terça-feira, 4 de agosto de 2009

ÉTICA: OS JOSÉS DA BÍBLIA E OS JOSÉS DO SENADO BRASILEIRO.

Ética, um dos ramos da filosofia, é definida como a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade ou o conjunto de normas de comportamento e forma de vida, através das quais o homem tende a realizar o bem. Moral é um conjunto de regras de comportamento próprios de uma cultura, enquanto a ética "vai mais além da moral, pois procura os princípios fundamentais do comportamento humano" (J.R.Nalini). Relacionada à moral, a ética vive em constante crise num certo país chamado Brasil, mais especificamente em sua capital federal, chamada Brasília. É um verdadeiro teatro de horrores ou como noticiou uma agência internacional, "uma casa de horrores".

Não sou um cristão apolítico. Sou favorável que o cristão envolva-se com política sim, desde que represente bem seus eleitores (cristãos ou não), defendendo seus interesses e os da sociedade de um modo geral. Temos diversos exemplos de homens na Bíblia que exerceram cargos de confiança no mundo político e não sujaram suas mãos. Pelo contrário, honraram a Deus com seus mandatos e foram modelos na administração da coisa pública. Tiveram inimigos políticos que por não acharem nada em suas vidas públicas, vasculharam suas vidas privadas e nada encontraram, senão que eles tinham um Deus diferente dos deuses pagãos e a Ele prestavam culto diário, um deles inclusive orando três vezes com as janelas abertas para Jerusalém (Dn.6.10).

A história de José nas páginas do Antigo Testamento, enche os olhos do mais simples ao mais ilustre dos homens, com sua vida e conduta ilibada. Depois de sofrer injustiças na família, no trabalho e até na prisão, sai do cárcere para assumir o segundo trono do Egito, onde governou durante oitenta anos. A tônica de sua biografia foi: "Deus era (estava) com ele"(At.7.9). José foi traído, vendido, caluniado, esquecido, mas não se vendeu, não se prostituiu, não teve seu nome manchado pela suspeita de compra de terrenos de pessoas que já morreram ou suspeita de desvio de sua fundação, não teve o nome vinculado a benefícios ilícitos feito a seus filhos ou parentes, o famigerado nepotismo, e embora tenha entrado na história como "José do Egito", permaneceu o mesmo José de Jacó, de Israel, e deu ordem para que sequer seus ossos ficassem no Egito. Conhecia suas raízes, sua origem e amava o fato de ser hebreu, descendente de Abraão (Heb.11.22).

Havia em Arimatéia, cidade de dos judeus, um certo José senador (Mc.15.43; Lc.23.50 - A.R.C.). Pouco se sabe de sua vida política, mas o pouco que se sabe é o suficiente para avaliar seu caráter e sua vida pública. A Bíblia limita-se a dizer que era senador honrado, nobre, rico e membro do Sinédrio. No auge de seu histórico de homem público, vai ao governador Pilatos com um "habeas corpus" e pede o corpo morto de um certo judeu jovem, nascido em Belém, cidade pequena da Judéia, crescido em Nazaré, cidade desprezível na Galiléia dos gentios. Doa panos de linho fino e especiarias para embalsamá-Lo porque a família do morto era pobre e de origem humilde (Lc.2.22-24). A família não podia pagar por um túmulo em Jerusalém e para que seu corpo não ficasse exposto no sábado, no Calvário, como era comum acontecer, doa também um túmulo novo cavado em uma rocha (Deus não aceitaria a doação para Seu Filho se não tivesse origem lícita). Três dias depois, o meigo nazareno devolve a propriedade ao ressuscitar, todavia, o local torna-se público e até hoje é visitado por milhões de peregrinos cristãos e turistas curiosos. Ninguém reconhece o túmulo como sendo dele (José), mas ficou conhecido como o "Túmulo de Jesus" ou a "Tumba do Jardim". Ninguém lembra do senador de Arimatéia, todavia, ele saiu de cena para Jesus entrar na história como o primeiro a vencer a morte. Entrou e saiu da história como homem honrado, político de bem. Por usar sua boa influência junto às autoridades, por doar o "enterro" e providenciar o sepultamento de um homem justo (e pobre), mostrou o verdadeiro caráter do homem público. Apesar de discípulo (oculto), mostrava preocupação com os pobres, se identificava com as classes menos favorecidas e com elas se relacionava.

Não podemos dizer o mesmo dos Josés do Senado Federal, onde a cada dia descobrem-se atos secretos e desmandos na vida pública. Homens que até pouco tempo defendiam a ética, representavam o perfil da retidão, interpretavam o padrão de moralidade e hoje, envergonhados, são achincalhados. Têm a biografia manchada no fim de suas vidas porque não souberam parar de desejarem poder. As máscaras estão caindo no teatro da política brasileira, tanto da situação como da oposição.

Os Josés da Bíblia não precisaram de manobras políticas para terem acobertados seus atos na vida pública e privada, nem na relação de seus filhos e parentes com a esfera do poder. Nossos Josés brasileiros perderam a oportunidade de entrarem para a história como modelos de ética, de boa política pública e padrão de moralidade para o mundo. A essas alturas, citar Sêneca não resolve a questão e nem serve de resposta à população brasileira. O povo evangélico brasileiro não esquece o beijo que um ex-presidente da Repúlica deu em uma imagem de escultura na cidade de Aparecida do Norte, para atrair a simpatia dos católicos.

Não tenho a intenção de mudar o país e a história com esse texto, mas oferecer um modelo simples de se fazer política pública com base na história de homens de bem e tementes a Deus. Espero que sirva também para os políticos de nossa bancada e para a liderança de nossas igrejas evangélicas. A Bíblia diz que o nosso "Deus é Luz", isso fala da transparência de seu caráter, que Ele não faz nada "debaixo dos panos" e que nele não há engano! Jesus que é a Luz do mundo, também disse que somos "a luz do mundo e o sal da terra". Que não hajam máscaras na relação da igreja com o poder e na administração das coisas sagradas. Que não hajam interesses puramente particulares, que não hajam benefícios ilícitos, principalmente para os filhos e parentes próximos. Que sirvamos de exemplo, como Daniel, à Babilônia, como José ao Egito e como o senador honrado de Arimatéia aos judeus do Novo Testamento. Que o mundo de hoje admirem os nossos Josés, que aprendam conosco, o povo de Deus, modelos éticos para o bem da Família, da Igreja e da Sociedade. Brilhemos pois nesse mundo como astros que, no meio de uma geração tenebrosa, refugem a Glória de Deus e salguemos a Terra, a humanidade, com o sabor da justiça e da ética do Reino de Deus.

Deus abençoe a todos.

Maranata. Ora vem Senhor Jesus!

6 comentários:

Portal das Doutrinas Bíblicas disse...

Amigo Pr Guedes

Favor inserir os meus links tambem em seu importante blog.

Parabens pela materia de Etica - Os Josés da Biblia...............

Caso vc aprove inserir meus links eu os encaminharei.

pastor guedes disse...

Amigo Pr. Eliel Amaral Soares,

Está mais que autorizado. O senhor ainda é o meu chefe, nobreza. Vou inseri-los.

Obrigado pelo comentário.

Deus lhe abençoe.

Obs. Já respondi também no outro post "É Deprimente!"

Forte Abraço

Du disse...

Olá Pastor Guedes:
Sou evangélica da Igeja Quadrangular.
Gostaria de sua opinião sobre o seguinte assunto:Estou terminando o Curso Superior em Gestão Pública e fazendo pesquisa na internet sobre o assunto que escolhi para fazer o Trabalho de Conclusão de Curso-TCC, encontrei o seu parecer ou estudo sobre a questão ética.
Escolhi fazer para o TCC um paralelo entre personalidades bíblicos (José, Daví,...) com gestôres Públicos atuais; mas o meu propoósito não é enfatizar o mau caratísmo da alguns, mas descobrir aquele que demonstra ter um bom comportamento ético em sua vida pública e lógico, em sua vida pessoal também.
Acha que é possível encontrar tais pessoas atuando na vida pública; se sim, poderia dar algum exemplo?
Seria possível fazermos isso através de email? O meu é dulcedarolt@hotmail.com;
Deus te abençoe.
Dulce

Pastor Guedes disse...

Prezada Du,

A Paz!

Obrigado pela visita.

Terei o maior prazer em ajudá-la. Enviarei por email o meu parecer.

Abraço.

Daniel Jatahy disse...

A paz do Senhor Jesus!
Pr. Guedes,

Vejo que José e Daniel, que tiveram uma vida política admirável e honrosa, antes de estarem no poder foram REALMENTE provados até chegarem lá, tiveram muitas aflições. Os políticos brasileiros e ditos "irmãos", só penam pedindo votos, os verdadeiros politicos irmãos, aparecerão diante da perseguição e ou problemas que a igreja acabará sofrendo por não fazer bem o papel dela na sociedade!
Não precisamos de politicos que apenas nos representem bem, precisamos de IRMÃOS que amem a Deus acima de seus próprios interesses, honrem e temam a Deus buscando fazer Sua soberana vontade.

Pastor Guedes disse...

Prezado Daniel,

Obrigado por sua visita e comentário outra vez!

Concordo com você e o tempo da "peneira" está chegando.

Abraço.
No Amor de Cristo!