os judeus estavam sendo exterminados) muitos judeus haviam mudado seus nomes e alguns, cerimonialmente, se haviam convertido ao cristianismo, sem ter nenhum desejo de fazê-lo, porém, simplesmente por fazer por ser politicamente recomendável, e haviam obtido, inclusive, isenções e todo tipo de salvaguardas e de garantias de vida, então eles pensaram que os nazistas iam perdoar suas vidas e que iam escapar do destino de seus demais irmãos. Não foi assim. Quando chegou o momento do extermínio, todo o que tinha sangue judeu foi exterminado, todos os que eles puderam prender, não importava sua condição, quanto dinheiro tinham, se eram cientistas, professores, músicos, escritores ou artistas; não importava quanto pagaram ao governo, se foram leais ou não a Hitler; nada lhes importava. Todos os judeus que puderam ser presos foram levados para campos de concentrações e tratados como animais; milhares para a câmara de gás.

O Espírito Santo quer que nós entendamos algo nesta noite. O diabo, nosso adversário, quando ele odeia, ele odeia com ódio irreconciliável. Satanás não sabe parar, quando sua sede de sangue se desperta ele segue, segue, segue, e segue, e só pode ser detido por meio de resistência, em o nome de Jesus. Nós precisamos ter um olhar ativo, e positivo, e resistente contra as operações do inimigo, que são chamadas em Efésios 6:11 de “astutas ciladas do diabo”. Ele é hostil e agressivo. Vamos ler 1 Pedro 5:8 “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar”. No versículo 9 ele diz: “ao qual resisti na fé”. Nós estamos em guerra. Está escrito no Salmo 144:1 que o Senhor adestra as nossas mãos para a batalha e os nossos dedos para a guerra. Precisamos estar prontos para a batalha e também para a guerra. Então o crente deve estar espiritualmente alerta e estar apto para usar o armamento descrito em Efésios 6:10-18, que são armas poderosas em Deus para destruição de fortalezas, mentiras e de tudo quanto se levante contra o conhecimento de Cristo. Nós às vezes pensamos que se mantermos a boca calada, se não enfrentarmos as trevas, se não ganharmos ninguém para Jesus; se ficarmos de boca calada; se não falarmos muito; se formos simpáticos com a sociedade corrupta e decaída, que isso como que vai calar o complô do inimigo contra os valores do Reino de Deus. Não nos equivoquemos. Esse é um engano do diabo; é uma mentira do adversário; é mais uma das suas astutas ciladas. Não faça acordo com o inimigo; Ele vai querer arrancar o seu olho direito. Não só o seu, mas o de toda a sua família. Em 1 Samuel 11 há um relato de um momento em que o povo de Deus quis fazer uma aliança (um acordo) com os seus inimigos e no versículo 2 está escrito assim: “Porém, Naás, amonita, lhes disse: Com esta condição, farei aliança convosco: que a todos arranqueis o olho direito, e assim ponha esta afronta sobre todo o Israel”. Não faça acordo com o inimigo; Ele vai querer arrancar o seu olho direito. Não só o seu, mas o de toda a sua família.

Vamos citar alguns exemplos: Quando o pai leva o filho para a balada; esse pai (ou essa mãe) está fazendo acordo com o inimigo. Quando a pessoa leva filmes impróprios para sua casa ou permite que outros levem essas películas produzidas por inspiração de demônios para que sejam exibidas em seu lar (filmes de violência - porque os filmes de violência fazem apologia das obras do maligno -, filmes de vampiragem; filmes de invocação de mortos; filmes de invocação de demônios) essa pessoa está literalmente fazendo um acordo com o inimigo. Embora não seja um acordo de papel passado, é um acordo com o elemento físico, que é o ambiente. Quando a pessoa se assenta na roda dos escarnecedores - e dá risadas de piadas sujas, piadas maliciosas; piadas que menosprezam o ser humano que foi criado à imagem e semelhança do Deus Altíssimo; piadas que envolvem a pessoa maravilhosa de Jesus; piadas que envolvem o Espírito Santo; que envolvem o poder do sangue de Jesus – Esse assentar na roda dos escarnecedores, que pode ser presencial ou pode ser virtual (é virtual quando isso ocorre diante de uma TV) – essa pessoa está fazendo um acordo com o inimigo. Ah... O mundo mudou: agora não tem mais esse negócio de casamento, ou de esperar o casamento; agora pode tudo; é preciso ter experiências antecipadas, então é melhor dormir em casa com a namorada, do que ir para lugares que a gente não sabe onde são. E além de tudo, até as leis mudaram e estão mudando.

(...) Há outro fato que é o avanço muito grande das drogas, da homossexualidade, do lesbianismo e nós não podemos ser ingênuos e pensar que nossos filhos, filhas, e nossos netos e netas, vão ser perdoados dos ataques do inimigo. Irmãos, isso é uma contaminação tóxica que não se sabe a quem vai atingir um dia se não colocarmos um PARE e então temos que pensar, como disse Mardoqueu a Ester: Não pense em nenhum momento que isto é só por um momentinho; que isso é passageiro e que logo passa. Não. Isto é algo que segue, e segue, e segue e que vai invadindo, com um vírus canceroso, todas as estruturas da sociedade; e nós não podemos ser neutros. Nós estamos em guerra e não podemos ser neutros; assim que a igreja de Cristo não pode ser neutra; a igreja tem que ser profética; a mensagem tem que ser clara; tem que ser insistente; a mensagem tem que ser urgente e tem que ser bíblica. Individualmente, nós temos a obrigação de melhorar nossas vidas a cada dia e pedir ao Senhor que nos ajude a ser íntegros, a cada dia. Em Romanos 12:2 diz “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

(...) Eu quero terminar dizendo: Não desperdice o seu tempo; não desperdice as suas energias. Instrua-se, leia, ame ao Senhor, seja fiel nos seus dízimos e nas suas ofertas, dê as suas energias para o trabalho do Senhor, traga seus filhos para a igreja, participe das coisas do Senhor; seja um professor na escola dominical, ajude no discipulado, desligue a televisão, desconecte esse aparelho da tomada por uns tempos e dedique o seu tempo a edificar-se e a ler a palavra de Deus. Seja cheio do Espírito Santo, venha a Igreja regularmente, sirva ao Senhor, dê seu dinheiro ao Reino de Deus e às coisas que edificam a vida. Viva uma vida intencional.

Será que nesta noite podemos falar: Eis me aqui, Senhor? Será que nesta noite podemos renovar nosso compromisso com o Reino de Deus? Ore agora e fale com Deus que você quer fazer a diferença; que como parte integrante desta igreja você deseja fazer a diferença e ser parte dos propósitos de Deus para o Brasil e até os confins da terra.

Pr. Flauzilino de Araújo dos Santos, é pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Vila Nova, Campinas, é membro da diretoria da Igreja Assembleia de Deus em Campinas, presidida pelo Pr. Paulo Freire. Também é o proprietário-responsável pelos sites www.assembleia.org.br e www.telepaz.com.br, onde o auxilio como conselheiro e intercessor. O Dr. Flauzilino tem muitos outros títulos que não convém expor aqui e nem ele os quereria ver publicado, posto que é um homem humilde e que fez profissão de servir a Deus.

Esse brilhante sermão foi pregado pelo nobre pastor por ocasião da passagem de ano em sua congregação. 

Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos. 

terça-feira, 11 de maio de 2010

UMA ESTER NÃO PODE SER NEUTRA (I)

Pr. Flauzilino Araújo dos Santos

Ester 2:15-23; 3:1-2; 8-10; 4:1-14.

(...) Meditar na vida dessa mulher; meditar em seu estado de obediência é muito apropriado para tudo o que Deus nos tem falado e nos tem revelado; é um exemplo para ser imitado, porque esta mulher está na lista daqueles que pela fé e pela paciência alcançaram as promessas. Porém, o que mais me toca acerca deste livro é que apresenta o povo de Deus em um tempo também de crise, como o tempo em que estamos vivendo agora. Estamos vivendo um tempo de crise da historia da humanidade.

O povo de Deus está impotente, sob o ponto de vista humanístico; como a igreja, eu creio que está impotente, no sentido genérico da palavra, em uma nação como o Brasil e em um continente, e também em uma época da história em que a igreja não tem na realidade, como influir e influenciar em uma forma muito poderosa as estruturas do mundo. Nós estamos em minoria, em um sentido social e político, em nossa capacidade de influir estatisticamente no que está acontecendo em nossa nação e em seus processos sociais (...). 

Então povo de Israel estava cativo e impotente na Babilônia e em todo o reino Persa e em toda essa área onde havia sido exilado. Eles não tinham voz, nem voto, nem propriedades e nem direitos. Como nos tempos de Ester, também hoje existem poderes políticos e coletivos que estão no controle em muitos sentidos do que está acontecendo na nossa sociedade, na nossa legislação, na economia e nas esferas de poderes do Brasil e do mundo, e que são influenciados pelo inimigo. E nós não podemos nos manter inertes e neutros diante dessas situações.

O rei Assuero não era um homem que necessariamente era uma pessoa temente a Deus e nesse reino também se levanta outro homem que se chama Hamã, que é como um símbolo do anticristo; um homem que odiava o povo de Deus, um homem sanguinário, cheio de orgulho, de arrogância, presunçoso, egocêntrico, ensimesmado, com desejo de publicação da sua própria glória, e que queria destruir o povo de Deus.
Eu creio que existem nestes tempos espíritos de anticristo que já tem tomado posse do mundo e da terra e ainda de nosso próprio país, e estão instalados até certo ponto em vários centros de poder e de decisões deste País, mas que necessitam ser confrontados e resistidos pelo povo de Deus; e nós não podemos nos manter passivos e neutros, porque o espírito do anticristo, que é o espírito do erro, está levando pessoas, governos, empresas, universidades ao erro e à mentira, em oposição do espírito da verdade; e nós não podemos ser neutros.


1 João 4:3 diz “e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem, e presentemente já está no mundo”. Então vamos entender com ajuda do Espírito Santo que não estou me referido a uma pessoa em particular; também não estou me referido a um partido político, mas ao sistema total, que, eu creio, está afetado pelo espírito do anticristo e que milita contra os valores do Reino de Deus, os valores da Igreja, os valores do Evangelho e do Espírito Santo. Os valores deste mundo dizem respeito à secularização, ao racionalismo, ao humanismo, ao orgulho humano, à concupiscência dos olhos, à concupiscência da carne, e a soberba da vida e a todas as coisas que se levantam contra o conhecimento de Cristo. Mas nós temos a mente de Cristo e Deus, em Cristo, mediante o Espírito Santo, nos dá uma capacitação sobrenatural para identificar e para distinguir o espírito da verdade e o espírito do erro. Essa capacitação espiritual pode ser chamada de discernimento. Em 1 Coríntios 2:14-15 diz: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o (homem ou a mulher) que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido” (...) E nós não podemos ser neutros diante de tal constatação.

O que é ser neutro? O que significa esse adjetivo – neutro? O dicionário da língua portuguesa Houaiss traz os seguintes significados para o vocábulo neutro:
Que não se posiciona;
Que se abstêm de tomar partido;
Que não se envolve com (alguém ou algo); 
Que não se compromete com (alguém ou algo);
Sem clareza, imparcial, impreciso, indefinido, vago, indiferente;
Que não se engaja;
Insensível; neutral.
O crente não pode ser neutro.

E Hamã, para mim, representa esses espíritos de anticristo que odeiam os valores da Palavra de Deus e que querem roubar, matar e destruir a nossa fé e exterminar os servos e as servas de Deus. O adversário tem ódio do Reino de Deus, e tem ódio da igreja de Jesus, que é a noiva do Cordeiro.
Nós não podemos ficar surpresos com o ódio do mundo; não podemos ficar surpresos quando somos odiados pelo mundo; menosprezados pelo mundo; ignorados pelo mundo; caluniados pelo mundo - porque Jesus já nos advertiu em João 15:19 dizendo: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece”.
Em João 17:14-16 quando Jesus ora ao Pai por seus discípulos e também ora por nós, porque ele orou também por aqueles que haveriam de crer na Sua Palavra também e Ele disse: “Pai: Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livre do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou”.
Com esse entendimento da nossa responsabilidade, do nosso comprometimento com Reino de Deus, e do comportamento espiritual e emocional que devemos ter, voltemos para o reinado de Assuero.

Deus estava trabalhando em prol do Seu povo que estava cativo na Babilônia e agora Deus levanta outro homem que se chamava Mardoqueu, que para mim representa o espírito de piedade e de temor a Deus; o espírito e a disposição psicológica de coragem e de renúncia a prostrar-se diante dos poderes da terra; representa um espírito fiel a Deus. Mardoqueu se recusa a prostrar-se diante de Hamã, e Hamã está cada vez mais ganhando ascendência, força e importância diante do rei; a cada dia ele ganha mais poder e vai se tornando como o ministro favorito do rei Assuero e então, agora que Hamã está fortalecido ele quer fazer valer o seu ódio contra o povo de Deus. Mardoqueu representa, em minha opinião, a determinação e os interesses dos crentes e da igreja que querem manter vivo o evangelho em meio de situações difíceis e que se recusam a dobrar-se e por isso, suportam hostilidade e perseguição do reino das trevas.E Deus está vendo mais além, eu creio que neste tempo quando nós vemos o que está acontecendo com o mundo, não há como não se encher de angústia. Jesus disse em Lucas 17:26-29 que os dias que precedem a sua vinda seriam semelhantes aos dias de Noé e aos dias de Ló.

Pela similitude de nossos dias com os dias de Ló, pois em Lucas 17:28 diz que os dias que precedem a vinda de Cristo são semelhantes aos dias de Ló em que as pessoas estavam completamente envolvidas consigo mesmas: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam. As pessoas continuaram envolvidas com e absorvidas com as atividades rotineiras da vida como se elas fossem permanentes, até que choveu do céu fogo e enxofre e consumiu a todos. Jesus disse em Lucas 17:30 que “Assim será no dia em que o Filho do Homem se há de manifestar”. Então pela similitude de nossos dias, com os dias de Ló, não há como não se angustiar, como Ló se angustiava nos seus dias, com o panorama que vemos e ouvimos. Em 2 Pedro 2:7 diz que Ló, habitando entre homens e mulheres dissolutos e abomináveis, afligia todos os dias a sua alma justa, pelo que via e ouvia sobre as suas obras injustas. Sintomaticamente, um dos pecados que se grassava na sociedade de Sodoma era o homossexualismo; daí a palavra sodomia. Era um pecado que se alastrava e se multiplicava, mas era um pecado simpático; era um pecado popular; e a cada dia aumentava o número dos adeptos e simpatizantes, até que Deus resolveu destruir aquela cidade com os seus habitantes.

Quantos sabem que Deus pensa estrategicamente? Deus não é um expectador. Ele se assenta no globo da terra não como um expectador. Deus não está se divertindo como que assentado em uma roda gigante global. Ele está preparando as peças; é tudo excelentemente técnico; é tudo planejado; é tudo exato. Em Isaías 40:22 diz “Ele é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; ele é o que estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para neles habitar”.

Há uma grande infestação de poderes demoníacos sobre a terra – são espíritos (ou demônios) aliados do anticristo e dos anticristos, influenciando a arte, a cultura, a religião, os costumes, a comida, a música, a economia, a medicina, a arquitetura, os esportes, a tecnologia e as ciências do conhecimento humano em geral. Isso está acontecendo com muita velocidade e envolve pessoas que, na verdade, consciente ou inconscientemente, são associados espirituais do anticristo ou dos anticristos (...). 

Porém, acima dessa grande presença demoníaca nos ares, o Senhor está olhando de uma forma soberana, para este cenário. E Ele não expectador; ele é o autor e o consumador de todas as coisas. Deus não está cansado; Deus não está estressado; Deus não está sonolento; Deus não está assustado; Deus não está improvisando situações; Ele está no controle total e absoluto. Isaías 40:28 “Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos confins da terra, nem se cansa, nem se fatiga?”

Eu sempre tenho crido que Deus está no controle, e que Deus está fazendo as coisas como Ele quer, no Seu momento; nem antes, nem depois, mas no momento exato; na plenitude dos tempos.
(Continua)


Pr. Flauzilino de Araújo dos Santos, é pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Vila Nova, Campinas, é membro da diretoria da Igreja Assembleia de Deus em Campinas, presidida pelo Pr. Paulo Freire. Também é o proprietário-responsável pelos sites www.assembleia.org.br e www.telepaz.com.br, onde o auxilio como conselheiro e intercessor. O Dr. Flauzilino tem muitos outros títulos que não convém expor aqui e nem ele os quereria ver publicado, posto que é um homem humilde e que fez profissão de servir a Deus.


Esse brilhante sermão foi pregado pelo nobre pastor por ocasião da passagem de ano em sua congregação. Peço desculpas por editá-lo, mas, devido ao volume do conteúdo, achei por bem fazê-lo para tornar viável a publicação nesse blog. Em breve publicarei a segunda parte. 


Maranata. Ora Vem Senhor Jesus!
Deus abençoe a todos.