segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A TEOLOGIA POBRE PRECISA DE UMA REFORMA URGENTE

"Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam corrompidas as vossas mentes, e se apartem da simplicidade e pureza devidas a Cristo" (II Coríntios 11.3).
















Catedral de Wittemberg

Vivemos momentos de crises diversas em nosso país: econômica, educacional, habitacional, religiosa, entre outras. Mas, há também a crise teológica. Nossa pobre nação tupiniquim não consegue formar teólogos ou teologias que subsistam a crises ou respondam às angústias do brasileiro do século XXI. Sofremos um período de verdadeira sequidão intelectual e teológica como nunca se viu antes. Nossos modelos referenciais nessa área falharam e seus conceitos de moralidade faliram, outros se deixaram levar pela teologia-filosofia-maligna que nega a Soberania de Deus.

A pobreza teológica é visível também em muitos de nossos cursos teológicos, cheios de liberais e neoliberais com suas idéias curtas acerca da Divindade. Também paupérrimos são os conservadores ortodoxos "sistematicamente" bitolados em sua visão de um Deus nada criativo, quase mórbido. Nem um nem outro produzem uma teologia realmente livre, brasileira. Recorrem ao charlatanismo americanizado em livros que nada dizem de novo. São todos compiladores profissionais, copiadores de idéias alheias. Maldita seja a teologia que não produz resultados no ou para o Reino de Deus. Malditos sejam os teólogos de carteirinha que exibem diplomas em seus escritórios ou gabinetes e nada têm de piedade em suas vidas. São religiosos com as mentes treinadas para elaborar sofismas, enriquecem a custa da miserabilidade intelectual de nosso povo evangélico.

Cazuza, cantor e compositor profano, cantou certa vez "meus heróis morreram de overdose/ meus inimigos estão no poder/ ideologia/ eu quero uma pra viver". Causa-nos perplexidade a mudança de rumo daqueles que poderiam ser uma voz profética em nossa nação. Há aqueles que se aproveitam do triste momento histórico-teológico para esbravejar na televisão sua salada em forma de pregações, outros se valem da tal "teologia" doentia da prosperidade, da confissão positiva, do triunfalismo, do misticismo, do fetichismo; valem-se da maldição hereditária, culpam os demônios pelos seus próprios pecados, elaboram teologias pragmáticas-mercantilistas e outros que começaram na base da comunidade, identificando-se com os pobres - leia-se ovelhas -, tornaram-se burgueses elitistas e pastores de si mesmos. São pastores-filósofos, acadêmicos frios e esquisitos, sem noção das necessidades do rebanho, perderam a visão, a compaixão e a simplicidade que há em Cristo (II Co.11.3).

Meu conceito de teologia livre não é uma teologia sem hermenêutica, sem tradição histórica, sem curso teológico, nem política-libertadora, mas sim teologia simples – não simplória, ingênua – bíblica, com unção do Espírito, teologia pé-no-chão, expressão do Amor e da Soberania de Deus igualmente, teologia pedro-joão-paulo-tiago-ágabo-timóteo-silas-maria-áquila-priscila, teologia primitiva, com sinais genuínos do Reino em nós, sem floreios, sem as amarras do intelectualismo acadêmico ou as ataduras do conservadorismo indolente, sem escritório ou gabinete; comprometida com o rebanho, com o pastoreio de almas, com o Reino de Deus aqui na Terra e com a comunidade. O enriquecimento teológico virá quando voltarmos à Bíblia a exemplo dos reformadores e deixarmos o neo-escolasticismo reinante em nossos cursos e em muitos púlpitos ditos evangélicos. Teologia livre não tem opção preferencial por classes, nem se fixa na pessoa do rico ou em sua conta bancária. É livre, transcende barreiras, sai do templo, vai às ruas, às praças e areópagos da vida, promovendo mudanças espirituais, éticas e sociais.

Pr. Guedes

sábado, 8 de agosto de 2009

PASTOR AMERICANO PROMETE UNÇÃO FINANCEIRA ESPECIAL POR "APENAS" R$ 900,00 NA TELEVISÃO BRASILEIRA.

O chamado mercantilismo evangélico não tem limites. Onde vão parar os absurdos dos tele-evangelistas que não cansam de pedir dinheiro descaradamente na mídia?!

Ao ligar a TV no sábado pela manhã deparei-me com o programa de um senhor que está prostituindo a imagem da verdadeira Assembleia de Deus ao trazer um pregador americano renomado para fazer propaganda de uma bíblia que traz uma suposta unção financeira. Bíblia essa que esse pastor lançou no Brasil.

Sem corar o "profeta" americano, após falar acerca da prosperidade em meio à crise financeira mundial, propôs uma oferta voluntária de "apenas" R$ 900,00 e condicionou o cumprimento de todas as promessas de Deus na vida de Seu povo ao "semear" esse valor no "ministério" desse senhor, enquanto o telefone não parava de aparecer na tela com pessoas atendendo, inclusive de 1:30h às 6:00h da manhã. Logo em seguida o apresentador explica que as ofertas poderão ser feitas de três maneiras, expondo o número das contas correntes nos bancos.

Para justificar o "valor" do cumprimento das promessas, o pastor-apresentador diz que a oferta precisa ser voluntária, por amor, senão não tem valor. Ou seja, se não for movido por fé na "palavra profética" não receberá o cumprimento. Astuto, o pastor que é da Assembleia de Deus, fez questão de fazer referência que a palavra não foi pronunciada por ele, mas pelo profeta: "se você creu na palavra profética desse servo de Deus...", o que é uma forma de dizer indiretamente: "Eu não tenho nada com isso, foi ele quem disse". Já não é a primeira vez que ele traz "profetas" de outros ministérios e convenções para justificar que a idéia não partiu dele, mas de uma revelação especial de Deus para seu ministério através de outrem. Assim ele tem argumento para se justificar diante da convenção a qual pertence.

Em determinado momento de sua exposição, o americano disse: "Se você fizer essa oferta voluntária no ministério de nosso irmão (...) todas as promessas de Deus para sua vida serão cumpridas até 1o. de janeiro (...) Deus vai mandar uma unção financeira especial para sua vida". É vergonhoso vincular a bênção de Deus a um valor estipulado para oferta! É uma vegonha! Esse senhor vem lá da América com seus dedos cheios de anéis, trazer uma mensagem que se diz profética para uma nação que tem um salário mínimo miserável, onde seria necessário para boa parte dos fiéis juntar dois ou três meses de salário para ofertar o valor proposto. A idéia que se tem é que quem não tem esse valor não será abençoado com a "unção especial" revelada pela "palavra profética" trazida pelo "homem de Deus". E mais: É seletiva, posto que somente os que têm tal valor (eu não tenho) serão abençoados, repito: com o cumprimento de todas as promessas de Deus para sua vida. Que vergonha! Até quando a Assembleia de Deus vai ficar envergonhada nos sábados pela manhã?! Não existe tal coisa. Não existe uma unção financeira especial. Isso é linguagem de mídia para arrecadar fundos da forma mais desavergonhada.

O leitor estaria disposto a dar tal quantia para ver o cumprimento de todas as promessas para sua vida até 1o. de Janeiro de 2010? E o que dizer de II Co. 1.20 que diz que "todas quantas promessas há de Deus, são nEle sim; e por Ele o Amém, para a glória de Deus, por nós"?! Não critico o fato de pedir oferta em si, mas o modo como se faz, subestimando a inteligência do povo de Deus.

Sabe o que é pior? Uma multidão de pessoas incautas estão pegando agora o telefone, movidos por pura emoção e não por fé, estão se comprometendo com esse ministério e deixando de ofertar em suas próprias congregações. Pessoas que nunca deram uma oferta de R$ 100,00 ou R$ 200,00 para a obra missionária em sua igreja, agora levados pelo poder que a mídia exerce e pelo apelo de um homem que se diz falar em nome de Deus, estão enviando, com sacrifício, "uma oferta de amor" para enriquecer ainda mais os cofres do ministério em questão.

Esse senhor exerce um certo fascínio sobre boa parte dos evangélicos com suas mensagens. São levados pelo ímpeto com que fala "as verdades" (imitando o apresentador Carlos Massa, o Ratinho), com raiva, indignação, gritando contra tudo e contra todos, usando versículos bíblicos fora do contexto para justificar o proposto em seus sermões sem unção. Usa a Bíblia para dizer: "Aqui tem café no bule" e por falta de opção, o povo assembleiano e os evangélicos pentecostais de um modo geral tendem a elegê-lo como uma "voz profética" no Brasil. Eu desconheço sua autoridade e não reconheço nele essas qualidades, mesmo porque profeta de Deus não pede dinheiro descaradamente.

Alguém pode contra-argumentar que ele está pedindo, não está roubando e dá quem quer. É verdade, mas virou mania nacional usar o "semear" em lugar de ofertar, isso porque semear é uma palavra que lembra "uma troca" com Deus. Você semeia no meu programa e Deus vai lhe restituir em dobro. É aquela antiga figura da semente única que faz crescer uma árvore, que por sua vez produz muitos frutos com muito mais outras sementes e assim por diante. Jogam tudo nas costas de Deus e responsabilizam o Nome do Senhor. Você dá a oferta e Deus vai lhe restituir, ou seja, se não acontecer, a culpa não é minha, não é do nosso ministério: é de Deus. Segundo, como há uma distância de tempo entre o semear e o colher, justificam seus abusos com frases como: "se você ainda não recebeu é porque ainda não chegou o tempo de colher, é tempo de semear (mais)".

Não custa repetir que "todas quantas promessas há de Deus, são nEle sim; e por Ele o Amém, para a glória de Deus, por nós"

Que Deus tenha misericórdia de seu povo e o guarde dos verdadeiros devoradores.


Deus abençoe a todos!

Maranata. Ora vem Senhor Jesus!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

ÉTICA: OS JOSÉS DA BÍBLIA E OS JOSÉS DO SENADO BRASILEIRO.

Ética, um dos ramos da filosofia, é definida como a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade ou o conjunto de normas de comportamento e forma de vida, através das quais o homem tende a realizar o bem. Moral é um conjunto de regras de comportamento próprios de uma cultura, enquanto a ética "vai mais além da moral, pois procura os princípios fundamentais do comportamento humano" (J.R.Nalini). Relacionada à moral, a ética vive em constante crise num certo país chamado Brasil, mais especificamente em sua capital federal, chamada Brasília. É um verdadeiro teatro de horrores ou como noticiou uma agência internacional, "uma casa de horrores".

Não sou um cristão apolítico. Sou favorável que o cristão envolva-se com política sim, desde que represente bem seus eleitores (cristãos ou não), defendendo seus interesses e os da sociedade de um modo geral. Temos diversos exemplos de homens na Bíblia que exerceram cargos de confiança no mundo político e não sujaram suas mãos. Pelo contrário, honraram a Deus com seus mandatos e foram modelos na administração da coisa pública. Tiveram inimigos políticos que por não acharem nada em suas vidas públicas, vasculharam suas vidas privadas e nada encontraram, senão que eles tinham um Deus diferente dos deuses pagãos e a Ele prestavam culto diário, um deles inclusive orando três vezes com as janelas abertas para Jerusalém (Dn.6.10).

A história de José nas páginas do Antigo Testamento, enche os olhos do mais simples ao mais ilustre dos homens, com sua vida e conduta ilibada. Depois de sofrer injustiças na família, no trabalho e até na prisão, sai do cárcere para assumir o segundo trono do Egito, onde governou durante oitenta anos. A tônica de sua biografia foi: "Deus era (estava) com ele"(At.7.9). José foi traído, vendido, caluniado, esquecido, mas não se vendeu, não se prostituiu, não teve seu nome manchado pela suspeita de compra de terrenos de pessoas que já morreram ou suspeita de desvio de sua fundação, não teve o nome vinculado a benefícios ilícitos feito a seus filhos ou parentes, o famigerado nepotismo, e embora tenha entrado na história como "José do Egito", permaneceu o mesmo José de Jacó, de Israel, e deu ordem para que sequer seus ossos ficassem no Egito. Conhecia suas raízes, sua origem e amava o fato de ser hebreu, descendente de Abraão (Heb.11.22).

Havia em Arimatéia, cidade de dos judeus, um certo José senador (Mc.15.43; Lc.23.50 - A.R.C.). Pouco se sabe de sua vida política, mas o pouco que se sabe é o suficiente para avaliar seu caráter e sua vida pública. A Bíblia limita-se a dizer que era senador honrado, nobre, rico e membro do Sinédrio. No auge de seu histórico de homem público, vai ao governador Pilatos com um "habeas corpus" e pede o corpo morto de um certo judeu jovem, nascido em Belém, cidade pequena da Judéia, crescido em Nazaré, cidade desprezível na Galiléia dos gentios. Doa panos de linho fino e especiarias para embalsamá-Lo porque a família do morto era pobre e de origem humilde (Lc.2.22-24). A família não podia pagar por um túmulo em Jerusalém e para que seu corpo não ficasse exposto no sábado, no Calvário, como era comum acontecer, doa também um túmulo novo cavado em uma rocha (Deus não aceitaria a doação para Seu Filho se não tivesse origem lícita). Três dias depois, o meigo nazareno devolve a propriedade ao ressuscitar, todavia, o local torna-se público e até hoje é visitado por milhões de peregrinos cristãos e turistas curiosos. Ninguém reconhece o túmulo como sendo dele (José), mas ficou conhecido como o "Túmulo de Jesus" ou a "Tumba do Jardim". Ninguém lembra do senador de Arimatéia, todavia, ele saiu de cena para Jesus entrar na história como o primeiro a vencer a morte. Entrou e saiu da história como homem honrado, político de bem. Por usar sua boa influência junto às autoridades, por doar o "enterro" e providenciar o sepultamento de um homem justo (e pobre), mostrou o verdadeiro caráter do homem público. Apesar de discípulo (oculto), mostrava preocupação com os pobres, se identificava com as classes menos favorecidas e com elas se relacionava.

Não podemos dizer o mesmo dos Josés do Senado Federal, onde a cada dia descobrem-se atos secretos e desmandos na vida pública. Homens que até pouco tempo defendiam a ética, representavam o perfil da retidão, interpretavam o padrão de moralidade e hoje, envergonhados, são achincalhados. Têm a biografia manchada no fim de suas vidas porque não souberam parar de desejarem poder. As máscaras estão caindo no teatro da política brasileira, tanto da situação como da oposição.

Os Josés da Bíblia não precisaram de manobras políticas para terem acobertados seus atos na vida pública e privada, nem na relação de seus filhos e parentes com a esfera do poder. Nossos Josés brasileiros perderam a oportunidade de entrarem para a história como modelos de ética, de boa política pública e padrão de moralidade para o mundo. A essas alturas, citar Sêneca não resolve a questão e nem serve de resposta à população brasileira. O povo evangélico brasileiro não esquece o beijo que um ex-presidente da Repúlica deu em uma imagem de escultura na cidade de Aparecida do Norte, para atrair a simpatia dos católicos.

Não tenho a intenção de mudar o país e a história com esse texto, mas oferecer um modelo simples de se fazer política pública com base na história de homens de bem e tementes a Deus. Espero que sirva também para os políticos de nossa bancada e para a liderança de nossas igrejas evangélicas. A Bíblia diz que o nosso "Deus é Luz", isso fala da transparência de seu caráter, que Ele não faz nada "debaixo dos panos" e que nele não há engano! Jesus que é a Luz do mundo, também disse que somos "a luz do mundo e o sal da terra". Que não hajam máscaras na relação da igreja com o poder e na administração das coisas sagradas. Que não hajam interesses puramente particulares, que não hajam benefícios ilícitos, principalmente para os filhos e parentes próximos. Que sirvamos de exemplo, como Daniel, à Babilônia, como José ao Egito e como o senador honrado de Arimatéia aos judeus do Novo Testamento. Que o mundo de hoje admirem os nossos Josés, que aprendam conosco, o povo de Deus, modelos éticos para o bem da Família, da Igreja e da Sociedade. Brilhemos pois nesse mundo como astros que, no meio de uma geração tenebrosa, refugem a Glória de Deus e salguemos a Terra, a humanidade, com o sabor da justiça e da ética do Reino de Deus.

Deus abençoe a todos.

Maranata. Ora vem Senhor Jesus!